terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Perólas dos espertalhões 2

(Mais tiradas com classe) Trabalhei na Riachuelo tempos atrás, quem nunca fez compras lá ainda não nasceu. Eu exercia a função de fiscal, me sentia o Bond, James Bond. Era só cuidar para que ninguém emprestasse roupas da loja, (entendeu? Emprestasse! Hahahahha. Cantando: Na mesma praça, no mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.... a praça é muito nossa), eles precisavam comprar. Engraçado! Mas uma vez ou outra me colocavam em outras funções, para demonstrar serviço e bancar o pau-pra-toda-obra realizava feliz da vida. Quando ocorreu esse episódio eu estava na saída e entrada de funcionários, mais conhecido por lá como 300, não sei por quê. (Só sei que não vi o Rodrigo Santoro, não. Alguém viu ele no 300? Com aquele figurino de Vera Verão ficou difícil.) Só precisava registrar os produtos que tinham a marca da loja levados pelos funcionários e olhar dentro das bolsas destes na saída. Mas, como tudo o que envolve o Homem, não é tão simples assim, maldita subjetividade. Havia alguns RBDs, que se recusavam a abrir suas bolsas, “ Eu escondi um edredom aqui.” Ouvia essa piadinha frequentemente. Quando falavam isso no bom humor eu ria junto e desejava um bom resto de dia, “Até amanhã”. Se faziam essa piada elaborada pelo Didi, com mal humor eu respondia: “Compra um com seu bolsa família, não roube não. Pobre sofre se não puder pagar advogado na prisão. Fora que fica queimado no Olho Vivo na cidade (eca).” Uma antiga funcionaria que se sentia a Rainha do reino do Riachus Elus, se recusou a mostrar a bolsa, então eu disse: - Me desculpa não posso te deixar sair. - Olha eu trabalho aqui a cinco anos, e estou com pressa. – Arrogantemente falou. – - Ah, é? Meu sobrinho tem essa idade, mas ainda não manda lá em casa. Sinto muito, minha linda. Mas aqui eu só recebo ordens. – Sorri, tentando bancar o profissional, mas bem humorado. – Ela insistiu colocando a mão na maçaneta do portão. - Você é livre para ir, passarinho, - Continuei -, mas eu vou anotar seu nome e leva-lo para o meu líder (É sensacional. Todo mundo tem líder por lá.) Nesse meio tempo eu já me sentia um concursado. Ela fechou a cara e, com os olhos, ameaçou de matar todos os meus parentes, e o pior de quebrar meus DVDs e queimar meus livros. Ela não era má, era sanguinolenta. Já havia uma pequena multidão recolhendo dinheiro de aposta para ver quem iria vencer. O povo adora ver David contra Golias. E no alto dos meus 1,87 sem salto, eu era o David. As vítimas antigas dessa Carmem Sandiego gritavam meu nome. Pensei estar no ringue de luta livre. E, enfim se entregou. Abriu a bolsa e, de fato, não havia nada que a incriminava: - Aqui sempre dá problema com os freelances. (Na época eu ainda era, usava um uniforme diferente dos efetivados que não me deixava esquecer quem eu era por ali). Respondi até sentindo o gosto das palavras, acho que era a fome, eram 13h15min e ainda não almoçara: - Talvez seja porque ninguém mais desconfia dos veteranos. Há alguns que nem querem mostrar a bolsa. Assim que ela saiu, ouvi risos, que com o eco do corredor parecia que estava assistindo Chaves com aquelas risadas artificiais. Ganhei tapinhas nas costas, aperto de mãos, e dois abraços. Parecia que eu era o Pelé em final de Copa ganha e, acabara de fazer o gol que decidia tudo, ou então que acabara de nascer meu primeiro filho. Fiquei com medo de que contratassem um carro de mensagem ao vivo. Outra situação ocorreu na faculdade. Tive o meu encontro com a linda folgada na cantina da faculdade. Comprara o meu ticket, você o compra em um lugar e retira o lanche em outro, é tão longe um lugar do outro que temo morrer de fome no caminho. A garota estava atrás de mim na hora de comprar, ela me viu lá. Sem dúvida, todo mundo me nota, tenho altura de escada de bombeiro. Percorri as milhas que separam o caixa da lanchonete (Bloco B, Univag), havia umas sete pessoas na minha frente, aguardei pacientemente, adoro filas, quando chegou minha vez a garota da fila do caixa deu um golpe de Jack Bauer e velozmente esticou o braço de 30 cm, e jogou o ticket no balcão, como que pressionando a atendente servi-la. Percebendo o espírito JE.BRA.TI.VA ( jeitinho brasileiro tirador de vantagens) acabei reagindo, espertinhos me irritam. - Desculpe, mas estou aqui primeiro que você a pelo menos uns 10min esperando para ser atendido. – Peguei o ticket e coloquei em cima do balcão desafiando o a atendente. - E o romantismo! – Declarou a arrogante, essa frase mais passada que roupa de padre.- - Acabou junto com o Século XIX. – Nem me importei com datas, não era a minha intenção dar uma aula de história. Ela ficou surpresa com tamanha ousadia, ela não esperava ouvir isso de um grandalhão alto com cara de bobo. - Não precisa estar no século XIX para ser romântico. – Deu um ultimo golpe tentando me derrubar. - Sem dúvida não. Nem para ser educada e pedir licença caso queira passar a frente de outras pessoas. Se tivesse pedido para mim esse lanche estaria na sua mão não na minha. Com o lanche nas mãos e com uma sensação de que tinha pegado pesado, saí de lá. Consolei-me afirmando para mim mesmo que havia ensinado uma lição para ela. Vai pensar duas vezes antes de bancar o malandro carioca. As mulheres queimaram sutiãs, reclamaram um lugar no mercado de trabalho, enfim, estão independentes dos homens. Mas quando querem tirar vantagens, na hora de dividir a conta, de passar a frente e de tantas outras coisas, reclamam o antigo regime. Revoluções são revoluções, após elas novas leis são estabelecidas. Não dá para querer a democracia e ainda continuar se escondendo na burca. Não exigiram direitos iguais? Então. Agora seja homem. Estou brincando. As mulheres sim, merecem ser tratadas da melhor forma. Café na cama, bombom, flores, porta do carro aberta, que lhe ofereçam a cadeira, atenção em suas narrações detalhistas, (Ela estava com um vestido verde e um sapato amarelo, quando de repente olhou três graus ao norte tentando mira-lo nos olhos quando um vento noroeste balançou a folha da samambaia...), ETC. Mas tudo isso não pode ser uma exigência, nem uma obrigação aos homens. Pequenos mimos aqui e ali, agradam todo mundo justamente porque é espontâneo se for mecânico perde todo o sabor.

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