terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Os Homens também são seres humanos
Minha irmã com cólica e TPM (tendência para matar), me inveja por ser homem: “Você tem sorte de ser homem, além de não ter período menstrual, e ainda ter que usar uma coisa que mais se parece uma frauda, não tem cólicas.”
Quem foi que falou que é fácil ser homem?
A coisa mais difícil para um homem é ser homem. Você precisa ser forte em todos os sentidos, você precisa ser corajoso em todos os sentidos, ser o homem da casa em todos os sentidos, tem que proteger e sustentar a família. E ser tudo isso é mais difícil que receber um Oscar, ou um Nobel. Mulher que não trabalha é dona de casa, rainhas do lar, que pensaram na família, abdicaram de uma carreira para criar os filhos e cuidar da casa e do marido. Viram vendedoras da Avon, Natura, Racco, Fator 5, faz crochê ou tricô o dia todo, lê Sabrina, assiste Thalia pela zilhonésima vez, e ainda assim é aplaudida de pé e concorre ao Donas de Casa Awards, na categoria mulher do ano. Já homem que não trabalha é vagabundo, gigolô, banana, tudo menos homem.
Estou fazendo uma pesquisa sobre término de relação amorosa, um projeto de pesquisa para a faculdade, então enfiei a cara em pesquisas relacionado a homens e mulheres contemporâneos. Imaginei que antes de tirar qualquer conclusão sobre esse assunto precisava saber quem são esses homens e essas mulheres dispostos a por fim a algo que não está mais lhes fazendo bem, ou provocam esse fim.
Comecei pelos homens, claro, queria entendê-los, precisava de respaldo para me defender, hehehe. O fato é: que acabei descobrindo um homem com medo e perdido em seus padrões masculinos. De todos os casos estudados, não foram muitos, mas depois de ler 7 pesquisas no assunto já se dá para tirar pequenas conclusões, mais de 82% dos relacionamentos são terminados pelas mulheres, que julgam insatisfeitas, e não mais dispostas a viver por “aparência”. Os homens procuram a comodidade quase como se procurassem o antigo berço no porão, (Brasil não tem isso, por que será que usamos a analogia do porão? Culpa dos padrões norte Americano), ou quartinho dos fundos. (Ficou melhor assim?). Eles (nós) também não gostam de admitir que fracassaram em algo. Afinal homem que é homem nunca fracassa. Assim como o Jack Buer, ou Chuk Norris.
Lendo tudo isso fui obrigado a pensar em mim, ou melhor, em nós homens, e alguns padrões que nos são entregues mastigados quando nascemos.(Negação, projeção valeu Freud. Se eu te pego eu te mato!)
Eu tenho medo do futuro, apesar de me preparar para enfrentá-lo (resolvo sempre com Deus isso), me sinto um tanto quanto incomodado quando tenho que enfrentar o quartinho escuro que tem na minha casa, entre enfrentar um rato ou uma barata prefiro ser torturado assistindo todo o carnaval baiano, ou assistir (Deus me livre), o comercial das casas Bahias com o seu “quer pagar quanto?”. Emociono-me vendo filmes, lendo livros, ou por um amigo por sei lá o motivo, até ouvindo as piadas do Didi eu choro, mas também depois de duas décadas escutando as mesmas piadas. São de doer a cava superior. Não tenho problema de mostrar afetividade para nenhuma das figuras masculinas que me rodeiam, amigos, meu pai, líder da igreja. E ainda assim sou homem. Como pode?
Gosto de pensar que estou contra a maré. Sou onda, apesar de fazer parte do oceano, não sou o oceano. Pego os ventos e vou para onde eu quero.
Estava assistindo o BBB 8 e vi uma cena um tanto incomum, até para a moderninha rede Globo. Quando o segundo participante foi eliminado, o Rafael galego, e depois o terceiro participante Alexandre, os homens se abraçaram, choraram como os corintianos no dia em que foram para a 2°, (irresistível, hahaha), se beijaram no rosto, até no pescoço, houve dois que declararam amor eterno extra confinamento e no meio de um abraço sincero, de certa forma, de quatro amigos percebi a figura de uma revolução. Os homens estão se libertando, no caso dos BBBs literalmente, da carapuça de macho, chupa-cabra macho, e estão simplesmente se transformando em humanos, nem Darwin poderia imaginar tamanha metamorfose. Parece que a Humanidade sensível está na moda, mesmo que seja uma histeria coletiva isso é bom.
Para falar dessa revolução nem vou citar termos como metro-sexual, nem nomes como David Backhan, brincos de diamantes, ou unhas pintadas, tudo isso é só o subproduto revolucionário, todos esses clichês sobre o homem moderno não me interessa, prefiro falar sobre a parte emocional envolvida nisso tudo. Quem tem ouvidos para ouvir ouça
Conheço uma pessoa que após precisar fazer hemodiálise, se aposentou da policia militar, começou a ajudar em casa em tudo. Passou a lavar louça e roupa, a fazer comida, até melhor do que a que a mulher dele fazia, está participando melhor da vida do filho de 12 anos, deu até para encomendar outro para a cegonha depois que recebeu um transplante de rim, o transplante foi realizado há um ano e seu filho nasce daqui a 6 meses. No começo sua mulher sentiu seu reinado de dona de casa ameaçado, mas agora fala com orgulho do marido prestativo que Deus lhe deu, e que seu casamento até melhorou depois disso tudo. Ela descobriu uma espécie, infelizmente ainda rara em seu próprio jardim, o Hominis humanus sensivilius.
Os homens assistiram com uma certa passividade toda a revolução que as mulheres fizerem na segunda metade do século XX. Elas (vocês) usaram roupas com ombreiras, -ninguém passou impune aos anos 80-, tomaram seus lugares no mercado de trabalho, todo o meu respeito. Há algumas que odeiam cozinhar, gritam aos quatro cantos que repugna a possibilidade de se tornar uma dona de casa, tudo isso transformou o homem em um ser perdido, vocês não precisam de nós para mais nada. Semana passada malditos cientistas - Vão jogar Banco imobiliário!- descobriram uma substancia nas trompas femininas, claro, que pode ser usada para produzir espermatozóides. O que nós resta é agrada-las. Fazendo tudo o que antes não era nosso. Cozinhar, lavar, passar, enfim, sermos Homens suficientes para saber que tudo isso não fere masculinidade de ninguém. Se ferir então reveja os seus conceitos.
Queremos ter o direito de ter Piti de vez em quando, de chorar com o final de Amor para Recordar, de abraçar um filho ou um amigo sinceramente, sem aquele abracinho de lado que parece ser para evitar se tocar, e ainda é esquivo e pouco sincero. Queremos comer chocolate, de narrar um acontecido com detalhes, de não ter resposta para tudo, de mostrar sem medo que tem medo de escuro, que barata é melhor morta e bem longe- ou alguém gosta de barata?-, de não ter que sempre ficar cuidando para não parecer ser gay.
Agora eles (nós) querem fazer uma revolução. Deixar a mascara, e a preocupação em sempre parecer masculino de lado para simplesmente ser humano, espécie conhecida por amar e ter afeição, nada mais.
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