terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Arquitetos de si mesmos

Mexendo nos meus cadernos do primeiro e segundo semestre da faculdade, pouco usado confesso, algumas anotações aqui ou ali que pegava com a Dany ou com a Claudinha (Obrigado meninas, vocês moram no meu ventrículo esquerdo), vi uma frase de sociologia, que estava não sei por que, na matéria de história da psicologia (que era usada também para Anátomo-fisiologia. Que bagunça!), que dizia o seguinte: “O Homem é o construtor da realidade”. Não estava anotado o nome do autor. Dany e Claudinha também erram. Essa frase me provocou pensamentos e viagens que deixariam Bob, do fantástico mundo de Bob com inveja. Que responsabilidade saber que eu sou o construtor da realidade. O mais interessante, percebam vocês, é que a frase não diz simplesmente “da sua realidade”, mas “da realidade”. Isso liberta! Então quer dizer que amanhã eu posso acordar cedo e mudar a minha casa, trabalho, irmãos, chefe, pais e o Lula (sem comentários), com o pó de pir-lim-pim-pim da Emilia? Não, oh aspirante a fada Bela. Mas isso te entrega sua própria vida em suas mãos. Para moldá-la conforme você quiser, inclusive para optar em ser um Zé qualquer na vida. (Até Zé Dirceu. Cadê ele?). Isso vai ser ruim, ser um Zé qualquer, mas a decisão vai ser sua e você vai ter consciência disso. Pessoas que não mudaram nada ou pioraram a situação ainda mais, o mundo já está cheio delas, não precisamos de mais, Hitler e Kely Key já fizeram o suficiente. (Espero não ser processado por isso. Mas se for você me defende Sara?). O mundo necessita de alguém, ou “alguéis”, que se levantem e tomem atitudes, que decidam fazer pequenas revoluções. Não é preciso achar a cura para a AIDS, ou descobrir o Brasil para ser importante na história, ou fazer diferença na vida de alguém. Olhe ao seu redor, veja como as pessoas estão necessitadas de sorrisos. Faça um cartãozinho, dê um bombom do Fofão (se lembram disso?), dê esperança, divida com as pessoas algo que você tenha de bom. Se você acha que é difícil ser Madre Tereza (de Cuiabá, de Corumbá, de calcular, ou de Bogotá), que ela está fora de moda, que jamais usaria aquela roupa que só faria sucesso no convento, enfim, que não toma posições, então não seja sonhador acreditando que algo vai mudar do nada, sem que você as transforme. Transformers? Não que você precise vender todos os bens, doar o dinheiro para um mendigo, e se mandar para a África para ser voluntário pela ONU, até pode fazer isso se quiser, mas não é isso que estou dizendo. E nem que precise ser o bobinho que aceita tudo que ouve caladinho, se te tratam mal você põe a calda entre as pernas, murcha as orelhas e olha para o chão como um bom franciscano. Nem eu sou assim. Exijo que seja tratado com respeito, dou minhas tiradas com classe, claro, para os folgados de plantão. Sem precisar ofender nem gritar com ninguém¹. Ainda assim sorrio e digo: “se você não acredita em você, eu acredito!” Fico com o coração feliz quando alguém me agradece por algo que eu disse que a tenha a ajudado, mesmo que muitas vezes nem me lembro de ter dito. Honrar alguém que te ajudou de alguma forma te dá qualidades Divinas, honra, generosidade e reconhecimento. Enriquece a ti e a quem foi honrado. É emocionante, ainda que pareça egocentrismo, saber que fui eternizado na vida dessas pessoas, que de alguma forma as ajudei a crescer. Não precisa ganhar um Nobel, ou ganhar uma Cadeira na Academia Brasileira de Letras, para se tornar eterno. Quem recebe uma ajuda jamais se esquece de quem ajudou, Nobel e cadeiras envelhecem e ficam empoeiradas, memória não. Quando ganhar um Nobel ou minha cadeirinha na Academia, vai ser só mais um título. Um abraço para Dom Quixote. Viajei em um dos fins de semana do preguiçoso mês de janeiro para um sítio que minha família tem no interior de Mato Grosso, Nobres. Para quem não conhece Nobres, na entrada da cidade, um ou dois quilômetros antes de chegar, você vê varias fábricas de cal e cimento. A paisagem é estranha, os morros ficam nus, com suas partes íntimas a mostra. Isso é inevitável, com responsabilidade social, claro, para o desenvolvimento urbano. Ao passar por uma dessas fábricas meu pai falou uma frase que me marcou: “As pessoas, falam tanto nas grandes invenções. Eletricidade, avião, computador, vacinas, etc.; que são realmente importantes, mas se esquecem das mais simples que talvez sejam mais importantes, como o cimento, por exemplo. Se não o tivessem descoberto/inventado, como seria as cidades, todas construídas de madeira”? Pai, eu não sei. Mas de uma coisa eu sei, todos querem escrever seus nomes na história. Finitude não faz parte da idéia do Homem, todos querem fazer algo grande. Abrir um orfanato, doar cestas básicas, doar sangue, doar órgãos, doar o salário, escrever um livro, ter filhos, e plantar árvores, tudo isso está ligado com a necessidade natural de sentir fazer parte do mundo, talvez não possa fazer mesmo tudo isso agora, “um dia, quem sabe eu faça isso”, ou “quando puder, quando tiver muito, muito dinheiro”. Não percebem que já podem fazer coisas simples, tão simples como o cimento. Olhar nos olhos das pessoas, inclusive de um vendedor e outros atendentes, fico enraivecido quando vejo gente mal tratando prestadores de serviços. Como o Brasil é recém saído da escravidão, há alguns desinformados, que ainda acreditam que prestadores de serviços são escravos². Não são. Se você não olha nos olhos dessas pessoas você as está transformando em “invisíveis sociais” e, acreditem, elas existem. Chamar as pessoas pelo nome. Não há palavra mais bonita para ser ouvido do que o nosso nome na boca de uma pessoa que apreciamos, menos quando é fofoca. Sorrir, dividir o que tem de melhor, pode ser a alegria de viver ou a cobertura em Ipanema, ser otimista, ser longânime (corra para o Aurélio). Pacientes com aqueles que não tem o mesmo ritmo que você, seus pais e outros que são mais velhos, enfim, seja perceptível aos outros, nisso você pode até se encontrar, e ter uma surpresa com você mesmo. Descobrir que tem o poder de transformação nas mãos, que é um agente, que pode chegar em um ambiente hostil e moldá-lo extraindo risadas de silêncios constrangedores. Aprende a rir de si mesmo e não a se levar a sério demais. Talvez nada disso traga mudanças imediatas, mas será a base, matéria prima para grandes obras. O cimento foi descoberto a tanto tempo e só a pouco construíram o Cristo Redentor. Assim como o cimento, que endurece se não houver o uso, a nossa alma se cauteriza se não encontrarmos uma utilidade. E aí? Prefere construir uma cidade Asteca, ou ser um Sergio Naia e construir um castelo de areia como o Palace 2? Você tem apenas uma chance, apenas uma vida. A escolha é sua. ¹ e ², pariram e deram outro texto. “Perolas dos Espertalhões”, leia e comente.

Um comentário:

Sara disse...

Muito bom o texto, pena nao ter lido ele antes. Realmente, se nao construirmos algo de palpavel e concreto agora quando o faremos? nossa vida é agora! mas sabemos que entender e perceber isso é fácil, falar e pensar também, mas como é difícil agir nesse sentido! Mas eu tenho o compromisso de realizar isso, e LOGO! Douglas, eu te defendo! pra vc eu até abro uma exceção! hahahaha
bjao

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