terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Perólas dos espertalhões 2
(Mais tiradas com classe)
Trabalhei na Riachuelo tempos atrás, quem nunca fez compras lá ainda não nasceu. Eu exercia a função de fiscal, me sentia o Bond, James Bond. Era só cuidar para que ninguém emprestasse roupas da loja, (entendeu? Emprestasse! Hahahahha. Cantando: Na mesma praça, no mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.... a praça é muito nossa), eles precisavam comprar. Engraçado! Mas uma vez ou outra me colocavam em outras funções, para demonstrar serviço e bancar o pau-pra-toda-obra realizava feliz da vida. Quando ocorreu esse episódio eu estava na saída e entrada de funcionários, mais conhecido por lá como 300, não sei por quê. (Só sei que não vi o Rodrigo Santoro, não. Alguém viu ele no 300? Com aquele figurino de Vera Verão ficou difícil.)
Só precisava registrar os produtos que tinham a marca da loja levados pelos funcionários e olhar dentro das bolsas destes na saída. Mas, como tudo o que envolve o Homem, não é tão simples assim, maldita subjetividade. Havia alguns RBDs, que se recusavam a abrir suas bolsas, “ Eu escondi um edredom aqui.” Ouvia essa piadinha frequentemente. Quando falavam isso no bom humor eu ria junto e desejava um bom resto de dia, “Até amanhã”. Se faziam essa piada elaborada pelo Didi, com mal humor eu respondia: “Compra um com seu bolsa família, não roube não. Pobre sofre se não puder pagar advogado na prisão. Fora que fica queimado no Olho Vivo na cidade (eca).”
Uma antiga funcionaria que se sentia a Rainha do reino do Riachus Elus, se recusou a mostrar a bolsa, então eu disse:
- Me desculpa não posso te deixar sair.
- Olha eu trabalho aqui a cinco anos, e estou com pressa. – Arrogantemente falou. –
- Ah, é? Meu sobrinho tem essa idade, mas ainda não manda lá em casa. Sinto muito, minha linda. Mas aqui eu só recebo ordens. – Sorri, tentando bancar o profissional, mas bem humorado. – Ela insistiu colocando a mão na maçaneta do portão.
- Você é livre para ir, passarinho, - Continuei -, mas eu vou anotar seu nome e leva-lo para o meu líder (É sensacional. Todo mundo tem líder por lá.) Nesse meio tempo eu já me sentia um concursado.
Ela fechou a cara e, com os olhos, ameaçou de matar todos os meus parentes, e o pior de quebrar meus DVDs e queimar meus livros. Ela não era má, era sanguinolenta. Já havia uma pequena multidão recolhendo dinheiro de aposta para ver quem iria vencer. O povo adora ver David contra Golias. E no alto dos meus 1,87 sem salto, eu era o David. As vítimas antigas dessa Carmem Sandiego gritavam meu nome. Pensei estar no ringue de luta livre. E, enfim se entregou. Abriu a bolsa e, de fato, não havia nada que a incriminava:
- Aqui sempre dá problema com os freelances. (Na época eu ainda era, usava um uniforme diferente dos efetivados que não me deixava esquecer quem eu era por ali). Respondi até sentindo o gosto das palavras, acho que era a fome, eram 13h15min e ainda não almoçara:
- Talvez seja porque ninguém mais desconfia dos veteranos. Há alguns que nem querem mostrar a bolsa.
Assim que ela saiu, ouvi risos, que com o eco do corredor parecia que estava assistindo Chaves com aquelas risadas artificiais. Ganhei tapinhas nas costas, aperto de mãos, e dois abraços. Parecia que eu era o Pelé em final de Copa ganha e, acabara de fazer o gol que decidia tudo, ou então que acabara de nascer meu primeiro filho. Fiquei com medo de que contratassem um carro de mensagem ao vivo.
Outra situação ocorreu na faculdade. Tive o meu encontro com a linda folgada na cantina da faculdade. Comprara o meu ticket, você o compra em um lugar e retira o lanche em outro, é tão longe um lugar do outro que temo morrer de fome no caminho. A garota estava atrás de mim na hora de comprar, ela me viu lá. Sem dúvida, todo mundo me nota, tenho altura de escada de bombeiro. Percorri as milhas que separam o caixa da lanchonete (Bloco B, Univag), havia umas sete pessoas na minha frente, aguardei pacientemente, adoro filas, quando chegou minha vez a garota da fila do caixa deu um golpe de Jack Bauer e velozmente esticou o braço de 30 cm, e jogou o ticket no balcão, como que pressionando a atendente servi-la. Percebendo o espírito JE.BRA.TI.VA ( jeitinho brasileiro tirador de vantagens) acabei reagindo, espertinhos me irritam.
- Desculpe, mas estou aqui primeiro que você a pelo menos uns 10min esperando para ser atendido. – Peguei o ticket e coloquei em cima do balcão desafiando o a atendente.
- E o romantismo! – Declarou a arrogante, essa frase mais passada que roupa de padre.-
- Acabou junto com o Século XIX. – Nem me importei com datas, não era a minha intenção dar uma aula de história. Ela ficou surpresa com tamanha ousadia, ela não esperava ouvir isso de um grandalhão alto com cara de bobo.
- Não precisa estar no século XIX para ser romântico. – Deu um ultimo golpe tentando me derrubar.
- Sem dúvida não. Nem para ser educada e pedir licença caso queira passar a frente de outras pessoas. Se tivesse pedido para mim esse lanche estaria na sua mão não na minha.
Com o lanche nas mãos e com uma sensação de que tinha pegado pesado, saí de lá.
Consolei-me afirmando para mim mesmo que havia ensinado uma lição para ela. Vai pensar duas vezes antes de bancar o malandro carioca.
As mulheres queimaram sutiãs, reclamaram um lugar no mercado de trabalho, enfim, estão independentes dos homens. Mas quando querem tirar vantagens, na hora de dividir a conta, de passar a frente e de tantas outras coisas, reclamam o antigo regime. Revoluções são revoluções, após elas novas leis são estabelecidas. Não dá para querer a democracia e ainda continuar se escondendo na burca. Não exigiram direitos iguais? Então. Agora seja homem. Estou brincando. As mulheres sim, merecem ser tratadas da melhor forma. Café na cama, bombom, flores, porta do carro aberta, que lhe ofereçam a cadeira, atenção em suas narrações detalhistas, (Ela estava com um vestido verde e um sapato amarelo, quando de repente olhou três graus ao norte tentando mira-lo nos olhos quando um vento noroeste balançou a folha da samambaia...), ETC. Mas tudo isso não pode ser uma exigência, nem uma obrigação aos homens. Pequenos mimos aqui e ali, agradam todo mundo justamente porque é espontâneo se for mecânico perde todo o sabor.
Perólas dos espertalhões 1
Só para dar exemplos claros e reais do que quero dizer sobre tiradas com classe aos folgados de plantão. (Falei sobre tiradas com classe no texto Arquitetos de si mesmos) Escrevi esse texto me baseando em episódios ocorridos comigo e com conhecidos onde precisaram usar o sentido “Vesgo e Silvio” para dar respostas inteligentes que colocavam algumas pessoas, merecidamente, em seus lugares.
”O cliente sempre tem razão”. Essa é a maior mentira que um marketeiro já inventou. Acho que deve ter sido criada pelo Marcos Valério. Ele está preso?
Quem falou que os clientes sempre têm razão nunca foi funcionário de loja. Não é possível, algumas pessoas realmente acreditam que prestadores de serviços são escravos. Alguns clientes são arrogantes, os tratam como insetos e ainda tem que sorrir e fingir que não se ofendeu. Os patrões deviam analisar cada caso isoladamente como fez o atual patrão da minha Tia. Ela me disse que entrou um casal na loja que ela trabalha, é uma loja de Jóias e roupas íntimas, dessas que só atendem da classe média para cima, no shopping. Falou que o sujeito era grosseirão, entrou brigando com a mulher que estava grávida de 5 meses por algo a pouco ocorrido.
- Eu te falei para não fazer isso!
- Amor, eu já te expliquei. Não percebi, quando fui ver já tinham feito o engano...
- Não importa, mas você vai ter que se responsabilizar.
Minha tia afirmou: “Eu fiquei com vergonha pela mulher, ele estava falando muito alto, quando entraram todo mundo olhou para os dois”.
- Pois não, posso ajudá-los? – solicitou-se minha tia, tentando, segundo ela acabar com a discussão constrangedora.
- Se você tiver dois mil reais para me emprestar sim. – Respondeu o “cliente com razão”, com uma delicadeza de lenhador canadense.
“Douglas, dali em diante eu não olhei mais para ele enquanto não terminei o atendimento.” A sortuda esposa comprou algumas roupas de dormir e uma pulseirinha de ouro para o Bebê a caminho, será uma menina chamada Sofia, o nome que foi gravado no pingente da pulseira.
Na hora de pagar, mais problemas. O sujeito insistiu que era para ser cobrado no cartão dele, a mulher, sem que ele ouvisse cochichou para minha tia que fosse no cartão dela. Minha tia obedeceu a esposa, e por um problema de sistema fora do ar, (eles sempre estão), no cartão da esposa não foi aprovado.
- Eu falei para você que passasse no meu cartão. Não me ouviu? – gritou se virando para minha tia.
Ainda com a razão o sujeito se dirigiu para a saída, enquanto a mulher esperou que ele se afastasse um pouco para pedir perdão para minha tia pelo acontecido.
- Desculpa, viu? Ele está de cabeça cheia hoje. (“Cheia de M...” Rima com Lerda. Minha tia pensou).
- Nada não. Que Deus abençoe o seu casamento, e... – o sujeito se aproximou de novo, tentando descobrir o porquê da demora de 10 segundos.
-... Tenha uma boa hora! – completou minha tia.
- Nossa! – gargalhou o “com a razão” – A muito tempo eu não ouvia isso.
- Olha, eu costumo falar isso só para mulheres. Mas se você não ouve isso a tanto tempo assim, talvez faça muito tempo que você não engravida.
“Pude ver um sorriso nos lábios da esposa, e o ódio nos olhos do grosseirão.”
Ele chamou o gerente. E já foi se adiantando... – A sua funcionária nos tratou com...
O chefe dela o interrompeu. – Só um segundo senhor. Cida o que aconteceu?
Ela narrou o acontecido, e o chefe deu a sentença sem nem ouvir a versão do “sem razão”: “Senhor perdão? Mas entre você, que nunca vira o rosto antes em toda minha vida, e uma pessoa que conheço a mais de dois anos, em quem o senhor acha que devo acreditar”?
- Vocês acabaram de perder um cliente. Eu nunca mais coloco os pés aqui.
- Não senhor, nós ganhamos o prazer de não mais ter sua presença. Obrigado e pode se retirar.
O bom senso enfim ganhou.
O que não aconteceu com a uma vizinha que trabalha em uma loja de roupas. Ela sofre duas vezes por mês para retocar o cabelo aloirado que insisti em se rebelar e mostrar as caras castanhas. Então na loja que ela trabalhava chegou uma linda mocinha, tipo poodle que é bonitinho mais ataca. Se sentindo a Paris Hilton Cuiabana, exigiu.
- Preciso de uma camiseta da cor vermelho sangue, vocês têm aqui?
- Não sei se é bem dessa cor, mas pode vir até aqui.
Ela mostrou a camiseta que havia falado, e foi sumariamente corrigida.
- Isso é vermelho tomate, não vermelho sangue. Por isso que dizem que loira é burra.
- Burra?
- Isso mesmo, burra! - O gerente estava passando por perto foi até lá. Ouviu a versão da garota, corrigiu a funcionária na frente da “Cliente com razão”, e prometeu que isso nunca mais aconteceria. E não aconteceu mesmo, não sei porque, a loja mudou de nome e até o gerente não trabalha mais lá. (ela ficava na esquina da 13 de Junho com a Getulio. Desconfia qual seja?)
Os verdadeiros heróis nacionais
É fantástico o comportamento humano, você sem dúvida concorda comigo nisso. Concorda também que não exista um ser humano na terra, e fora dela (os astronautas), que apreciem o respeito e o reconhecimento. Fico pensando sobre como as pessoas se sentem quando são ignoradas, subestimadas, mal interpretadas, pré-julgadas, invisibilizadas (Calma, eu explico), etc. Na minha faculdade quem toma conta dos serviços de manutenção da limpeza é uma empresa terceirizada, fico observando como alguns alunos se comportam com eles. Passam e simplesmente fingem que são invisíveis. Como se quando vestissem os uniformes rapidamente se transformassem em Homens e mulheres invisíveis. Eu não consigo cruzar com eles pelos corredores e escadas e fingir que fazem parte da decoração. As feridas causadas pela invisibilidade social podem ser profundas. Se você faz isso, os ignoram, está passando a mensagem de que eles não são ninguém e, acreditem isso é uma violência. A violência simbólica os atinge de uma forma real. Quando eu os digo eu falo dos prestadores de serviço, mas na verdade estou falando de todos nós, ou alguém gosta de ser ignorado? De ir a algum lugar e passar completamente invisível, sem nem ao menos um “oi, tudo bem?”
Antes de eu entender algumas questões espirituais, de entender que Deus fala conosco através de uma comunhão, o que me atraiu a voltar a segunda, terceira vez à igreja foi a forma que eu fui tratado, a forma que fui recebido.
Sabe aquela TV que fica no saguão do hotel? Aquela que fica ali ligada trabalhando, mas que ninguém presta atenção? Acho que é assim que essas pessoas se sentem. A vontade do “eu” é de todo ser humano. A vontade de ser notado, de receber nem que seja um olhar confirmando que é uma pessoa, é uma necessidade tanto, ou maior que a fome ou sede. A uns anos atrás uma jovem se jogou de um prédio no centro de Cuiabá, o motivo, segundo fontes não jornalísticas, mas confiáveis (nem tanto) foi porque ela não tinha ninguém na cidade em que pudesse se sentir segura para “ser”.
Não há a necessidade de tornar amigos de infância dos faxineiros, mecânicos, balconistas, diaristas, pedreiros, nem amigos de fazer coco de porta aberta, (Tem gente que faz isso? Eca!), mas o respeito sincero não faz mal. Tem quem insista em marginalizá-los como uma ameaça iminente, ou ainda sentem dó como se fossem doentes terminais.
Eu me pergunto sempre o que seria de nós sem os pedreiros, por exemplo, teríamos que contratar engenheiros? Eu brinco com um pedreiro que faz pequenos serviços em minha casa quando necessário, ou seja sempre, que daqui a uns anos vão ter advogados, médicos, professores querendo aprender a arte do cimento, porque dá dinheiro.
O que seria do mundo sem os caminhoneiros, com uma filosofia própria de placa de caminhão, que cruzam esse país com suas vidas ameaçadas por quadrilhas especializadas em assalto a carretas? O que seria do Brasil sem os frentistas que já foram até ameaçados de ser extinguidos, mas sem sucesso na nossa cultura que quer ser servida? O que seria de nossas unhas sem os mecânicos? Todos teríamos manchas de graxa nas unhas e carros explodindo nas avenidas.
Será que é certo? Excluir os outros como se fossem tão diferentes que não mereçam a nossa atenção? Ignora-los de uma forma que tiramos o direito deles ser quem são? Se o nazismo se modificou penso que tenha se transformado em indiferença. Alguns pensam ser o ódio o contrário do amor, mas o ódio é complementar ao amor, o contrário dele é a indiferença. Nazismo moderno, não extermina judeu, mas mata de certa forma os pequenos homens que fazem a máquina Terra funcionar.
É doloroso ser tratado com indiferença, é como se te dissessem de forma silenciosa que você não é ninguém. Vi uma reportagem anos atrás em que uma antropóloga falava sobre um gari que havia tirado fotos para uma reportagem da conceituada revista de publicidade Veja. Eram quatro garis, a reportagem da revista falava sobre os empregos menos remunerados no Brasil que em outros países era o contrário, por se tratar de um trabalho considerado “vexaminoso” era bem remunerado. A antropóloga comentava que um dos garis que sairia na foto na revista contou para todo mundo de sua comunidade, para familiares ficarem atentos para vê-lo estampado nas páginas (não as amarelas, claro), só que para economizar espaço, já que tinha sido vendido para o banco Itaú umas páginas de publicidade, e o gari não é tão importante assim, cortaram a foto só apenas um dos garis saiu na reportagem dava-se para ver apenas o braço do outro que tinha até planejado um churrasco na lajem. Ele foi encaminhado para uma ONG na favela onde estava fazendo tratamento com uma psicóloga voluntária.
O que seria da vida de algumas mulheres sem a manicure (é assim que escreve? Meu Aurélio é limitado.), que além de cuidar de suas unhas é uma espécie de psicóloga opinativa por formação na vida? Não entendo a falta de consideração que é dispensada a essas pessoas. Uma vez tive uma discussão séria com meu pai porque considerei que tratou com aspereza uma funcionária de um posto de gasolina, como o posto fica perto de onde moro sabíamos que aquela garota era nova ali, e do jeito que estava sendo lenta estava a pouco nessa função.
Meu pai disse: “Anda rápido que estou com pressa.” Se virou para minha mãe e sem disfarçar a voz nem amenizar o tom continuou. “Aqui nunca pára com funcionário, estão sempre trocando e colocam umas pessoas lentas para atender. – Se virou para a garota e continuou - Hein, vamos logo estou com pressa.” A garota ficou tão nervosa que passou o troco errado, não conferiu direito o relógio da bomba de gasolina e deu motivo para que ele comentasse mais ainda sua ineficiência. Falei para ele que não precisava falar daquele jeito, “a garota só não tem experiência, não estamos nem com pressa para justificar trata-la assim”, devia não ter dito nada, fui vitima de seu passageiro mau humor durante longos minutos. Meu pai normalmente não é assim, foi com ele que aprendi que as pessoas mais simples têm um grande valor, mas naquele dia sua ação não foi admirável, nem imitável. Voltei no mesmo dia no posto e pedi desculpas pelo comportamento do meu pai, fui tratado com desprezo pela garota, o que me deixou feliz pelo menos não era uma depressiva, que guardaria aquilo para o resto da vida. Até me perguntei se não merecera ouvir tudo aquilo.
Estamos condenados a viver com toda a diferença das pessoas. Nossas cidades são um misto de gente, são raras as famílias que nasceram nelas e se criaram nelas. Por exemplo, falar que nordestino é lixo de São Paulo é ignorar de forma burra que na verdade a cidade é composta de milhares de nordestinos, talvez o número de habitantes nascidos seja ínfimo em comparação com o de “forasteiros”.
Há nordestinos, sulistas; negros, brancos; São Paulinos, corintianos, (que estão na segunda, hahhaha); democratas, petistas (vôte). Gente que gosta de vermelho, de azul, de verde, de roxo com bolinhas laranjadas, que usam roupas de gosto duvidoso que sem dúvida receberiam a algema na Contigo e uma advertência da Gloria Kalil, todos diferentes e felizes. Diferença! Supere isso!
Com cidades cada vez mais cosmopolitas as diferentes culturas se misturam, e nessa mistura deveria gerar um respeito maior para aqueles que se presta a realizar trabalhos rejeitados pelas classes dominantes, mas necessários para o desenvolvimento das cidades.
Porque ignora-las, porque ignorar essas pessoas, ou pior trata-las mal? O que todas as pessoas querem e ser respeitadas. É isso que as camareiras (minha mãe e minha tia já foram), as diaristas (minha mãe já foi), faxineiros (meu pai já foi), os caminhoneiros (tenho dois vizinhos que são), mecânicos (de certa forma meu pai ainda é), os técnicos de computação (estou brincando), querem, o que todas essas pessoas de fato querem é ser respeitadas e valorizadas. E na minha humilde opinião são esses os verdadeiros heróis brasileiros, Joãos e Marias que enfrentam dois, três ônibus lotados para trabalhar com dignidade diariamente.
A sua gentileza no trato a eles pode não ser nada pra você, mas para eles pode colorir seus dias. As diferenças vão sempre existir, ou melhor, persistir. Como você vai lidar com elas é uma decisão sua, somente sua. Pense nisso, valorização humana.
Os Homens também são seres humanos
Minha irmã com cólica e TPM (tendência para matar), me inveja por ser homem: “Você tem sorte de ser homem, além de não ter período menstrual, e ainda ter que usar uma coisa que mais se parece uma frauda, não tem cólicas.”
Quem foi que falou que é fácil ser homem?
A coisa mais difícil para um homem é ser homem. Você precisa ser forte em todos os sentidos, você precisa ser corajoso em todos os sentidos, ser o homem da casa em todos os sentidos, tem que proteger e sustentar a família. E ser tudo isso é mais difícil que receber um Oscar, ou um Nobel. Mulher que não trabalha é dona de casa, rainhas do lar, que pensaram na família, abdicaram de uma carreira para criar os filhos e cuidar da casa e do marido. Viram vendedoras da Avon, Natura, Racco, Fator 5, faz crochê ou tricô o dia todo, lê Sabrina, assiste Thalia pela zilhonésima vez, e ainda assim é aplaudida de pé e concorre ao Donas de Casa Awards, na categoria mulher do ano. Já homem que não trabalha é vagabundo, gigolô, banana, tudo menos homem.
Estou fazendo uma pesquisa sobre término de relação amorosa, um projeto de pesquisa para a faculdade, então enfiei a cara em pesquisas relacionado a homens e mulheres contemporâneos. Imaginei que antes de tirar qualquer conclusão sobre esse assunto precisava saber quem são esses homens e essas mulheres dispostos a por fim a algo que não está mais lhes fazendo bem, ou provocam esse fim.
Comecei pelos homens, claro, queria entendê-los, precisava de respaldo para me defender, hehehe. O fato é: que acabei descobrindo um homem com medo e perdido em seus padrões masculinos. De todos os casos estudados, não foram muitos, mas depois de ler 7 pesquisas no assunto já se dá para tirar pequenas conclusões, mais de 82% dos relacionamentos são terminados pelas mulheres, que julgam insatisfeitas, e não mais dispostas a viver por “aparência”. Os homens procuram a comodidade quase como se procurassem o antigo berço no porão, (Brasil não tem isso, por que será que usamos a analogia do porão? Culpa dos padrões norte Americano), ou quartinho dos fundos. (Ficou melhor assim?). Eles (nós) também não gostam de admitir que fracassaram em algo. Afinal homem que é homem nunca fracassa. Assim como o Jack Buer, ou Chuk Norris.
Lendo tudo isso fui obrigado a pensar em mim, ou melhor, em nós homens, e alguns padrões que nos são entregues mastigados quando nascemos.(Negação, projeção valeu Freud. Se eu te pego eu te mato!)
Eu tenho medo do futuro, apesar de me preparar para enfrentá-lo (resolvo sempre com Deus isso), me sinto um tanto quanto incomodado quando tenho que enfrentar o quartinho escuro que tem na minha casa, entre enfrentar um rato ou uma barata prefiro ser torturado assistindo todo o carnaval baiano, ou assistir (Deus me livre), o comercial das casas Bahias com o seu “quer pagar quanto?”. Emociono-me vendo filmes, lendo livros, ou por um amigo por sei lá o motivo, até ouvindo as piadas do Didi eu choro, mas também depois de duas décadas escutando as mesmas piadas. São de doer a cava superior. Não tenho problema de mostrar afetividade para nenhuma das figuras masculinas que me rodeiam, amigos, meu pai, líder da igreja. E ainda assim sou homem. Como pode?
Gosto de pensar que estou contra a maré. Sou onda, apesar de fazer parte do oceano, não sou o oceano. Pego os ventos e vou para onde eu quero.
Estava assistindo o BBB 8 e vi uma cena um tanto incomum, até para a moderninha rede Globo. Quando o segundo participante foi eliminado, o Rafael galego, e depois o terceiro participante Alexandre, os homens se abraçaram, choraram como os corintianos no dia em que foram para a 2°, (irresistível, hahaha), se beijaram no rosto, até no pescoço, houve dois que declararam amor eterno extra confinamento e no meio de um abraço sincero, de certa forma, de quatro amigos percebi a figura de uma revolução. Os homens estão se libertando, no caso dos BBBs literalmente, da carapuça de macho, chupa-cabra macho, e estão simplesmente se transformando em humanos, nem Darwin poderia imaginar tamanha metamorfose. Parece que a Humanidade sensível está na moda, mesmo que seja uma histeria coletiva isso é bom.
Para falar dessa revolução nem vou citar termos como metro-sexual, nem nomes como David Backhan, brincos de diamantes, ou unhas pintadas, tudo isso é só o subproduto revolucionário, todos esses clichês sobre o homem moderno não me interessa, prefiro falar sobre a parte emocional envolvida nisso tudo. Quem tem ouvidos para ouvir ouça
Conheço uma pessoa que após precisar fazer hemodiálise, se aposentou da policia militar, começou a ajudar em casa em tudo. Passou a lavar louça e roupa, a fazer comida, até melhor do que a que a mulher dele fazia, está participando melhor da vida do filho de 12 anos, deu até para encomendar outro para a cegonha depois que recebeu um transplante de rim, o transplante foi realizado há um ano e seu filho nasce daqui a 6 meses. No começo sua mulher sentiu seu reinado de dona de casa ameaçado, mas agora fala com orgulho do marido prestativo que Deus lhe deu, e que seu casamento até melhorou depois disso tudo. Ela descobriu uma espécie, infelizmente ainda rara em seu próprio jardim, o Hominis humanus sensivilius.
Os homens assistiram com uma certa passividade toda a revolução que as mulheres fizerem na segunda metade do século XX. Elas (vocês) usaram roupas com ombreiras, -ninguém passou impune aos anos 80-, tomaram seus lugares no mercado de trabalho, todo o meu respeito. Há algumas que odeiam cozinhar, gritam aos quatro cantos que repugna a possibilidade de se tornar uma dona de casa, tudo isso transformou o homem em um ser perdido, vocês não precisam de nós para mais nada. Semana passada malditos cientistas - Vão jogar Banco imobiliário!- descobriram uma substancia nas trompas femininas, claro, que pode ser usada para produzir espermatozóides. O que nós resta é agrada-las. Fazendo tudo o que antes não era nosso. Cozinhar, lavar, passar, enfim, sermos Homens suficientes para saber que tudo isso não fere masculinidade de ninguém. Se ferir então reveja os seus conceitos.
Queremos ter o direito de ter Piti de vez em quando, de chorar com o final de Amor para Recordar, de abraçar um filho ou um amigo sinceramente, sem aquele abracinho de lado que parece ser para evitar se tocar, e ainda é esquivo e pouco sincero. Queremos comer chocolate, de narrar um acontecido com detalhes, de não ter resposta para tudo, de mostrar sem medo que tem medo de escuro, que barata é melhor morta e bem longe- ou alguém gosta de barata?-, de não ter que sempre ficar cuidando para não parecer ser gay.
Agora eles (nós) querem fazer uma revolução. Deixar a mascara, e a preocupação em sempre parecer masculino de lado para simplesmente ser humano, espécie conhecida por amar e ter afeição, nada mais.
Mal entendidos étnicos
Meu pai é mecânico de moto, ele possui uma loja de acessórios e uma oficina de motos, porque eu estou dizendo isso? Você já vai entender.
Outro dia aconteceu uma coisa interessante, porém não tão raro.
Estava em casa ocupado fazendo nada dia 21 de janeiro, eram 14hs20min, meu pai me ligou dizendo que precisava ir ao banco, na verdade eram dois bancos, para ganhar tempo eu iria em um enquanto ele iria ao outro. Meu pai trabalha de bermuda e camiseta, e uma sandália estilo Lampião do século XXI. Resolveu que iríamos de moto para ir mais rápido, pegou uma Titan 99 de cor cinza e partimos. Na volta do banco paramos ao lado de um Corolla no semáforo, Corolla é o carro de status mais barato do mercado, adorado por nove entre dez classes-médias, as janelas estavam semi-abertas e lá dentro uma jovem senhora classe média falava animadamente no celular, a conversa estava boa já que demorou um certo tempo para notar nossa presença ameaçadora. Quando nos percebeu ao seu lado fechou o vidro desesperadamente, engoliu em seco, soltou o celular. Lembrei-me da cena do Jurassic Park na hora que o Tiranossauro Rex se aproxima do carro e a menina branca se desespera tentando fechar o vidro, a câmera foca seu olhar de desespero, o monstro pré-histórico se aproxima com fome de sangue e vira o carro de cabeça para baixo. Meu pai é novo tem apenas 42 anos, chama-lo de pré-histórico é exagero. Alto eu sou mais me chamar de Tiranossauro Rex é outro grande exagero.
Meu pai começou a rir e eu também. Não sabia que a minha roupa de loja de departamentos estava tão batida assim!
Acabei de ler um livro chamado Corpo e alma, é uma pesquisa de campo, uma observação participante, o autor Loïc Wacquant entrou no mundo do Box, por três anos estudou, gravou e fez anotações e, posteriormente, se tornou um deles. O clube de Box ficava na divisão de um bairro de brancos bem abastados e um bairro negro e pobre de Chicago. Havia uma rua de acesso ao bairro negro que eles eram proibidos de passar. Eles representavam uma ameaça para os moradores do outro bairro. Não estou condenando por tomar algumas medidas de segurança não, seus medos tem fundamentos. Mas o que facilmente se nota no livro é a marginalização sem conhecimento. Em comentários dos pesquisados era freqüente a reclamação de que eram tratados como leprosos, como se tivessem febre da galinha amarela e aidética. Havia um dos freqüentadores do clube, conhecidos como Gyns, que morava a mais de dois anos em um prédio na rua da divisão dos bairros, que nunca havia falado com nenhum dos moradores porque se o vêem fecham as portas andam mais rápido na rua. Essa marginalização que fazemos com as pessoas não é necessariamente uma decisão, na verdade o mundo nos impôs. O outro é, em primeiro lugar, uma ameaça a minha paz. Todos somos o mal em potencial. Eu preciso urgentemente me proteger do que não conheço. Meu pai e eu não nos sentimos ofendidos com a ação da bela jovem, porque se tivéssemos no Corolla nossa ação seria a mesma. Estávamos de capacete em uma moto relativamente velha, com roupas que não haviam sido indicadas por Gloria Kallil, (Alô, Chics!).
O que o livro me ensinou é que as coisas nem sempre são assim como pensamos.
O problema é a nossa necessidade de classificar tudo e todos. Eu preciso por segurança saber onde você está na sociedade. Você é rico, classe média, pobre, emergente até quando, é ladrão, assassino, petista? Precisamos, assim como fazer as necessidades, nos proteger nos nossos pré-conhecimentos de mundo.
O que vemos na TV nos assusta, o que ouvimos nos assusta, mudam nossos hábitos. Tememos que o que aconteceu com outros, as vezes com tanta distancia de nós, aconteça conosco. Minha mãe tirou a minha rede, aminha adorada e preguiçosa rede, há uns anos porque ficou sabendo de uma historia de um menino que se acidentou na rede e veio a falecer, “mãe quem falou que eu não posso ser atropelado hoje a tarde, por que você acha que eu vou morrer numa rede preguiçosa posta na área dos fundos?”
Discriminação, racismo, preconceito está enraizado na cultura mundial, está em mim e em você. Não concorda? Você já disse frases do tipo: “Dia de preto”, “Vá falar assim com suas negas”, “trabalho de preto”, “minha pretinha”, “tinha que ser preto”. Tudo tem um fundo histórico, recente, da uma cultura que oprimi e escraviza. Não vou dizer nem de minorias, porque chamar negros no Brasil de minoria e uma tolice. Embrulha-me o estomago ouvir uma dessas frases de alguns que de negro só não tem a cor. Ouvem samba ou pagode, apreciam Jazz, comem feijoada, todos produtos “negros”.
“Ahh, mas eu sou pardo, está escrito na minha certidão de nascimento”, o único ser pardo que eu conheço é um felino nojento da minha vizinha, espera que não leia nunca isso, mas se a senhora resolveu parar de tricotar para ler meu blog dona Anita, me perdoa. A muito tempo as questões raciais incomodam muitos, quer saber uma coisa? Você não é obrigado a gostar de ninguém, nem negro, nem “branco”, nem pardo (que é o termo mais preconceituoso do mundo, acho que foi criado para disfarçar a negritude racista), mas todos eles não só merecem como tem o direito de ter seu respeito. Nem se importa se gostam ou não deles, mas sabem que o respeito lhes é devido. Por isso e por outras coisas, que eu sempre digo você, e só você pode escolher como se portar. Não permita que a sua ignorância e mania de classificar tudo, incluindo as pessoas, governem o seu comportamento. Sejam racionais e ouçam o que diz a sua consciência, eu tenho certeza que lá no fundo você vai ouvir uma voz de um ser humano puro que conhece os direitos humanos de cor sem nunca o ter lido ou nunca ter ouvido falar de Eleonor Roosevelt.
Arquitetos de si mesmos
Mexendo nos meus cadernos do primeiro e segundo semestre da faculdade, pouco usado confesso, algumas anotações aqui ou ali que pegava com a Dany ou com a Claudinha (Obrigado meninas, vocês moram no meu ventrículo esquerdo), vi uma frase de sociologia, que estava não sei por que, na matéria de história da psicologia (que era usada também para Anátomo-fisiologia. Que bagunça!), que dizia o seguinte: “O Homem é o construtor da realidade”. Não estava anotado o nome do autor. Dany e Claudinha também erram. Essa frase me provocou pensamentos e viagens que deixariam Bob, do fantástico mundo de Bob com inveja.
Que responsabilidade saber que eu sou o construtor da realidade. O mais interessante, percebam vocês, é que a frase não diz simplesmente “da sua realidade”, mas “da realidade”. Isso liberta!
Então quer dizer que amanhã eu posso acordar cedo e mudar a minha casa, trabalho, irmãos, chefe, pais e o Lula (sem comentários), com o pó de pir-lim-pim-pim da Emilia? Não, oh aspirante a fada Bela. Mas isso te entrega sua própria vida em suas mãos. Para moldá-la conforme você quiser, inclusive para optar em ser um Zé qualquer na vida. (Até Zé Dirceu. Cadê ele?). Isso vai ser ruim, ser um Zé qualquer, mas a decisão vai ser sua e você vai ter consciência disso. Pessoas que não mudaram nada ou pioraram a situação ainda mais, o mundo já está cheio delas, não precisamos de mais, Hitler e Kely Key já fizeram o suficiente. (Espero não ser processado por isso. Mas se for você me defende Sara?). O mundo necessita de alguém, ou “alguéis”, que se levantem e tomem atitudes, que decidam fazer pequenas revoluções. Não é preciso achar a cura para a AIDS, ou descobrir o Brasil para ser importante na história, ou fazer diferença na vida de alguém. Olhe ao seu redor, veja como as pessoas estão necessitadas de sorrisos. Faça um cartãozinho, dê um bombom do Fofão (se lembram disso?), dê esperança, divida com as pessoas algo que você tenha de bom.
Se você acha que é difícil ser Madre Tereza (de Cuiabá, de Corumbá, de calcular, ou de Bogotá), que ela está fora de moda, que jamais usaria aquela roupa que só faria sucesso no convento, enfim, que não toma posições, então não seja sonhador acreditando que algo vai mudar do nada, sem que você as transforme. Transformers?
Não que você precise vender todos os bens, doar o dinheiro para um mendigo, e se mandar para a África para ser voluntário pela ONU, até pode fazer isso se quiser, mas não é isso que estou dizendo. E nem que precise ser o bobinho que aceita tudo que ouve caladinho, se te tratam mal você põe a calda entre as pernas, murcha as orelhas e olha para o chão como um bom franciscano. Nem eu sou assim. Exijo que seja tratado com respeito, dou minhas tiradas com classe, claro, para os folgados de plantão. Sem precisar ofender nem gritar com ninguém¹. Ainda assim sorrio e digo: “se você não acredita em você, eu acredito!” Fico com o coração feliz quando alguém me agradece por algo que eu disse que a tenha a ajudado, mesmo que muitas vezes nem me lembro de ter dito. Honrar alguém que te ajudou de alguma forma te dá qualidades Divinas, honra, generosidade e reconhecimento. Enriquece a ti e a quem foi honrado.
É emocionante, ainda que pareça egocentrismo, saber que fui eternizado na vida dessas pessoas, que de alguma forma as ajudei a crescer. Não precisa ganhar um Nobel, ou ganhar uma Cadeira na Academia Brasileira de Letras, para se tornar eterno. Quem recebe uma ajuda jamais se esquece de quem ajudou, Nobel e cadeiras envelhecem e ficam empoeiradas, memória não. Quando ganhar um Nobel ou minha cadeirinha na Academia, vai ser só mais um título. Um abraço para Dom Quixote.
Viajei em um dos fins de semana do preguiçoso mês de janeiro para um sítio que minha família tem no interior de Mato Grosso, Nobres. Para quem não conhece Nobres, na entrada da cidade, um ou dois quilômetros antes de chegar, você vê varias fábricas de cal e cimento. A paisagem é estranha, os morros ficam nus, com suas partes íntimas a mostra. Isso é inevitável, com responsabilidade social, claro, para o desenvolvimento urbano. Ao passar por uma dessas fábricas meu pai falou uma frase que me marcou: “As pessoas, falam tanto nas grandes invenções. Eletricidade, avião, computador, vacinas, etc.; que são realmente importantes, mas se esquecem das mais simples que talvez sejam mais importantes, como o cimento, por exemplo. Se não o tivessem descoberto/inventado, como seria as cidades, todas construídas de madeira”?
Pai, eu não sei. Mas de uma coisa eu sei, todos querem escrever seus nomes na história. Finitude não faz parte da idéia do Homem, todos querem fazer algo grande. Abrir um orfanato, doar cestas básicas, doar sangue, doar órgãos, doar o salário, escrever um livro, ter filhos, e plantar árvores, tudo isso está ligado com a necessidade natural de sentir fazer parte do mundo, talvez não possa fazer mesmo tudo isso agora, “um dia, quem sabe eu faça isso”, ou “quando puder, quando tiver muito, muito dinheiro”. Não percebem que já podem fazer coisas simples, tão simples como o cimento. Olhar nos olhos das pessoas, inclusive de um vendedor e outros atendentes, fico enraivecido quando vejo gente mal tratando prestadores de serviços. Como o Brasil é recém saído da escravidão, há alguns desinformados, que ainda acreditam que prestadores de serviços são escravos². Não são. Se você não olha nos olhos dessas pessoas você as está transformando em “invisíveis sociais” e, acreditem, elas existem. Chamar as pessoas pelo nome. Não há palavra mais bonita para ser ouvido do que o nosso nome na boca de uma pessoa que apreciamos, menos quando é fofoca. Sorrir, dividir o que tem de melhor, pode ser a alegria de viver ou a cobertura em Ipanema, ser otimista, ser longânime (corra para o Aurélio). Pacientes com aqueles que não tem o mesmo ritmo que você, seus pais e outros que são mais velhos, enfim, seja perceptível aos outros, nisso você pode até se encontrar, e ter uma surpresa com você mesmo. Descobrir que tem o poder de transformação nas mãos, que é um agente, que pode chegar em um ambiente hostil e moldá-lo extraindo risadas de silêncios constrangedores. Aprende a rir de si mesmo e não a se levar a sério demais. Talvez nada disso traga mudanças imediatas, mas será a base, matéria prima para grandes obras.
O cimento foi descoberto a tanto tempo e só a pouco construíram o Cristo Redentor. Assim como o cimento, que endurece se não houver o uso, a nossa alma se cauteriza se não encontrarmos uma utilidade. E aí? Prefere construir uma cidade Asteca, ou ser um Sergio Naia e construir um castelo de areia como o Palace 2?
Você tem apenas uma chance, apenas uma vida. A escolha é sua.
¹ e ², pariram e deram outro texto. “Perolas dos Espertalhões”, leia e comente.
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