terça-feira, 7 de julho de 2009

Infância

A infância é uma fase que quando nós saímos dela passamos o resto da vida tentando recuperá-la. É incrível, nós crescemos e vemos se aproximar de nós a responsabilidade de assumirmos as próprias escolhas. Ter que tomar decisões duras e, tomar uma decisão é abandonar outras milhares. Sei lá, penso que a fase do crescimento e amadurecimento é como o horário entre 17hs30min e 18hs30min, sabe, àquela hora estranha que não é nem tão tarde para acender a luz, mas o sol já não tem mais força para iluminar a casa. Fica uma penumbra estranha um sentimento de que esperamos que algo aconteça, porque temos mil possibilidades, mas ao mesmo tempo temos saudade do dia lindo que já se despede. Você se perde em seus papéis, se sente em construção sendo assim você não “é”, está de passagem por algo. Muito novo, e sem base financeira, para muitas coisas e velho para outras. Você tem que conciliar tantas pressões, para que o caminho errado não seja trilhado. E nós chegamos para onde nós estamos indo, não sei se me fiz compreender. A infância define quem somos, nossa visão de mundo estará sempre ligada ao que pudemos assimilar de nossa infância. Penso que a estrutura ofertada pelos nossos pais é fundamental para o processo de crescimento. E quanto mais você é amado pelos pais, mas facilmente você assume com saúde o papel de adulto, você abandona a infância porque a viveu. Quantos quando se vêem em situações tão difíceis, próprias da fase adulta, não desejou ser criança para sempre? Não desejou ser Peter-Pan? Michael Jackson desejou. Do fundo do coração dele, ele desejou. Ele sofreu as piores pressões que uma criança poderia sofrer. Era ofendido, humilhado, espancado pelo próprio pai minutos antes de entrar e entreter o mundo que o aplaudia. Cresceu associando aplausos com surras, elogios com criticas severas, entendendo o quanto era doloroso o preço da fama. Michael foi crescendo e colhendo frutos de um regime militar, penso que ele devia se sentir ambivalente quanto aos acontecimentos da infância. Enquanto deveria agradecer o pai por “ensiná-lo” a como ser estrela, tremia na mínima possibilidade de estar na presença do pai. Ele estava sendo condenado a permanecer criança. MJ viveu em um paradoxo. Transformou-se em uma lenda artística, no palco era incomparável, seguro, agressivo, dono da própria carreira. Na vida pessoal era inseguro, incomodado com a própria aparência, tímido. Tinha olhos tristes, olhos de criança sofrida, parecido com os olhos das crianças africanas que ajudou. As pessoas não compreendem, porque diferente de todos nós que tivemos muito bem definido as fases de crescimento, pelas séries da escola, pela estrutura “normal” do primeiro isso e depois aquilo. Ele não teve isso. Sempre teve adultos por perto para informá-lo que tinha que ser profissional, assumir uma posição adulta. Conquistou a doce liberdade infantil quando já tinha 20 e poucos anos ao assumir sua própria carreira. Mas, socialmente era exigido a assumir responsabilidades de sua idade real. Uma fase que ele não desejava alcançar sem que vivesse a que ele mais se encantava. Tinha medo de crescer, tinha medo de se tornar o pai. Tentava conciliar desejos infantis com sua idade real. E mesmo assim, trabalhou arduamente para que outras crianças pudessem desfrutar de uma infância tranqüila em que lhes fosse garantido uma base sólida para seu crescimento. Durante sua vida doou 300 milhões de dólares a causas humanitárias, entrando para o Guinnes Books como o artista POP que mais investiu em causas humanitárias, e militou por elas, inclusive no congresso americano. Escreveu canções tão lindas, com letras tão sensíveis que só poderiam ter sido compostas por alguém que amava o mundo. Ouçam Man in The mirror, Cry, Will you be there?, Heal the World, We are the world, Vocês entenderão o que estou dizendo. Este mesmo mundo que ele tanto amava foi cruel com ele. O acusou de coisas nojentas. Pedófilo, racista e tantas outras coisas. (http://a.abcnews.com/images/2020/Desiree_Vitiligo_080327_ms.jpg) O transformando, além de sua imagem assustadora que mudava a cada vídeo clipe, sua imagem em alguém doente, no pior sentido da palavra. Ignoraram sua música, ignoraram seu trabalho em prol dos menos favorecidos. Muito antes de falecer no dia 25/06, havia sido morto pela mídia. No dia de sua morte recebi a noticia quando estava de saída, no banho pude ouvir o anúncio ainda não confirmado até aquele momento. Pareceu tão absurdo que mal pude dar crédito, corri para internet e não havia de fato confirmação oficial. Dirigi-me para o destino de minha saída e, no caminho fui conversando com meu pai sobre ele. Senti-me estranho, sentindo falta de alguém nunca tive contato. Parecia que, de alguma forma, o mundo estava órfão. Fiquei envergonhado de mim mesmo por ter vontade de chorar. Cresci ouvindo MJ, lembro-me da 1°vez que ouvi Thriller, lembro que a 1° musica em inglês que compreendi o que o cantor dizia foi The girls is mine. Cheguei em casa e fui ouvir suas músicas. Percebi o quão forte era sua mensagem. Enquanto ouvia me peguei o imaginado ele de pele escura, achei estranho não poder associar sua voz com a “criatura” que se tornara. Entendi que na verdade aquele rosto era uma mascara de fuga. Ele estava protegido ali atrás, com olhos de alguém que de tanto ser atacado resolveu construir ao redor de si mesmo muros tão atos e seguros, mas ainda assim tão cercado, dali conseguia enviar mensagens do tipo, “Se você quer que o mundo seja um lugar melhor, dê uma olhada para você mesmo e faça a mudança” (Man in the mirror) Manteve consigo a esperança de uma criança, de que sempre pode haver melhores dias, de que os pais não ficariam bravos contigo durante muito tempo, que há sempre uma saída. Vamos lá, você sabe do que estou falando!!! Sua voz jamais poderá ser calada sua mensagem permanecera para sempre, porque suas músicas sempre serão fortes e vivas. Para mim MJ não é um ídolo, nem tão pouco um Rei, Jesus é único em minha vida, mas sem dúvida ele é o maior artista que o mundo jamais verá novamente. “Se você conhece seus sonhos você muda seu futuro”, ele conhecia os dele, e os realizou em vida, mas não pode mudar o futuro. Ele na verdade não morreu, ressuscitou, voltou ao topo das listas, e o mais importante a ser ouvido, e como todo gênio que deixa uma grande obra, se tornou eterno. (continuo a falar sobre infância no próximo texto, ficou incompleto, sei lá)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cachorro que é picado por cobra tem medo até de lingüiça

Às vezes me pego perguntando se vale a pena continuar acreditando no ser humano. Pense bem, as pessoas que você mais ama são as que possuem as ferramentas mais cortantes para te ferir. Possuem armas carregadas com a permissão da intimidade. São elas que sabem exatamente, pela permissão dada por você mesmo, como te ferir. Então, como confiar em alguém?

Gosto muito de uma filosofia, (gosto porque acho engraçado e, também, porque sempre imagino a cena. Quem assistiu o fantástico mundo de bob é bem mais inspirado), enfim, a filosofia diz assim: “Cachorro que foi picado por cobra tem medo até de lingüiça. (trema em lingüiça, isso é tão ano passado)

Vamos pensar um pouco. Copiei essa do Telecurso 2000. (senta que lá vem filosofia de fila de banco)

O cachorro tem medo daquilo que antes o impulsionava a se atrever a entrar na casa e puxar da mesa a sacola em que as lingüiças inocentemente descansavam. Meu cachorro, já falecido, Tigre fez isso algumas vezes com o frango que estavam atrasadamente descongelando na pia dos fundos, eu dizia para minha mãe: “é melhor ter o almoço atrasado do que perdê-lo para o Tigre”.

Olha só, ele (o cão metafórico) imaginou que a linda trança de carne era uma cobra que o havia picado tempos atrás. (hum, interessante. Fale me mais sobre isso. Lingüiça, né?)

Ele fez de uma experiência, uma porque no caso do cão foi picado uma vez só, a verdade absoluta. (se é verdade então é absoluta. Certo pleonasmo? Sei lá.)

Já dei varias mancadas com amigos, sou falastrão e já meti com a língua nos dentes. Machuquei pessoas com palavras, a diferença é que aprendi que a transparência é o segredo. E a transferência é um tesouro que as pessoas vão perdendo ao longo da vida. Eu assumo meu erro numa boa, admito que estou errado e me arrependo genuinamente. Demonstro através de ações que o que fiz tem de haver restituição. É fácil nos percebermos no papel da cobra.

Lembro-me uma vez que emprestei uns CDs de um amigo e acabei arranhando dois CDs. Compartilhei com um outro amigo sobre o acontecido, o Weverto que me disse o seguinte: “Douglas, (amo quando dizem meu nome no começo da frase a lição fica mais bonita, os milésimos de segundo que demoram na continuação da frase é mágico), já está arranhado, está feito. Não diga a ele (o dono dos CDs), que isso aconteceu, antes compre CDs novos e oferece a ele junto com os velhos (e arranhados) e ele decide o resto.

Weverto nem se lembra disso, certeza, mas isso me ensinou que há poder na restauração, na restituição. Não podia simplesmente devolver os CDs arranhados, por que provavelmente o dono não iria reclamar para mim, mas sem dúvida isso iria definir nossa relação. Eu seria transformado no “folgado” que arranha CDs.

Não há como desfazer erros, eles estão feitos. Assim como não há forma de se parar uma flecha lançada (à menos se você for o Jack Bauer), as palavras são como flechas, flechas que jamais retornam. Você tem uma escolha quanto as palavras, não lançá-las. Dirige-as antes a ti mesmo e vê se o que podem produzir é o efeito que você deseja.

Creio que um erro só pode ser reparado na admissão deste. Para isso é preciso parar de ignorar o elefante no meio da sala.

Digo tudo isto porque fui injustamente, não na visão de quem fez, expulso de um grupo de apresentação da faculdade. Sim, caros leitores (isso soa tão bem), eu fui expulso. Assim como expulsava o tigre de perto do frango, mas ele era mais esperto e se aproveitava dos momentos em que, ou o telefone tocava ou a vizinha vinha pedir açúcar para colocar no bolo que só não estava ainda no forno por falta de algumas colheres deste produto “canaviril” que revolucionou as padarias.

Enfim, me expulsaram porque, de fato, dei mancada. Faltei uma apresentação de um trabalho anterior. Mas antes que pudesse me justificar. (os motivos de minha falta jamais conhecerão). Colocaram-me para correr do grupo como se fosse um peso morto, me senti a mosca da bosta do cavalo do bandido da novela do SBT, ou seja, abaixo de barriga de cobra.

Não levaram em consideração nada, nem o fato de sermos amigos. Não haveria um jeito certo de expulsar alguém, mas merecia o direito a defesa, tomar uma decisão como essa, julgar e condenar alguém sem nem ouvi-la é cruel.

Criminosos repulsivos como pedófilos tem o direito a se defender, eu não tive. Fiquei triste por se tratar de uma decisão tomada por três pessoas, uma eu sei (SEI) que não gosta de mim, mas duas eu acreditava ser meus amigos.

Estou há um mês após isso ter ocorrido me perguntando: como confiar no ser humano? O que é perdão? Devo no dia seguinte dizer: E aí, tudo bem? Gimme Five, friends. Isso é perdão?

E a conclusão que chego é que você tende a acreditar assim como o cachorro evita as “saborosas lingüiças” da vida porque foi picado por uma cobra. (não estou comparando ninguém a cobra é só uma metáfora bobinha e totalmente reveladora, pelo menos para mim. (se é reveladora então é totalmente. Certo pleonasmo? Sei lá). Não é possível viver bem, ter boa relação pensando que tudo é cobra. O Homem é reflexo do amor de DEUS, não tem como amar um e ignorar o outro, eu amo a DEUS. Seria incoerente colocar todas as pessoas num só patamar. Por isso faço o exercício contrario aos pensamentos automáticos (isso é tão psicologia comportamental) de que todo Homem é mal, podem até ser, mas creio em mudanças. E quando escrevo coisas que são tão intimas quanto as que estão neste texto é isso que estou fazendo, crendo que essas palavras toquem alguém. Porque vivemos através do afeto, escrevemos nossos nomes na vida das pessoas, e porque fazer isso de forma negativa? Porque machucar as pessoas? As cicatrizes sempre estarão ali, o pensamento vai sempre tender a confusão de cobra e lingüiça.

Não tenho raiva do tigre, nunca o amaldiçoei por me levar o frango do almoço porque estava agindo exatamente como um cão agiria. Ele marcou minha infância, tenho saudades dele. Viveu 12 anos, mais da metade da minha vida. E quando ele se foi, eu o deixei ir, muito triste, mas eu o deixei ir. Eu havia perdoado.

Perdão é isso, deixar ir. E fazer de uma experiência ruim um livro de sabedoria. (nunca deixar o frango na pia nos fundo, o Tigre vai abocanhá-lo), não confundir atos isolados como determinações. Então para o cão perdoar seria entender que a cobra deve ir, deixar essa cobra é parar de confundi-la com lingüiça.

E quando esse cão voltar a se atrever entrar na casa e avançar sobre a sacola na mesa onde a lingüiça está dando sopa, ele estará demonstrando que perdoou... e o que a cobra tem a ver com isso? Nada, estava agindo exatamente como uma cobra agiria.

Tigre, saudades.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Perólas dos espertalhões 2

(Mais tiradas com classe) Trabalhei na Riachuelo tempos atrás, quem nunca fez compras lá ainda não nasceu. Eu exercia a função de fiscal, me sentia o Bond, James Bond. Era só cuidar para que ninguém emprestasse roupas da loja, (entendeu? Emprestasse! Hahahahha. Cantando: Na mesma praça, no mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim.... a praça é muito nossa), eles precisavam comprar. Engraçado! Mas uma vez ou outra me colocavam em outras funções, para demonstrar serviço e bancar o pau-pra-toda-obra realizava feliz da vida. Quando ocorreu esse episódio eu estava na saída e entrada de funcionários, mais conhecido por lá como 300, não sei por quê. (Só sei que não vi o Rodrigo Santoro, não. Alguém viu ele no 300? Com aquele figurino de Vera Verão ficou difícil.) Só precisava registrar os produtos que tinham a marca da loja levados pelos funcionários e olhar dentro das bolsas destes na saída. Mas, como tudo o que envolve o Homem, não é tão simples assim, maldita subjetividade. Havia alguns RBDs, que se recusavam a abrir suas bolsas, “ Eu escondi um edredom aqui.” Ouvia essa piadinha frequentemente. Quando falavam isso no bom humor eu ria junto e desejava um bom resto de dia, “Até amanhã”. Se faziam essa piada elaborada pelo Didi, com mal humor eu respondia: “Compra um com seu bolsa família, não roube não. Pobre sofre se não puder pagar advogado na prisão. Fora que fica queimado no Olho Vivo na cidade (eca).” Uma antiga funcionaria que se sentia a Rainha do reino do Riachus Elus, se recusou a mostrar a bolsa, então eu disse: - Me desculpa não posso te deixar sair. - Olha eu trabalho aqui a cinco anos, e estou com pressa. – Arrogantemente falou. – - Ah, é? Meu sobrinho tem essa idade, mas ainda não manda lá em casa. Sinto muito, minha linda. Mas aqui eu só recebo ordens. – Sorri, tentando bancar o profissional, mas bem humorado. – Ela insistiu colocando a mão na maçaneta do portão. - Você é livre para ir, passarinho, - Continuei -, mas eu vou anotar seu nome e leva-lo para o meu líder (É sensacional. Todo mundo tem líder por lá.) Nesse meio tempo eu já me sentia um concursado. Ela fechou a cara e, com os olhos, ameaçou de matar todos os meus parentes, e o pior de quebrar meus DVDs e queimar meus livros. Ela não era má, era sanguinolenta. Já havia uma pequena multidão recolhendo dinheiro de aposta para ver quem iria vencer. O povo adora ver David contra Golias. E no alto dos meus 1,87 sem salto, eu era o David. As vítimas antigas dessa Carmem Sandiego gritavam meu nome. Pensei estar no ringue de luta livre. E, enfim se entregou. Abriu a bolsa e, de fato, não havia nada que a incriminava: - Aqui sempre dá problema com os freelances. (Na época eu ainda era, usava um uniforme diferente dos efetivados que não me deixava esquecer quem eu era por ali). Respondi até sentindo o gosto das palavras, acho que era a fome, eram 13h15min e ainda não almoçara: - Talvez seja porque ninguém mais desconfia dos veteranos. Há alguns que nem querem mostrar a bolsa. Assim que ela saiu, ouvi risos, que com o eco do corredor parecia que estava assistindo Chaves com aquelas risadas artificiais. Ganhei tapinhas nas costas, aperto de mãos, e dois abraços. Parecia que eu era o Pelé em final de Copa ganha e, acabara de fazer o gol que decidia tudo, ou então que acabara de nascer meu primeiro filho. Fiquei com medo de que contratassem um carro de mensagem ao vivo. Outra situação ocorreu na faculdade. Tive o meu encontro com a linda folgada na cantina da faculdade. Comprara o meu ticket, você o compra em um lugar e retira o lanche em outro, é tão longe um lugar do outro que temo morrer de fome no caminho. A garota estava atrás de mim na hora de comprar, ela me viu lá. Sem dúvida, todo mundo me nota, tenho altura de escada de bombeiro. Percorri as milhas que separam o caixa da lanchonete (Bloco B, Univag), havia umas sete pessoas na minha frente, aguardei pacientemente, adoro filas, quando chegou minha vez a garota da fila do caixa deu um golpe de Jack Bauer e velozmente esticou o braço de 30 cm, e jogou o ticket no balcão, como que pressionando a atendente servi-la. Percebendo o espírito JE.BRA.TI.VA ( jeitinho brasileiro tirador de vantagens) acabei reagindo, espertinhos me irritam. - Desculpe, mas estou aqui primeiro que você a pelo menos uns 10min esperando para ser atendido. – Peguei o ticket e coloquei em cima do balcão desafiando o a atendente. - E o romantismo! – Declarou a arrogante, essa frase mais passada que roupa de padre.- - Acabou junto com o Século XIX. – Nem me importei com datas, não era a minha intenção dar uma aula de história. Ela ficou surpresa com tamanha ousadia, ela não esperava ouvir isso de um grandalhão alto com cara de bobo. - Não precisa estar no século XIX para ser romântico. – Deu um ultimo golpe tentando me derrubar. - Sem dúvida não. Nem para ser educada e pedir licença caso queira passar a frente de outras pessoas. Se tivesse pedido para mim esse lanche estaria na sua mão não na minha. Com o lanche nas mãos e com uma sensação de que tinha pegado pesado, saí de lá. Consolei-me afirmando para mim mesmo que havia ensinado uma lição para ela. Vai pensar duas vezes antes de bancar o malandro carioca. As mulheres queimaram sutiãs, reclamaram um lugar no mercado de trabalho, enfim, estão independentes dos homens. Mas quando querem tirar vantagens, na hora de dividir a conta, de passar a frente e de tantas outras coisas, reclamam o antigo regime. Revoluções são revoluções, após elas novas leis são estabelecidas. Não dá para querer a democracia e ainda continuar se escondendo na burca. Não exigiram direitos iguais? Então. Agora seja homem. Estou brincando. As mulheres sim, merecem ser tratadas da melhor forma. Café na cama, bombom, flores, porta do carro aberta, que lhe ofereçam a cadeira, atenção em suas narrações detalhistas, (Ela estava com um vestido verde e um sapato amarelo, quando de repente olhou três graus ao norte tentando mira-lo nos olhos quando um vento noroeste balançou a folha da samambaia...), ETC. Mas tudo isso não pode ser uma exigência, nem uma obrigação aos homens. Pequenos mimos aqui e ali, agradam todo mundo justamente porque é espontâneo se for mecânico perde todo o sabor.

Perólas dos espertalhões 1

Só para dar exemplos claros e reais do que quero dizer sobre tiradas com classe aos folgados de plantão. (Falei sobre tiradas com classe no texto Arquitetos de si mesmos) Escrevi esse texto me baseando em episódios ocorridos comigo e com conhecidos onde precisaram usar o sentido “Vesgo e Silvio” para dar respostas inteligentes que colocavam algumas pessoas, merecidamente, em seus lugares. ”O cliente sempre tem razão”. Essa é a maior mentira que um marketeiro já inventou. Acho que deve ter sido criada pelo Marcos Valério. Ele está preso? Quem falou que os clientes sempre têm razão nunca foi funcionário de loja. Não é possível, algumas pessoas realmente acreditam que prestadores de serviços são escravos. Alguns clientes são arrogantes, os tratam como insetos e ainda tem que sorrir e fingir que não se ofendeu. Os patrões deviam analisar cada caso isoladamente como fez o atual patrão da minha Tia. Ela me disse que entrou um casal na loja que ela trabalha, é uma loja de Jóias e roupas íntimas, dessas que só atendem da classe média para cima, no shopping. Falou que o sujeito era grosseirão, entrou brigando com a mulher que estava grávida de 5 meses por algo a pouco ocorrido. - Eu te falei para não fazer isso! - Amor, eu já te expliquei. Não percebi, quando fui ver já tinham feito o engano... - Não importa, mas você vai ter que se responsabilizar. Minha tia afirmou: “Eu fiquei com vergonha pela mulher, ele estava falando muito alto, quando entraram todo mundo olhou para os dois”. - Pois não, posso ajudá-los? – solicitou-se minha tia, tentando, segundo ela acabar com a discussão constrangedora. - Se você tiver dois mil reais para me emprestar sim. – Respondeu o “cliente com razão”, com uma delicadeza de lenhador canadense. “Douglas, dali em diante eu não olhei mais para ele enquanto não terminei o atendimento.” A sortuda esposa comprou algumas roupas de dormir e uma pulseirinha de ouro para o Bebê a caminho, será uma menina chamada Sofia, o nome que foi gravado no pingente da pulseira. Na hora de pagar, mais problemas. O sujeito insistiu que era para ser cobrado no cartão dele, a mulher, sem que ele ouvisse cochichou para minha tia que fosse no cartão dela. Minha tia obedeceu a esposa, e por um problema de sistema fora do ar, (eles sempre estão), no cartão da esposa não foi aprovado. - Eu falei para você que passasse no meu cartão. Não me ouviu? – gritou se virando para minha tia. Ainda com a razão o sujeito se dirigiu para a saída, enquanto a mulher esperou que ele se afastasse um pouco para pedir perdão para minha tia pelo acontecido. - Desculpa, viu? Ele está de cabeça cheia hoje. (“Cheia de M...” Rima com Lerda. Minha tia pensou). - Nada não. Que Deus abençoe o seu casamento, e... – o sujeito se aproximou de novo, tentando descobrir o porquê da demora de 10 segundos. -... Tenha uma boa hora! – completou minha tia. - Nossa! – gargalhou o “com a razão” – A muito tempo eu não ouvia isso. - Olha, eu costumo falar isso só para mulheres. Mas se você não ouve isso a tanto tempo assim, talvez faça muito tempo que você não engravida. “Pude ver um sorriso nos lábios da esposa, e o ódio nos olhos do grosseirão.” Ele chamou o gerente. E já foi se adiantando... – A sua funcionária nos tratou com... O chefe dela o interrompeu. – Só um segundo senhor. Cida o que aconteceu? Ela narrou o acontecido, e o chefe deu a sentença sem nem ouvir a versão do “sem razão”: “Senhor perdão? Mas entre você, que nunca vira o rosto antes em toda minha vida, e uma pessoa que conheço a mais de dois anos, em quem o senhor acha que devo acreditar”? - Vocês acabaram de perder um cliente. Eu nunca mais coloco os pés aqui. - Não senhor, nós ganhamos o prazer de não mais ter sua presença. Obrigado e pode se retirar. O bom senso enfim ganhou. O que não aconteceu com a uma vizinha que trabalha em uma loja de roupas. Ela sofre duas vezes por mês para retocar o cabelo aloirado que insisti em se rebelar e mostrar as caras castanhas. Então na loja que ela trabalhava chegou uma linda mocinha, tipo poodle que é bonitinho mais ataca. Se sentindo a Paris Hilton Cuiabana, exigiu. - Preciso de uma camiseta da cor vermelho sangue, vocês têm aqui? - Não sei se é bem dessa cor, mas pode vir até aqui. Ela mostrou a camiseta que havia falado, e foi sumariamente corrigida. - Isso é vermelho tomate, não vermelho sangue. Por isso que dizem que loira é burra. - Burra? - Isso mesmo, burra! - O gerente estava passando por perto foi até lá. Ouviu a versão da garota, corrigiu a funcionária na frente da “Cliente com razão”, e prometeu que isso nunca mais aconteceria. E não aconteceu mesmo, não sei porque, a loja mudou de nome e até o gerente não trabalha mais lá. (ela ficava na esquina da 13 de Junho com a Getulio. Desconfia qual seja?)

Os verdadeiros heróis nacionais

É fantástico o comportamento humano, você sem dúvida concorda comigo nisso. Concorda também que não exista um ser humano na terra, e fora dela (os astronautas), que apreciem o respeito e o reconhecimento. Fico pensando sobre como as pessoas se sentem quando são ignoradas, subestimadas, mal interpretadas, pré-julgadas, invisibilizadas (Calma, eu explico), etc. Na minha faculdade quem toma conta dos serviços de manutenção da limpeza é uma empresa terceirizada, fico observando como alguns alunos se comportam com eles. Passam e simplesmente fingem que são invisíveis. Como se quando vestissem os uniformes rapidamente se transformassem em Homens e mulheres invisíveis. Eu não consigo cruzar com eles pelos corredores e escadas e fingir que fazem parte da decoração. As feridas causadas pela invisibilidade social podem ser profundas. Se você faz isso, os ignoram, está passando a mensagem de que eles não são ninguém e, acreditem isso é uma violência. A violência simbólica os atinge de uma forma real. Quando eu os digo eu falo dos prestadores de serviço, mas na verdade estou falando de todos nós, ou alguém gosta de ser ignorado? De ir a algum lugar e passar completamente invisível, sem nem ao menos um “oi, tudo bem?” Antes de eu entender algumas questões espirituais, de entender que Deus fala conosco através de uma comunhão, o que me atraiu a voltar a segunda, terceira vez à igreja foi a forma que eu fui tratado, a forma que fui recebido. Sabe aquela TV que fica no saguão do hotel? Aquela que fica ali ligada trabalhando, mas que ninguém presta atenção? Acho que é assim que essas pessoas se sentem. A vontade do “eu” é de todo ser humano. A vontade de ser notado, de receber nem que seja um olhar confirmando que é uma pessoa, é uma necessidade tanto, ou maior que a fome ou sede. A uns anos atrás uma jovem se jogou de um prédio no centro de Cuiabá, o motivo, segundo fontes não jornalísticas, mas confiáveis (nem tanto) foi porque ela não tinha ninguém na cidade em que pudesse se sentir segura para “ser”. Não há a necessidade de tornar amigos de infância dos faxineiros, mecânicos, balconistas, diaristas, pedreiros, nem amigos de fazer coco de porta aberta, (Tem gente que faz isso? Eca!), mas o respeito sincero não faz mal. Tem quem insista em marginalizá-los como uma ameaça iminente, ou ainda sentem dó como se fossem doentes terminais. Eu me pergunto sempre o que seria de nós sem os pedreiros, por exemplo, teríamos que contratar engenheiros? Eu brinco com um pedreiro que faz pequenos serviços em minha casa quando necessário, ou seja sempre, que daqui a uns anos vão ter advogados, médicos, professores querendo aprender a arte do cimento, porque dá dinheiro. O que seria do mundo sem os caminhoneiros, com uma filosofia própria de placa de caminhão, que cruzam esse país com suas vidas ameaçadas por quadrilhas especializadas em assalto a carretas? O que seria do Brasil sem os frentistas que já foram até ameaçados de ser extinguidos, mas sem sucesso na nossa cultura que quer ser servida? O que seria de nossas unhas sem os mecânicos? Todos teríamos manchas de graxa nas unhas e carros explodindo nas avenidas. Será que é certo? Excluir os outros como se fossem tão diferentes que não mereçam a nossa atenção? Ignora-los de uma forma que tiramos o direito deles ser quem são? Se o nazismo se modificou penso que tenha se transformado em indiferença. Alguns pensam ser o ódio o contrário do amor, mas o ódio é complementar ao amor, o contrário dele é a indiferença. Nazismo moderno, não extermina judeu, mas mata de certa forma os pequenos homens que fazem a máquina Terra funcionar. É doloroso ser tratado com indiferença, é como se te dissessem de forma silenciosa que você não é ninguém. Vi uma reportagem anos atrás em que uma antropóloga falava sobre um gari que havia tirado fotos para uma reportagem da conceituada revista de publicidade Veja. Eram quatro garis, a reportagem da revista falava sobre os empregos menos remunerados no Brasil que em outros países era o contrário, por se tratar de um trabalho considerado “vexaminoso” era bem remunerado. A antropóloga comentava que um dos garis que sairia na foto na revista contou para todo mundo de sua comunidade, para familiares ficarem atentos para vê-lo estampado nas páginas (não as amarelas, claro), só que para economizar espaço, já que tinha sido vendido para o banco Itaú umas páginas de publicidade, e o gari não é tão importante assim, cortaram a foto só apenas um dos garis saiu na reportagem dava-se para ver apenas o braço do outro que tinha até planejado um churrasco na lajem. Ele foi encaminhado para uma ONG na favela onde estava fazendo tratamento com uma psicóloga voluntária. O que seria da vida de algumas mulheres sem a manicure (é assim que escreve? Meu Aurélio é limitado.), que além de cuidar de suas unhas é uma espécie de psicóloga opinativa por formação na vida? Não entendo a falta de consideração que é dispensada a essas pessoas. Uma vez tive uma discussão séria com meu pai porque considerei que tratou com aspereza uma funcionária de um posto de gasolina, como o posto fica perto de onde moro sabíamos que aquela garota era nova ali, e do jeito que estava sendo lenta estava a pouco nessa função. Meu pai disse: “Anda rápido que estou com pressa.” Se virou para minha mãe e sem disfarçar a voz nem amenizar o tom continuou. “Aqui nunca pára com funcionário, estão sempre trocando e colocam umas pessoas lentas para atender. – Se virou para a garota e continuou - Hein, vamos logo estou com pressa.” A garota ficou tão nervosa que passou o troco errado, não conferiu direito o relógio da bomba de gasolina e deu motivo para que ele comentasse mais ainda sua ineficiência. Falei para ele que não precisava falar daquele jeito, “a garota só não tem experiência, não estamos nem com pressa para justificar trata-la assim”, devia não ter dito nada, fui vitima de seu passageiro mau humor durante longos minutos. Meu pai normalmente não é assim, foi com ele que aprendi que as pessoas mais simples têm um grande valor, mas naquele dia sua ação não foi admirável, nem imitável. Voltei no mesmo dia no posto e pedi desculpas pelo comportamento do meu pai, fui tratado com desprezo pela garota, o que me deixou feliz pelo menos não era uma depressiva, que guardaria aquilo para o resto da vida. Até me perguntei se não merecera ouvir tudo aquilo. Estamos condenados a viver com toda a diferença das pessoas. Nossas cidades são um misto de gente, são raras as famílias que nasceram nelas e se criaram nelas. Por exemplo, falar que nordestino é lixo de São Paulo é ignorar de forma burra que na verdade a cidade é composta de milhares de nordestinos, talvez o número de habitantes nascidos seja ínfimo em comparação com o de “forasteiros”. Há nordestinos, sulistas; negros, brancos; São Paulinos, corintianos, (que estão na segunda, hahhaha); democratas, petistas (vôte). Gente que gosta de vermelho, de azul, de verde, de roxo com bolinhas laranjadas, que usam roupas de gosto duvidoso que sem dúvida receberiam a algema na Contigo e uma advertência da Gloria Kalil, todos diferentes e felizes. Diferença! Supere isso! Com cidades cada vez mais cosmopolitas as diferentes culturas se misturam, e nessa mistura deveria gerar um respeito maior para aqueles que se presta a realizar trabalhos rejeitados pelas classes dominantes, mas necessários para o desenvolvimento das cidades. Porque ignora-las, porque ignorar essas pessoas, ou pior trata-las mal? O que todas as pessoas querem e ser respeitadas. É isso que as camareiras (minha mãe e minha tia já foram), as diaristas (minha mãe já foi), faxineiros (meu pai já foi), os caminhoneiros (tenho dois vizinhos que são), mecânicos (de certa forma meu pai ainda é), os técnicos de computação (estou brincando), querem, o que todas essas pessoas de fato querem é ser respeitadas e valorizadas. E na minha humilde opinião são esses os verdadeiros heróis brasileiros, Joãos e Marias que enfrentam dois, três ônibus lotados para trabalhar com dignidade diariamente. A sua gentileza no trato a eles pode não ser nada pra você, mas para eles pode colorir seus dias. As diferenças vão sempre existir, ou melhor, persistir. Como você vai lidar com elas é uma decisão sua, somente sua. Pense nisso, valorização humana.

Os Homens também são seres humanos

Minha irmã com cólica e TPM (tendência para matar), me inveja por ser homem: “Você tem sorte de ser homem, além de não ter período menstrual, e ainda ter que usar uma coisa que mais se parece uma frauda, não tem cólicas.” Quem foi que falou que é fácil ser homem? A coisa mais difícil para um homem é ser homem. Você precisa ser forte em todos os sentidos, você precisa ser corajoso em todos os sentidos, ser o homem da casa em todos os sentidos, tem que proteger e sustentar a família. E ser tudo isso é mais difícil que receber um Oscar, ou um Nobel. Mulher que não trabalha é dona de casa, rainhas do lar, que pensaram na família, abdicaram de uma carreira para criar os filhos e cuidar da casa e do marido. Viram vendedoras da Avon, Natura, Racco, Fator 5, faz crochê ou tricô o dia todo, lê Sabrina, assiste Thalia pela zilhonésima vez, e ainda assim é aplaudida de pé e concorre ao Donas de Casa Awards, na categoria mulher do ano. Já homem que não trabalha é vagabundo, gigolô, banana, tudo menos homem. Estou fazendo uma pesquisa sobre término de relação amorosa, um projeto de pesquisa para a faculdade, então enfiei a cara em pesquisas relacionado a homens e mulheres contemporâneos. Imaginei que antes de tirar qualquer conclusão sobre esse assunto precisava saber quem são esses homens e essas mulheres dispostos a por fim a algo que não está mais lhes fazendo bem, ou provocam esse fim. Comecei pelos homens, claro, queria entendê-los, precisava de respaldo para me defender, hehehe. O fato é: que acabei descobrindo um homem com medo e perdido em seus padrões masculinos. De todos os casos estudados, não foram muitos, mas depois de ler 7 pesquisas no assunto já se dá para tirar pequenas conclusões, mais de 82% dos relacionamentos são terminados pelas mulheres, que julgam insatisfeitas, e não mais dispostas a viver por “aparência”. Os homens procuram a comodidade quase como se procurassem o antigo berço no porão, (Brasil não tem isso, por que será que usamos a analogia do porão? Culpa dos padrões norte Americano), ou quartinho dos fundos. (Ficou melhor assim?). Eles (nós) também não gostam de admitir que fracassaram em algo. Afinal homem que é homem nunca fracassa. Assim como o Jack Buer, ou Chuk Norris. Lendo tudo isso fui obrigado a pensar em mim, ou melhor, em nós homens, e alguns padrões que nos são entregues mastigados quando nascemos.(Negação, projeção valeu Freud. Se eu te pego eu te mato!) Eu tenho medo do futuro, apesar de me preparar para enfrentá-lo (resolvo sempre com Deus isso), me sinto um tanto quanto incomodado quando tenho que enfrentar o quartinho escuro que tem na minha casa, entre enfrentar um rato ou uma barata prefiro ser torturado assistindo todo o carnaval baiano, ou assistir (Deus me livre), o comercial das casas Bahias com o seu “quer pagar quanto?”. Emociono-me vendo filmes, lendo livros, ou por um amigo por sei lá o motivo, até ouvindo as piadas do Didi eu choro, mas também depois de duas décadas escutando as mesmas piadas. São de doer a cava superior. Não tenho problema de mostrar afetividade para nenhuma das figuras masculinas que me rodeiam, amigos, meu pai, líder da igreja. E ainda assim sou homem. Como pode? Gosto de pensar que estou contra a maré. Sou onda, apesar de fazer parte do oceano, não sou o oceano. Pego os ventos e vou para onde eu quero. Estava assistindo o BBB 8 e vi uma cena um tanto incomum, até para a moderninha rede Globo. Quando o segundo participante foi eliminado, o Rafael galego, e depois o terceiro participante Alexandre, os homens se abraçaram, choraram como os corintianos no dia em que foram para a 2°, (irresistível, hahaha), se beijaram no rosto, até no pescoço, houve dois que declararam amor eterno extra confinamento e no meio de um abraço sincero, de certa forma, de quatro amigos percebi a figura de uma revolução. Os homens estão se libertando, no caso dos BBBs literalmente, da carapuça de macho, chupa-cabra macho, e estão simplesmente se transformando em humanos, nem Darwin poderia imaginar tamanha metamorfose. Parece que a Humanidade sensível está na moda, mesmo que seja uma histeria coletiva isso é bom. Para falar dessa revolução nem vou citar termos como metro-sexual, nem nomes como David Backhan, brincos de diamantes, ou unhas pintadas, tudo isso é só o subproduto revolucionário, todos esses clichês sobre o homem moderno não me interessa, prefiro falar sobre a parte emocional envolvida nisso tudo. Quem tem ouvidos para ouvir ouça Conheço uma pessoa que após precisar fazer hemodiálise, se aposentou da policia militar, começou a ajudar em casa em tudo. Passou a lavar louça e roupa, a fazer comida, até melhor do que a que a mulher dele fazia, está participando melhor da vida do filho de 12 anos, deu até para encomendar outro para a cegonha depois que recebeu um transplante de rim, o transplante foi realizado há um ano e seu filho nasce daqui a 6 meses. No começo sua mulher sentiu seu reinado de dona de casa ameaçado, mas agora fala com orgulho do marido prestativo que Deus lhe deu, e que seu casamento até melhorou depois disso tudo. Ela descobriu uma espécie, infelizmente ainda rara em seu próprio jardim, o Hominis humanus sensivilius. Os homens assistiram com uma certa passividade toda a revolução que as mulheres fizerem na segunda metade do século XX. Elas (vocês) usaram roupas com ombreiras, -ninguém passou impune aos anos 80-, tomaram seus lugares no mercado de trabalho, todo o meu respeito. Há algumas que odeiam cozinhar, gritam aos quatro cantos que repugna a possibilidade de se tornar uma dona de casa, tudo isso transformou o homem em um ser perdido, vocês não precisam de nós para mais nada. Semana passada malditos cientistas - Vão jogar Banco imobiliário!- descobriram uma substancia nas trompas femininas, claro, que pode ser usada para produzir espermatozóides. O que nós resta é agrada-las. Fazendo tudo o que antes não era nosso. Cozinhar, lavar, passar, enfim, sermos Homens suficientes para saber que tudo isso não fere masculinidade de ninguém. Se ferir então reveja os seus conceitos. Queremos ter o direito de ter Piti de vez em quando, de chorar com o final de Amor para Recordar, de abraçar um filho ou um amigo sinceramente, sem aquele abracinho de lado que parece ser para evitar se tocar, e ainda é esquivo e pouco sincero. Queremos comer chocolate, de narrar um acontecido com detalhes, de não ter resposta para tudo, de mostrar sem medo que tem medo de escuro, que barata é melhor morta e bem longe- ou alguém gosta de barata?-, de não ter que sempre ficar cuidando para não parecer ser gay. Agora eles (nós) querem fazer uma revolução. Deixar a mascara, e a preocupação em sempre parecer masculino de lado para simplesmente ser humano, espécie conhecida por amar e ter afeição, nada mais.

Mal entendidos étnicos

Meu pai é mecânico de moto, ele possui uma loja de acessórios e uma oficina de motos, porque eu estou dizendo isso? Você já vai entender. Outro dia aconteceu uma coisa interessante, porém não tão raro. Estava em casa ocupado fazendo nada dia 21 de janeiro, eram 14hs20min, meu pai me ligou dizendo que precisava ir ao banco, na verdade eram dois bancos, para ganhar tempo eu iria em um enquanto ele iria ao outro. Meu pai trabalha de bermuda e camiseta, e uma sandália estilo Lampião do século XXI. Resolveu que iríamos de moto para ir mais rápido, pegou uma Titan 99 de cor cinza e partimos. Na volta do banco paramos ao lado de um Corolla no semáforo, Corolla é o carro de status mais barato do mercado, adorado por nove entre dez classes-médias, as janelas estavam semi-abertas e lá dentro uma jovem senhora classe média falava animadamente no celular, a conversa estava boa já que demorou um certo tempo para notar nossa presença ameaçadora. Quando nos percebeu ao seu lado fechou o vidro desesperadamente, engoliu em seco, soltou o celular. Lembrei-me da cena do Jurassic Park na hora que o Tiranossauro Rex se aproxima do carro e a menina branca se desespera tentando fechar o vidro, a câmera foca seu olhar de desespero, o monstro pré-histórico se aproxima com fome de sangue e vira o carro de cabeça para baixo. Meu pai é novo tem apenas 42 anos, chama-lo de pré-histórico é exagero. Alto eu sou mais me chamar de Tiranossauro Rex é outro grande exagero. Meu pai começou a rir e eu também. Não sabia que a minha roupa de loja de departamentos estava tão batida assim! Acabei de ler um livro chamado Corpo e alma, é uma pesquisa de campo, uma observação participante, o autor Loïc Wacquant entrou no mundo do Box, por três anos estudou, gravou e fez anotações e, posteriormente, se tornou um deles. O clube de Box ficava na divisão de um bairro de brancos bem abastados e um bairro negro e pobre de Chicago. Havia uma rua de acesso ao bairro negro que eles eram proibidos de passar. Eles representavam uma ameaça para os moradores do outro bairro. Não estou condenando por tomar algumas medidas de segurança não, seus medos tem fundamentos. Mas o que facilmente se nota no livro é a marginalização sem conhecimento. Em comentários dos pesquisados era freqüente a reclamação de que eram tratados como leprosos, como se tivessem febre da galinha amarela e aidética. Havia um dos freqüentadores do clube, conhecidos como Gyns, que morava a mais de dois anos em um prédio na rua da divisão dos bairros, que nunca havia falado com nenhum dos moradores porque se o vêem fecham as portas andam mais rápido na rua. Essa marginalização que fazemos com as pessoas não é necessariamente uma decisão, na verdade o mundo nos impôs. O outro é, em primeiro lugar, uma ameaça a minha paz. Todos somos o mal em potencial. Eu preciso urgentemente me proteger do que não conheço. Meu pai e eu não nos sentimos ofendidos com a ação da bela jovem, porque se tivéssemos no Corolla nossa ação seria a mesma. Estávamos de capacete em uma moto relativamente velha, com roupas que não haviam sido indicadas por Gloria Kallil, (Alô, Chics!). O que o livro me ensinou é que as coisas nem sempre são assim como pensamos. O problema é a nossa necessidade de classificar tudo e todos. Eu preciso por segurança saber onde você está na sociedade. Você é rico, classe média, pobre, emergente até quando, é ladrão, assassino, petista? Precisamos, assim como fazer as necessidades, nos proteger nos nossos pré-conhecimentos de mundo. O que vemos na TV nos assusta, o que ouvimos nos assusta, mudam nossos hábitos. Tememos que o que aconteceu com outros, as vezes com tanta distancia de nós, aconteça conosco. Minha mãe tirou a minha rede, aminha adorada e preguiçosa rede, há uns anos porque ficou sabendo de uma historia de um menino que se acidentou na rede e veio a falecer, “mãe quem falou que eu não posso ser atropelado hoje a tarde, por que você acha que eu vou morrer numa rede preguiçosa posta na área dos fundos?” Discriminação, racismo, preconceito está enraizado na cultura mundial, está em mim e em você. Não concorda? Você já disse frases do tipo: “Dia de preto”, “Vá falar assim com suas negas”, “trabalho de preto”, “minha pretinha”, “tinha que ser preto”. Tudo tem um fundo histórico, recente, da uma cultura que oprimi e escraviza. Não vou dizer nem de minorias, porque chamar negros no Brasil de minoria e uma tolice. Embrulha-me o estomago ouvir uma dessas frases de alguns que de negro só não tem a cor. Ouvem samba ou pagode, apreciam Jazz, comem feijoada, todos produtos “negros”. “Ahh, mas eu sou pardo, está escrito na minha certidão de nascimento”, o único ser pardo que eu conheço é um felino nojento da minha vizinha, espera que não leia nunca isso, mas se a senhora resolveu parar de tricotar para ler meu blog dona Anita, me perdoa. A muito tempo as questões raciais incomodam muitos, quer saber uma coisa? Você não é obrigado a gostar de ninguém, nem negro, nem “branco”, nem pardo (que é o termo mais preconceituoso do mundo, acho que foi criado para disfarçar a negritude racista), mas todos eles não só merecem como tem o direito de ter seu respeito. Nem se importa se gostam ou não deles, mas sabem que o respeito lhes é devido. Por isso e por outras coisas, que eu sempre digo você, e só você pode escolher como se portar. Não permita que a sua ignorância e mania de classificar tudo, incluindo as pessoas, governem o seu comportamento. Sejam racionais e ouçam o que diz a sua consciência, eu tenho certeza que lá no fundo você vai ouvir uma voz de um ser humano puro que conhece os direitos humanos de cor sem nunca o ter lido ou nunca ter ouvido falar de Eleonor Roosevelt.
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