Janeiro, janeiro! Esse mês representa muita coisa boa, ou pelo menos deveria, para mim é o mês de fazer os planejamentos, rever algumas metas pessoais não alcançadas, mas o que mais me diverte nesse mês são as promoções e liquidações, acho impossível não rir de algumas coisas, os shoppings, por exemplo, se tornam o lugar mais cômico para mim, me divirto mais que me divertia com as piadas do Didi quando ele era engraçado. Saímos de nossas residências para passear e somente para olhar as vitrines então, os “funcionários do mês” nos convencem a comprar coisas que sabemos que não vamos usar, um amigo meu me contou que comprou uma camiseta por um preço de DVD falso, (banana está caro), só porque estava barato, ele não precisava de pulôver algum e nem era o número dele, “Douglas, eu comprei pensando que se não servisse para mim eu daria para meu irmão”, simplesmente hilário! Os corredores dos centros de compras ficam lotados de “classe média” que sem renda para fazer a terceira viagem parcelada para Disney vão disputar a tapa uma “promoçãozinha” para sentir que tirou vantagem da macro economia capitalista (Graças a Deus por ela), eles, os Shoppings, foram criados para classe média, sem dúvida, quem é rico não precisa parcelar nada, quem é pobre não pode comprar nem parcelando, o que me intriga é o tal do OFF que são colocados em tamanhos, cores e jeitos diversos nas vitrines, OFF lembra TV, o povo deve entender que as lojas estão prestes a desligar e correm para o shoppings para, literalmente, assistir as vitrines, só assistir, se a sua situação financeira for igual a minha é isso que você faz, assiste os OFFs com uma pontinha de inveja, de não poder adquirir nada mais que um ingresso para o cinema, quarta-feira claro. Uma vez minha mãe foi no shopping só pagar uma conta que já estava lhe dando dor de cabeça, voltou com algumas sacolas feliz da vida e sentindo o sentimento mais desejado pelo brasileiro o de tirar vantagem em algo, minha irmã, que foi a companheira de compras nesse fatídico dia, me contou de uma batalha épica que minha mãe travou com uma madame, “a mãe pegou um pé de um par de um sapato uma mulher pegou o outro pé, então as duas não soltavam ficaram rodeando a loja esperando que a qualquer momento alguém desistisse, no fim a mulher foi embora mais escondeu o sapato em algum lugar e não tinha funcionário do mês que o achasse” imaginei uma cena de bang-bang, cada uma de um lado em frente ao Saloon contam dez passos uma de costa para a outra e atiram, só que nesse caso uma desafiante desistiu, minha mãe venceu. Venceu? Com um sapato novo no pé e um carnê idem na bolsa. As promoções nos instigam os mais profundos instintos primitivos, nos tornamos irracionais, eu já cheguei ao cumulo de comprar uma calça que mal me servia, a usei durante um bom tempo, me apertava nas pernas e consequentemente nas partes glúteas, fui visitar um velho amigo de colégio usando as malditas ele até me tratou bem, como sempre, mas uma vez ou outra me olhava de um jeito que dava para conseguir decifrar a seguinte mensagem: “será que ele é?”, devo estar mal falado em toda comunidade por causa de um desejo de me parecer o cartaz da loja, na loja havia um cartaz com a foto de um modelo sorridente, feliz e bem sucedido, deu para perceber tudo isso só pela foto, usando a tal calça. Aquela aquisição infeliz só representava meu desejo de ser perfeito, para me parecer com aquele modelo precisaria de algumas plásticas, um regime a base de uma folha de alface por semana tirando a parte gorda que uma alface comum possui, e dois copos de água por dia, fora ficar branco, se o Michael pôde eu também posso, talvez até ligasse para ele perguntando o que fazer para me tornar alemão, com a idade que estou acho que não é mais perigoso tentar uma aproximação, se ele tentasse algo diria never
Tenho dó, e aqui vai minha solidariedade para todos os homens, porque convidar uma mulher para ir ao shopping representa muito mais do que: “vamos ao cinema?” elas entendem: “posso até te comprar algo depois do filme, levar para jantar, trocar sua lâmpada, consertar sua TV, levar sua irmã a apresentação de balé...” Não é mais possível esfregar os três salários mínimos* na cara de alguém para impressionar, é preciso se controlar, mas em frente a uma vitrine em janeiro é uma tentação pior que tentar resistir a uma coca-cola envenenada no meio do deserto do Saara meio dia após três dias de peregrinação, ufa, você sabe qual vai ser seu fim se beber, mas vamos negar uma necessidade tão básica que é a sede? Nesse caso nem que seja por possuir algo. Nem culpe os publicitários pelo endividamento que nós nos colocamos, já é ultrapassado fazer isso, é como culpar um advogado por ganhar uma causa em que o réu é incontestavelmente o culpado, ele só está fazendo seu trabalho. Priorize o que é mais importante para você, faça uma lista de necessidades, ou inutilidade que você tenha, ponha um limite por mês, “esse mês eu vou comprar apenas duas coisas que esteja fora do orçamento”, talvez te ajude, se não, pare de ir ao shopping, rasgue o talão de cheques (alguém ainda usa isso? Que ultrapassados!), quebre os cartões de credito, não veja TV, não leia outdoor, não compre Veja, que a cada uma página tem um anúncio, não ouça rádio, não entre na internet e se mude para o sul do Cazaquistão, ouvi falar que por lá não tem isso que a nossa civilização capitalista e sonhadora tem, compulsão por comprar sem precisar.
*A média de renda mensal do brasileiro.


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