Já era o tempo que uma marca de refrigerante nomeava uma geração, geração coca cola, com Justin, Beyonce, Nx zero, Sandy&Junior, etc. (que desatualizado que eu sou não é, eles nem existem mais) A disputa fica até desonesta para a Coca, coitada! O máximo que pode fazer é tentar associar seu nome com um desses artistas e patrocinador um de seus “MegaShows”.
Os artistas populares sempre influenciaram a vida das pessoas, a música tem uma força maior do que simplesmente uma manifestação artística, chega à onipotência de ditar comportamento.
Com a invenção de micro aparelhos de armazenamento infinito de músicas você leva suas mil músicas preferidas da última semana, para onde quer que você vá, esses aparelhos “ultra-moderninhos” te faz sentir um dinossauro, homens da caverna, enquanto você não adquirir um. Eles nos proporcionam uma comodidade que vai além de uma simples forma de ouvir música, trás uma mudança significativa em nossas vidas, para o bem e para mal na mesma proporção. A indústria se aproveita da nossa necessidade de se sentir “por dentro”, e lança , quase que diariamente novidades irresistíveis até para os “anti-capitalismo”. Eu ainda nem comprei um MP1 já existe o MP6 (celular, computador de mão, armazena música, tira foto, GPS, peida...)
Uma solução para alguns impasses de família, “hoje quem escolhe o CD que vai tocar no carro sou eu”, nem precisa se preocupar, pegue o seu iPod, e ouça o que quiser no “aparelhinho”, enquanto seus pais ouvem Chitãozinho e Xororo ou Bee Gees. Outro dia uma amiga da minha família veio encolerizada me contar sobre uma conversa franca que havia tido, de mãe para filha dentro do carro, “Douglas, eu desliguei o som do carro e fiquei falando com ela sobre como eu era na escola, o primeiro beijo, o primeiro namorado, a viagem inesquecível, a bronca inesquecível, as fofocas da turma, ela resmungava algo de vez em quando, e eu continuava falando... Falei por mais de meia hora, quando cheguei em casa estava com a sensação do tipo “melhores amigas”, ela saiu do carro cantarolando algo num inglês do interior de Minas, alguma coisa do tipo ‘welcome to my world...’ Ela estava com um fone no ouvido. Descobri que durante esse tempo todo ela só não tinha me ouvido como tinha dado ouvido para uma pessoa que não fala o idioma dela e que nem sabe de sua existência”. A minha solução para essa jovem mãe, Dom Quixote de saias, foi que montasse uma banda, que cantasse em inglês de preferência, e escrevesse suas músicas com letras que narrassem suas aventuras juvenis, se não desse certo, paciência. Ela me fitou por alguns segundos que mais pareceram séculos, e por um momento eu temi pela minha vida. Juro que vi uma labareda de ódio saindo dos seus olhos.
A verdade é que a muito tempo os pais perderam um certo poder sobre a vida de seus filhos. Desde os Beatles, com seus ternos, a influência é visível e inevitável. Minha vó me contou que certa vez o meu pai passou um dia inteiro de terno em um dos calorosos churrascos de família cuiabana, só para ficar parecido com o John Lenon, o máximo que conseguiu foi uma desidratação e um desmaio de dez minutos, já que ele tinha o porte físico de um mosquito da dengue. Não devemos esquecer também o RPM e, segundo minha vó, “aquele maldito Paulo Ricardo”, revoltada, assim como toda sociedade brasileira dos anos 80, com o fato de seus filhos machos quererem adornar suas orelhas com pedras que só não passavam de imitação barata de jóias.
A necessidade do diferente, e de pertencer a outro grupo que não seja somente o familiar, ocorre geralmente na adolescência porque é nesse período que os jovens estão procurando um ponto de referência que não seja os pais, eles acham seus pais antiquados, e seus “heróis” se tornam os “donos” das músicas que ouvem ou seus amigos, natural que seja assim, mas quando isso se agrava ao ponto de pais e filhos se afastarem, revela um problema um pouco mais profundo. O que essas atitudes revelam é um problema enraizado, não é apenas um choque de gerações, mas um afastamento desses envolvidos. Os pais tratam os filhos como ETS que aterrissaram aqui em uma nave mãe (literalmente mãe), e que nada conhecem nesse planeta chamado: anos 70/80. Os filhos, por sua vez, tratam os pais como dinossauros que darwinianamente não evoluíram, apesar de ter vencido a guerra “os mais fortes sobrevivem”, e esqueceram de entrar
Quando acontece coisas do tipo que assistimos no mês de novembro de jovens de classe média se “pegando” sem propósito nenhum, nos chocamos. É intrigante como nos revoltamos com os acontecimentos quando são mostrados na TV, com coisas que justamente ocorre embaixo de nossos forros de PVC e/ou de placa de gesso. Seus rebentos, muito bem educados em escolas catolicamente tradicionais, vão para praças pintadas pela prefeitura, com um verde limão de gosto duvidoso, para se atracar como orangotangos disputando a fêmea e a bananeira mais próspera, uniformizados e com seus MP6, registram sua humanidade e coloca na internet para que nós os aplaudamos, só que isso choca a “liquida sociedade moderna” (um salve para o mano Bauman), e nos os reprovamos.
A sociedade (só para dar uma aliviada aos pais), faz cara de “o que eu fiz de errado”, e procuram os culpados sem resolver o problema.
Grandes sociólogos e antropólogos apontam que está na constituição da família a solução para uma sociedade menos violenta e onde haja uma abertura maior e favorável para a conversação, dos filhos aos pais, “já que o meio social é apenas uma extensão do que acontece em suas casas”, é o que dizia uma antiga professora, Tete.
Só porque os pais passaram brilhantina nos cabelos e usaram meias arrastão ouvindo mutantes não significa que tenham que se separar dos seus filhos que colocam piercing na língua se vestem de “boneca de vodu”, com uma franja de cachorro lulu que os cegam temporariamente, e choram quando ouvem emo core.
Que possamos nos sentar para a conversação como se faz em outras guerras semelhantes.


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