Quem já não reclamou dos pais que atirem o primeiro mouse. Impossível passar pela adolescência e não encontrar mil defeitos neles, os problemas entre pais e filhos são tão antigos que parecem já estar resolvido, não é? Que nada tem se intensificado de uma cômica e assustadora forma. Belchior escreveu uma musica que foi eternizada na voz de Elis Regina, como nossos pais, “apesar te termos feito tudo, tudo o que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”, a semelhança de vida que nossos pais tiveram na adolescência deles com a nossa e inacreditavelmente grande. Ouço frases incompreendidas de alguns adolescentes ao falar sobre os pais, que faz sentir dó dos pais que de vilões nada tem: “Os meus pais ficam invadindo meu espaço”, essa frase se parece clichê de cinema, “param atrás de mim quando estou no computador para ver o que estou fazendo, isso é invasão de privacidade” declarou uma adolescente cheia de razão em uma reportagem na TV. Essa reportagem tratava sobre a relação pais/filhos, e ela me fez pensar uma coisa, os pais estão perdidos, coitados! Por trás das reclamações desses filhos há pais desesperados em participar e proteger a vida dos filhos. Somos bombardeados com informações alarmantes sobre um mundo violento que infelizmente invade até as nossas casas, se essa violência está derrubando nossos muros altos e com cerca elétrica imagine como é do lado de fora? Os pais desejam segurança para os filhos, por isso eles lêem e-mails, orkut, tentam ouvir conversas no telefone, lêem diários, nem sei se alguém ainda tem isso, e fazem um sistema de espionagem superior ao da KGB para tentar livrar seus pimpolhos do mal do mundo. E vamos condenar esses pais porque, por querer que seus filhos estejam bem? Se você os condena ou não é pai ou é uma pedra de gelo insensível que não entende o quanto é desesperador saber que você não tem a onipotência de cuidar 24 horas desses que ainda não tem mecanismo de defesa, que por outro lado só conseguirão criar tais mecanismos batendo a cabeça, não literalmente, espero.
Esses pais, que são de uma geração que saiu de um regime como a ditadura onde nada podia, agora fingem “liberar geral”, a única coisa que conseguem é fingir por que se sentirão culpados se disser não, como são seres humanos modernos loucos em se livrar da culpa de impedir seus filhos de viver suas aventuras juvenis optam em contratar uma empresa de tecnologia de ponta em monitoramento por chip. Resolvido o problema de confiança, confiar desconfiando. Os pais absurdamente estão monitorando seus filhos através de presentes que oferecem aos seus rebentos, são relógios, celulares, cintos e, pasmem, brincos com chips capazes de monitorá-los a quilômetros de distancia. O mais cômico é que não só os filhos estão recebendo esse presentinho de grego mais também os genros. Então meu amigo, se sua sogra te deu um relógio ou um cinto de natal desconfie suas conversas e os lugares que você tem ido tem sido astutamente monitorado. Uma outra reportagem sobre o relacionamento pais/filhos tratava justamente sobre esse assunto. Os pais que não tem essa grana para desembolsar, os que moram lá nas periferias acabam impedindo de forma literal que seus filhos saiam de casa a noite. Como confiar em alguém que não confia em você? Uma mãe sensata declarou o seguinte “Monitorar alguém é uma prova de falta de confiança, se eu faço isso e eles descobrirem como poderei exigir confiança depois”. Já que todo mundo quer fazer parte de um “big brother” da vida então é aconselhável oferecer um milhão de reais para que eles fiquem em casa 24 horas por dia sendo monitorados. Uma outra adolescente reclamou do horário que tem que chegar em casa, “eu não posso passar das onze em nenhuma festa”, o que esses meninos podem fazer de madrugada que não farão a luz do sol? O medo é tão grande que os pais ficam perambulando pela casa enquanto os filhos não chegam, acreditando, sei lá porque motivo, que o fato deles estarem em pé dará livramento a seus filhos. Um outro protestou, “eles ficam me comparando com meus amigos, ‘olha o fulano fuma, sicrano bebe’, ai quando eu vou dizer que os pais de fulano deixam ele sair e não pega no pé eles dizem ‘mas eu não quero saber do outro quero saber de você’ eu não entendo”. Nem os próprios pais entendem. Comparação é uma arma usada ardilosamente pelos pais desde o período pré-embrionário mundial, é terrível ser comparado, mas é inevitável não comparar, provavelmente esses garotos usarão essas armas no futuro com seus filhos que terão outros problemas. Os adolescentes de hoje se esquecem que são filhos de um adolescente de ontem que conhece muito bem como é essa fase, sabe da impulsividade que governa os nossos pensamentos, emoções e ações. Mais o que mais me chamou a atenção nessa reportagem foi uma frase de uma menina que reclamava que a mãe ficava de trás dela no computador perguntando o que quer dizer, por exemplo, “VC” e outros códigos da Net, e ainda continuou dizendo que a mãe fica reclamando que ela não tinha paciência de ensinar como mexer no computador, ler gírias cibernéticas entre outras coisas. A repórter Babi Xavier perguntou o seguinte: “Mas vocês tem paciência de explicar?” “Não”, foi a resposta unânime. O que está acontecendo? Eles exigem respeito, espaço, confiança e não se dispõe a gastar um tempo, que deveria ser de convivência fraterna, para ensinar a entende-los, que oportunidades que eles perdem de se fazerem entendidos por esses pais. Chega um tempo em que os papeis são invertidos, quem ensinou quer aprender, quando chega a hora de retribuir a comida na hora, roupa limpa e passada no armário, os R$ 20,00 para o cinema é hora de entender que, só para citar Renato Russo, eles são crianças como nós, que nada conhecem desse mundo que gira em um ritmo tão frenético que só a nossa juventude é capaz de entender, por isso paciência, tenho certeza que foi muito mais difícil acordar as 3 horas da manhã com uma criança chorando que mais parecia uma sirene de bombeiro correndo para salvar o gato de uma árvore de uma cidade do interior do Mississipi e, essa criança com a frauda recheada do produto final da digestão, do que parar 10 minutos para ensinar o nosso palavreado “internetez”, fiquei com o coração apertado tentando lembrar se algum dia já tinha me mostrado impaciente com meus pais, tive vontade de pega-los no colo e ensina-los que as coisas hoje funcionam um pouco diferente do mundo que um dia viveram, mesmo que fosse inútil, pelo menos estariam me ouvindo e eu a eles. Paciência!!!terça-feira, 15 de janeiro de 2008
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