sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Presença da Ausência

Estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro que tem tanta mágica. Chegamos a sentir o “gosto” de coisa nova chegando. Fazemos cursos, faculdade, compramos roupas novas, Cd novos (se não compramos, baixamos. Deus abençoe o 4shared e o apenasmúsica.net). Gosto de coisa nova é ótimo. Enquanto espero os downloads terminarem, com Cds que aguardo a tempo lançamento, fico com uma mistura adocicada de medo e esperança. Medo de que o Cd não corresponda ao que espero e, ao mesmo tempo, esperança de que seja tão bom quanto ao anterior de determinada banda, grupo. Isso aconteceu com os últimos Cds do Leeland, Lifehouse, Fernadinho, Switchfoot e David Quinlan... Infelizmente o último referido foi o único que pensei: “Poxa, como gosto do anterior, do anterior a esse”

Ouço bater em minha porta, todos os dias mil possibilidades, mil novos projetos de construção do novo “Douglas”. Olho atentamente alguns e descarto de cara, ali, na lata. Já outros, analiso com carinho, ganham simpatia diante dos meus olhos, me inspiram a sonhar. Os que rejeito é porque não cumprem um requisito básico: não tem princípios, apresentam fins neles mesmos. Outros me obrigam a “limpar a casa”, correr pro porão e fazer uma faxina daquelas, descer todas as caixas, limpar cada canto. São projetos que não cabem em um lugar entulhado, que, de tão preciosos não suportam a poeira do tempo.

E, nessas horas... Que saudade que dá. Aliás, oh, palavrinha essa. É um sentimento? É um pensamento, ou será um sensação? Saudade é uma coisa boa ou ruim? Traz-nos Lembranças boas de um passado que, de tão bom merece ser re-experimentado, ou nos dá aquela sensação de velhinho-de-praça “no meu tempo era melhor”?

Algumas pessoas surtam quando pensam no futuro, eu não. O futuro deve dar medo porque é uma folha em branco. Uma A4, entregue em nossas mãos e, como uma professora que não sabe bem o que fazer pra “ocupar” os alunos diz: desenhe livre. Daí nos desesperamos com a inexistência de idéia... o que acontece com a maioria é desenhar o básico, casa, árvore, pássaros e sol. No medo de ficar sem nada pra “desenhar” optam pela primeira coisa que vem a mente, o óbvio. O Ordinário, que de tão comum nem é discutido se vai ou não fazer, aliás, nem se discute como vai fazer. Não há discussões se vai ou não fazer arroz e feijão no almoço. Hello!!! Arroz e feijão, claro que vai ter isso, o acompanhamento que é discutido. Agora como vai fazer o arroz e feijão, isso sim, nunca será mencionado até porque não há grandes diferenças, né?

Lava o arroz (ou o feijão), alho, óleo, sal, cozinha. Pronto!!! Existe um jeito bem estabelecido e conhecido por todos. Agora se proíba de comer arroz e feijão pra você ver o problemão que irá lhe arranjar. É a falta que desespera.

Ora, ou outra nos deparamos com a falta, a tal saudade citada. E como disse é naqueles momentos que estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro, que essa sensação, pensamento ou sentimento pula bem na nossa frente. Saí de trás de uma árvore, uma que fica no nosso caminho cotidiano, aquele que passamos todos os dias.

Afundamos em uma melancolia repentina. Voltamos lá pra Barbacena de nossas infâncias, ah, como lá era bom! É engraçado que o tempo apaga (ou não, como diria Caê), as coisas ruins de determinado tempo. “Ai, que saudade da época de escola”. Espere um minuto e eu já te lembro das coisas ruins. Hehehee. A tendência é sempre essa, arrancar os espinhos do passado, enfeitá-lo com florzinhas coloridas, colocar na parede da sala e ficar olhando, suspirando, sobre como era bom. É irrefutável a existência das coisas boas, mas é inegável a existência das ruins. O que me dá mais saudade não são as coisas, ou a situação de “aquela época não tinha compromissos, vivia uma férias permanentes”, me dá saudade das pessoas. Que hoje nem sei se seriam as mesmas, se seriamos amigos como éramos. Tenho saudade do que era, das coisas que eram, não das coisas que “poderiam ser hoje”, creio que estou no caminho que deveria estar, sem “mas”, por isso não fico pensando no “deveria ser”, porque isso envelhece, te transforma em um chato reclamão, cego frente as novas possibilidades, um eterno insatisfeito com as coisas novas que se apresentam.

Ai, que saudade! Como é bom poder suspirar assim, tendo a certeza que não precisa voltar aquele tempo para que possa aproveitar o hoje. Como é bom reler coisas, rever fotos e dizer, “era feliz lá”, mas, sou feliz aqui. Como é bom pegar uma folha em branco nas mãos e pensar em algo novo pra desenhar, talvez até uma casa, árvore, pássaros e sol, mas de um jeito novo, um jeito que surpreenda a todos, inclusive você mesmo.

A melancolia presente, e do presente, é porque nos deparamos com esse “nada”, temos o passado, concreto e imutável e insistimos em promover uma luta entre ele e o futuro. Como se a vida não fosse algo linear, contínuo. Como diria minha professora de Antropologia, se matarmos o “velho” condenamos o futuro. É preciso conviver, ter uma convivência harmoniosa de respeito e busca de aprendizagem. Se conseguirmos isso abandonaremos a melancolia frente as fotos, cartas, enfim. Olharemos com um sorriso de canto de boca e desejaremos fazer do presente um bom passado no futuro.

terça-feira, 23 de março de 2010

Herança de Herói

O que faz de alguém um “especial”? O que é que torna uma pessoa, que outrora um comum, se torne em um simples “plin” um amigo admirável, um herói de todas as horas? O que é tão arrebatador assim? Que muda nossa visão, que nos inspira a sermos pessoas melhores? Quando falo melhor, estou me referindo a uma pessoa mais próxima daquilo que desejo – sempre desejei- realmente ser. Há pessoas que me ensinam tanto! Que me inspiram tanto! Que me fazem querer estar em uma constante evolução e crescimento, e fazem isso apenas com a aceitação incondicional de quem eu sou. Não tentando me consertar, mas apenas cuidando de mim.

São essas pessoas que me levam para o centro do Amor de Deus, onde eu posso olhar totalmente despido as minhas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Elas são meus heróis. Não de Capa e super-poderes, mas me resgatam através da maior força que existe, o amor. Eu ali, escondido em mim mesmo, com tantas potencialidades de uma Alma Nobre, Ungida, só esperando a Santidade, que nada mais é do que se tornar aquilo que se é.

Essas pessoas se movem de um lugar comum para lista de Amigos (de fato) quando compartilham suas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Olhamos para elas, ouvimos seus relatos sussurrados de “humanidade” e aquela figura do outro super-potente, arrogante, cheio de “privilégios” concedidos da vida, vira um “igual”. Desconstroem-se as falsas evidências do outro ameaçador, mesmo porque já não há motivos para se esconder. Entregam-se os esconderijos, porque já não há mais inimigos, na verdade ganha-se aliados.

Como tenho experimentado disso!!! Deus tem me ensinado lições valorosas nesses dias quanto a isso, tanto que sinto vergonha de mim mesmo toda vez que vejo alguém julgando outro sem conhecê-lo na totalidade, sem o ver como um ser contextualizado. Sinto vergonha de mim mesmo, sinto ao me lembrar de todas as vezes que eu fiz isso.

As pessoas são como livros, independendo de ser de seu agrado ou não, elas tem grandes lições a nos ensinar. (Se eu pedi pra que lesse esse texto é porque te considero um bom livro, obrigado por todo ensinamento.)

Esses são os heróis verdadeiros. Assim como Jesus um dia me resgatou de mim mesmo esses outros cooperadores de Cristo o fazem também. Quando o Resgate aconteceu, Jesus me encontrou encolhido, no canto de um quarto vazio, com frio, com fome, com tantos medos, totalmente ferido. Não consegui nem me mexer, não queria olhar pra trás e perceber que era mais um, que iria apenas me acusar e colocar o dedo em minhas feridas sem nem ao menos desejar curá-las. Ao longe ouvi seus passos, senti sua Presença. De alguma forma sabia que não era igual aos demais que já havia tentado se aproximar de mim. Estava esperançoso, e ao mesmo tempo, por causa das feridas abertas que tinha, cheia de bichos e pus, tentava a todo custo matar a esperança por conta da realidade. Não seria possível!! Ele se aproximou e, em tom de sussurro, balbuciou: “Filho!!!” Seu amor foi tão grande que chegou de mansinho, falou baixo pra não me assustar. Esfreguei meus olhos, tornei a cabeça a Ele com dificuldade, e em um “plin” tornei-me Seu amigo. O conhecia apenas de ouvir falar, mas naquele instante já era de experiência-lo. Essa é a Herança de Jesus, amor incondicional de tamanha força que move todos à mudança deliberada.

Ele se tornou o modelo de como ser alguém que liberta sua própria alma para Amar incondicionalmente. Não a liberta pra tomar suas próprias decisões, escolher seu próprio caminho, mas a liberta para ser o que já é. Grandiosa!!!

Toda vez que sinto que sou aceito incondicionalmente, onde me sinto à-vontade pra ser quem sou, ouço Sua voz: “filho, eu te amo”. E de alguma forma, estranhamente falando, isso basta.

Isso basta pra que se deseje auto-mudança. Pois me coloca de frente com meus desequilíbrios, se não preciso escondê-los então os encaro. Há nomes que gostaria de citar aqui, pessoas que tem esse poder sobre mim, mas prefiro dizer a eles pessoalmente, e sei que tenho feito isso ao longo da minha vida. São grandes heróis, que resgata o que há de melhor em mim.

Ayrton Senna estaria fazendo 50 anos se estivesse vivo. Ele é considerado um herói, amado e admirado. Ousei-me perguntar o porquê disso tudo? E uma cena me veio a mente, uma entrevista que ele deu ao fantástico em mil novecentos e lá pedrada. Ele ao lado de Adrianne Galisteu (frase do meu pai na época: uma oportunista), falando sobre suas vitórias: “eu não corro por mim, porque eu sou uma só pessoa, mas eu corro pelos outros. É muito bom saber que quando eu ganho milhões de pessoas começam a semana sorrindo”. Quando me lembro disso, entendo o motivo dele ser lembrado com muito carinho até hoje, era uma pessoa que permitiu sua alma ser grandiosa, não pelos títulos, mas pela postura diante da vida. Basta assistir uma entrevista dele pra saber que não era comum. O que ele disse com aquela frase foi: “não sou eu, a alegria da vitória não é minha, é nossa. Prefiro escolher resgatar o que há de melhor nas pessoas, o sorriso.” Com isso se desconstruiu a figura de alguém super-potente que ganhava todas, mas essa imagem deu lugar a alguém que simplesmente (como se isso fosse assim, simples), inspirava aqueles que o admiravam. Não era mais um ídolo, era um herói. Essa é sua Herança.

Com essa lembrança, costurada pelo rosto de Ayrton Senna, eu pude ouvir uma vez mais, com nitidez: “filho, eu te amo”. (Obrigado Senhor, por não medir esforços pra falar comigo. Por usar tudo e todos pra que eu ouça Sua voz.)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Penso que penso demais!!!

Uma coisa tem me intrigado ultimamente. Na verdade várias coisas tem me intrigado. Que bom, né? Significa que eu penso. Penso logo desisto como diria “Descarte”.

Aliás, penso que meu problema é justamente pensar demais. (Droga!!! Só nessa frase tem dois “pensar”). Lembro que uma vez um professor meu de matemática, Leônidas, típico professor, com seus 38 anos, com um sotaque cuiabano melhor que de Nico e Lau (leitores do meu Brasil, joga no Google), e um orgulho (ainda não sei bem porque) de ser do município de Mimoso, me disse assim: (com sotaque por favor) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”. Eu, o afobado, no alto do maior drama (sempre) estava declarando a ele minha definitiva deficiência em matemática. Com o caderno aberto, meio abandonado em cima de minha mesa, com as costas inteiras encostadas na cadeira e, com os braços pendurados, nessa postura de mãe ao fim do dia, ele se aproximou e me perguntou o que estava acontecendo. Respondi e, ele me ofereceu ajuda, começou a explicar aquela formula idiota, depois disse: “agora é C’ocê”. Fiquei imóvel olhando, ora pra ele, ora para o caderno. E ele soltou à frase citada. (leia de novo) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”.

Sim eu penso demais. E às vezes... como isso me atrapalha. Quero logo falar do equilíbrio, porque a tendência é sair de uma coisa exagerada e ir para o oposto, mas também exagerada. E ficamos nos”gambando” de que mudamos, de que evoluímos, que estamos pegando mais leve. É como se quando estivéssemos tirando uma venda dos olhos, ao mesmo tempo estivéssemos escolhendo uma outra, agora com estampas mais bonitas. (amo exemplos idiotas). O sujeito é super analítico e de repente se torna um “nem-penso-faço”.

É claro que devemos pensar em algumas situações, devemos colocar em listas (né? Sara) nem que sejam em nossas cabeças os pontos positivos e negativos disso ou daquilo. Já que algumas decisões parecem (eu disse: parecem) ser definidoras. E, há conseqüências.

O que o tio Leônidas, quis me dizer foi que não adiantava eu ficar olhando para o caderno pensando em como resolver aquela orgia de números e letras que davam zero no final (pra quê? Se o treco dá zero no final?). Eu precisava praticar porque se as dúvidas aparecessem no caminho teria à quem recorrer. Mas, eu não. Se não tinha entendido na primeira explicação, já não queria mais saber. Ele me fez uma proposta, praticar em casa, eu fiz isso!!! Entendi, e acabei gostando. (passou). E gostei porque estava dando certo, no começo achei estranho dar zero. Refazia várias e várias vezes, pra descobrir nas aulas posteriores que era isso mesmo. (Perda de tempo, Pô!!!)

Em Psicoterapia Breve (Google já) existe um termo chamado EEC (Experiência Emocional Corretiva), que nada mais é, explicando na miúda, algo que é dito por alguém que causa tamanho significação à quem ouve que gera uma mudança interna. Por exemplo, o sujeito faz o estilo largadão, aí tem algum evento que ele é “obrigado” a se vestir melhor. Chega alguém e faz um comentário totalmente sem a intenção de gerar tal mudança (até porque isso não tem como ser previsto): “Como você fica bem vestido assim! Com o cabelo assim”. O sujeito passa a prestar mais atenção em sua roupa, em como arruma o cabelo, se percebe e, de fato, muda.

O que o professor fez foi algo próximo disso. “Poxa!!! Eu penso demais”. Ou seja, “sai daí”. Saia dessa posição. Se levante (toma teu leito e anda). Rsrsrsrs.

Talvez tenha ficado mais “ação” depois disso. Sabe?! Parar de sofrer com o caderno aberto, achando que eu sou burro por não ter entendido a explicação. O que na verdade não adianta nada entender a explicação de primeira, ela não muda o fato do exercício ainda não ter sido feito, e nem me dá autoridade de eu declarar terror à matemática. O mais interessante foi descobrir que depois de ter feito alguns exercícios eu internalizei o processo. Dali alguns passos básicos era pura dedução.

Na faculdade vi isso. Tenho estágios obrigatórios (não remunerados), desde o segundo semestre. Se nas aulas teóricas achávamos que tínhamos entendido tudo, era nas práticas que constatávamos que as aulas teóricas só tinham autoridade de serem porque eram produtos de práticas. Quebrei a cabeça algumas vezes. Se disser que entendi a psicanálise depois de 4 semestres não por falta de leitura, nem tão pouco por falta de interesse, apenas falta da prática, vocês não me consideraram lerdo, né? Quando entramos em textos de Freud do fazer do terapeuta, aí me veio a epifania. (Que burro!!! O Word não conhece essa palavra). Tem gente que quer que eu explique em 15 minutos sobre isso. Eu até me arrisco porque quem pergunta merece uma resposta, mas não exija de mim a explicação da essência, porque eu também sou novo nisso. Quando me arrisco, ainda ouço: “Que bobagem. Esse Freud era louco mesmo”.

Existe uma frase que dizem da Índia (não a Serena, o país), “para se entender a Índia é preciso ir a Índia.” Por mais que a teoria, o blábláblá, a explicação, dê suporte para o entendimento é a experiência em loco que dá a idéia do todo. Se tentar explicar a Deus, e como é se relacionar com ELE não parecerá mais nada do que disse-me-disse religioso. Se você acha complicado entender a Deus ouse experiência-LO.

O mesmo acontece sobre as pessoas. Você ouve muito falar sobre alguém, as vezes com a visão de outras, o cômico é que somos tão “apaixonados” que compramos facinho a percepção alheia. Se chega alguém e diz que alguém desse ou daquele jeito, dissemos: “Ah, é? Não sabia que fulano é assim.” Basta isso pra gente ler a pessoa citada a partir desses óculos, o legal é quando damos o benefício da dúvida e descobrimos alguém tão bacana, bem diferente de como pensamos. Sei que a vida não é um exercício de matemática, graças a Deus, né? Porque chegar no final e dar zero, como diria um vendedor de feira de bairro: “é pra acabá!” Mas, em algumas situações só a experiência nos dará autoridade, pra dizer se gostou ou não. Vamos nos deparar com a sensação de que foi um tempo perdido, eu prefiro acreditar que foi um tempo investido em aprendizagem. Se no fim der zero pelo menos posso dizer com convicção que odeio matemática.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dança Muda

Toda Mudança é uma libertação. De algum jeito se liberta de amarras que prendiam à uma antiga forma de enxergar determina (s) situação. Como de forma mágica aquilo que antes se passava de forma angustiada, despercebida se torna tão clara, fazendo com que a “leitura” da situação vá pra um lugar do “não” comum, algo que estava ali há tanto tempo. Estava ali gritando pra ser visto, mas não se podia ver, pois, precisava de novas lentes. Alguns chamam isso de maturidade, associando quase que instantaneamente com algo velho, algo próximo do fim. Assim como uma fruta madura que tem suas horas contadas quando avistada por nossos olhos.

Sem dúvida há uma segurança na maturidade, uma segurança estabelecida e fixada pela experiência. Por já ter sofrido determinada dor, por ter conhecido como é superá-la, por olhar para a cicatriz e se alegrar por saber que não causa mais dor, na verdade se torna um aviso, uma placa de “Não ultrapasse... perigo iminente”.

Mudanças nos aterrorizam e nos dão a sensação de que, de fato, estamos sós. Que podemos depender apenas de nós, e de nós somente. Com todas as imperfeições, inconstâncias, ignorâncias, essas mudanças batem em nossa porta nos exigindo uma postura, quando de forma mais assertivo, ou se apresenta apenas como um vento fraquinho que balança as folhas das árvores anunciando que, talvez, aja um temporal.

Quando era criança o que me aterrorizava era a idéia de me mudar, pra outra cidade. Ter que enfrentar uma nova escola, ter que fazer novos amigos, medo de não conhecer as ruas, medo de me perder como já havia acontecido comigo quando tinha 6 anos. Lembro que certa vez surgiu um papo na minha casa sobre se mudar pra Alagoas, a empresa que meu pai trabalhava tinha uma filial por lá, e meus pais que estavam enfrentando uma crise no casamento sugestionaram que talvez o melhor fosse sair da cidade (do Estado). Enquanto meu pai tentava nos convencer das maravilhas de se morar no litoral, tomar água-de-coco, ir á praia durante a semana, ficava imaginando como seria me despedir de tudo.

Eu tenho muita dificuldade pra me desapegar das coisas, tenho mudado nos últimos tempos, à passos de bebê é bem verdade, mas tenho conseguido me “livrar” das coisas. Antes tinha dificuldade de jogar até roupa velha, pois julgava que nunca iria encontrar algo parecido, e de fato isso é verdade, mas, quem se importa? Queria guardar tudo, cartas, entradas de cinema, embalagens, cadernos, livros... Talvez por medo de que se quando me desfizesse de tais coisas fosse me esquecer do que tinha vivido. Só que acabei caindo em minha própria armadilha, porque percebi que aquilo estava me limitando, romantizando determinado tempo. Precisava mudar.

Iniciou o ano de 2010 e com ele promessas de mudanças. Se já não bastava ser o último ano de faculdade, se já não bastava perceber que há um contador regressivo do tamanho do “Big Bang” na minha cabeça, me sinto ambíguo. Sinto-me esperançoso e com medo. Essa ambigüidade de sentimentos não me assusta, porque tenho cicatriz disso. Na verdade me sinto com vida, meus medos sempre produzem boas coisas. Enquanto observo algumas atitudes de pessoas próximas percebo o quanto amadureci nesses últimos quatro anos, e principalmente nos últimos meses, infelizmente esse amadurecimento não vem de forma tranqüila, não vem com garantias de que não haverá dor. Há sujeitos que amadurecem sem a experiência, que aprendem através de outros, mas, eu não. Não sou abençoado com tal dom. Preciso da experiência. Preciso me arrepender de algumas coisas que digo e de algumas coisas que faço. Mas, não preciso fazer tudo ou muito menos falar tudo, o que limita são os meus princípios, adquiridos e internalizados.

Todos nós ficamos esperando aquele momento em que tudo irá mudar, onde nós nos transformaremos em uma outra pessoa. O “Formado”, o “Casado”, o “Maduro”, o “Rico”, o “Dono da própria vida”, o “Em forma”, nos tornamos uma outra pessoa assim que começamos a construir qualquer um desse outro “eu”. A partir do primeiro passo, a partir da decisão, naquele exato e único momento estamos nos despedindo daquela pessoa, e nos tornando nós mesmos. A cada passo eu me torno mais eu mesmo. Porque a pessoa que desejo ser, já existe. Todos os sofrimentos (incomodações, infelicidades) é de sermos nós mesmos. Precisa-se deixar de ser-você, e se tornar um outro-você. As mudanças nunca se anunciam com trombetas elas chegam de mansinho, e por mais que queiramos desligar a luz nem um móvel sequer vai mudar do lugar, não é só porque não se vê que não está. Com a luz apagada fica pior, corre-se o risco de tropeçar, em coisas que nós mesmos colocamos lá.

Mudança é dança, mudança é dança muda... então, mude a dança. Boa sorte com isso!!!

sábado, 19 de dezembro de 2009

É só seguir o Caminho de Tijolos Amarelos

Não é que já se foi a primeira década do século 21? Alguém viu passar? Eu tenho uma teoria do porque temos essa sensação de que o tempo passa mais e mais depressa. Minha teoria: a medida que crescemos passamos a controlar mais o tempo. Criamos horários pra tudo, olhamos no relógio centenas de vezes ao dia. Adquirimos metas, prazos, criamos compromissos, como pagar contas. Que o tempo vai nos engolindo, quando percebemos (ou quando realizamos) nos deparamos com o Papai Noel na Vila do papai Noel do shopping.
Esse tempo, 10 anos. Mudanças ocorreram comigo (graças a Deus). Lembro na escola sempre no fim de cada ano dávamos nosso uniforme pra ser assinado pelos colegas, (pra tristeza dos meus pais que sabiam que não poderiam aproveitar o uniforme no ano seguinte), uma coisa que recorrentemente era escrita: “Espero que você não mude, que continue sendo essa pessoa... blá, blá, blá” Pensava: eu sei o que quer dizer, mas tomara que não se cumpra.
Desde aqueles tempos tinha sonhos GIGANTES que sabia que não conquistaria se continuasse do JEITO que eu era. E nisso tenho convicção, o meu estado atual só me proporcionou o que já tenho, o que sei me levou exatamente no lugar em que estou. As mudanças precisam acontecer pra me levar pra outro lugar. (Isso era tão difícil de ser colocado em palavras. Não é mais.) A verdade é que o ontem é um grande esboço. Uma cesta de lixo no canto do quarto lotado de papel amassado (que nenhum ambientalista leia isso). E eu, sou o Newton observando a Maça Cair. (essa comparação dever ter feito Newton sentir azia lá dentro do caixão).
Nesses dez anos, nessa primeira década do século XXI, aconteceram as maiores mudanças da minha vida. (a mais importante e traumática, Cancelaram Chiquititas). Sério, foi nessa década que eu me dei por gente. Em pensar que em 2000 estava na 6° série, recém chegado em uma escola nova, e conhecendo meus Grandes Amigos. Uma turma boa que me acompanha até hoje. Lembro de uma coisa que fazíamos. Eu, Jackson e Salvador, saiamos da escola no intervalo (um agradecimento especial ao guardinha que, sei lá porque, confiava na gente) e íamos comprar Playboy na banca de revistas velhas. Se pensar bem, isso é nojento. As revistas estavam usadas. Lembro dos campeonatos de Mortal Kombat, Lembro das brigas, que pareciam cenas de novela. Adolescente é mais dramático que Thalia de TPM.
A verdade é que ninguém pode com o tempo, ele é soberano implacável, (como Jack Bauer e Chuck Norris). Ele se apossa de nossa história e dita o ritmo, se sente o Carlinhos de Jesus. Sei que falar de 10 anos é falar de algo aprisionado, porque tendemos a esquartejar tudo. Como se dez anos acontecesse sem ligações com o passado ou com perspectivas de futuro. Mas, é disso que estou tentando dizer.
Nada acontece isoladamente, nenhum acontecimento é ilhado. Chegamos nessa época do ano e fazemos nossas resoluções e ficamos introspectivos com a sensação de que algo nos escapou. Algo que estava para além de nosso controle. Olhamos pra trás, olhamos para o ano e sentimos que apenas passamos-por, que poderia ter sido melhor nisso ou naquilo. Acho engraçado (sem graça nenhuma) como tentamos a todo custa controlar o passado, como se pudéssemos moldá-lo, transformá-lo tirando todos os carrapichos dos erros. Olhamos para o presente como algo irreal, menos tocável (até) que o próprio futuro, porque na medida que dissemos “agora”, já estamos em um “depois”, sendo assim o presente não existe, ele é apenas a representação da vontade imediata. Pensar assim te dá uma visão mais ampla, que a cada “agora” é um começo pra chegar em algum lugar desejado. Porque chegamos exatamente no lugar em que estamos indo. Só que não há um caminho de tijolos amarelos. Não há mapas, nem trilhas, nem indicações... talvez, alguns pontos de referência... mas, então, o que há?
Há companheiros de Caminhada. Amigos que estarão junto contigo no caminho. Em Mágico de OZ, os personagens tem objetivos diferentes, uns dos outros. Dorothy queria voltar pra casa, (como o Nemo), o Espantalho queria um cérebro (conheço umas pessoas que desejam isso também), O Homem de Lata queria um coração, (assim como Bin Laden), e o Leão deseja ter coragem, (assim como o Coragem, o Cão Covarde). Apesar de cada um ter um objetivo diferente, seguiram juntos pelo caminho, enfrentando cada uma das Armadilhas da Bruxa Má do Oeste. Eles estavam juntos.
Por isso, companheiros do caminho. Agradeço-lhes até aqui. Obrigado por estarem comigo nessa primeira década do século XXI. Obrigado por estar comigo quando a Bruxa Má do Oeste tenta mais uma das suas. Não há palavras que alcance o quanto me sinto feliz por tê-los por perto, por me ajudar a construir o nosso próprio caminho de tijolos amarelos. Obrigado por cada palavra de incentivo, de elogio (até alguns que eu permito que me corrija, Cris, Marcelo, Eliane...). Eu os ouvi. Se algo não nós faltou foram risos, lágrimas, sangue e suor, cada um manifestado com muita paixão, com muita vontade de viver. Com metas e MISSÃO. (Somewhere over the Rainbow)
Sei que mesmo, que diga “agora”, “agora”, “agora”, milhões de vezes nunca me abandonarão, pois já estão em mim. Mesmo que deixássemos de conviver continuaria me ensinando grandes coisas (Grandes quanto os são) através da minha memória. Amo vocês, companheiros do Caminho de Tijolos Amarelos, espero que tenhamos Cérebro (essencial), Coração, e Coragem para sempre voltar pra Casa. Deus os Abençoe!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Maçã Podre

Cadê o afeto minha gente brasileira? Meu Deus, onde foi parar a tal da empatia?

Me irrito quando ouço pessoas cada vez mais críticas, precisas, técnicas, exigentes...

Eu tenho problema? Alguém corrobore isso!!! (ou pelo menos me diga o que signifique “corroborar”) Sério, juro pela vida do Faustão que eu tento, tento me controlar a não acessar a parte mais sarcástica de mim. Mas, não resisto.

Parece que todos se tornaram o Pedro de Lara, o jurado malvado do programa de calouros... fico abismado com a perda da capacidade de se “afetuar” ,pelas pessoas. Parece que víramos especialistas em tudo, queremos meter bedelho (caracólis, essa palavra é velha) em tudo. Temos opinião pra tudo, opinião critica sobre tudo e todos. Deve ser engraçado ouvir (ler) isso justamente de mim, porque se existe alguém assim esse sou eu, mas falo muito mais pra provocar riso do que de fato pra julgar...

As pessoas são “entendidas”, sabem de tudo... se sentem a Veja da semana, com tudo resumido, explicado, detalhado... tem até as páginas amarelas (isso é na Veja?), só não tem carta do leitor (reposta ao leitor ou coisa assim).

E porque esse assunto me ocorre?

Estou ouvindo o último CD de Jamie Cullum, The Persuit gosto muito de Jazz, e a mistura de Jazz, R&B e POP que ele faz é inédito. Gosto justamente por ser diferente, tem umas pegadas de piano que dão uma sofisticada nas músicas. Antes de ouvir o CD (conseguido via download), entrei na comunidade no Orkut dele pra ler criticas. Havia um “ser” reclamando do CD. Dizendo que estava, em suas palavras “Uma quase completa bosta”, primeiro não entendi essa frase, “quase e completa” pra explicar o mesma coisa é estranho. Penso que o querido crítico não se permitiu afetar pelas músicas, não se permitiu ouvir as letras, ele ouviu pra julgar. Se tornou um critico musical, “mas, essa batida eletrônica com aquela guitarra sei-que-lá, e essa música, não-sei-que, não (leia como o Daniel) “orna”. Uma banda/cantor sempre terão aquela obra que irão compará-la a todos os outros que virão, no caso do Jamie Cullum tem o anterior a esse Cd que é o Mind Trick, que o lançou à astro mundial, claro que sempre farão menção a esse CD, assim como tudo que Michael Jackson fez pós Thriller foi considerado mediano. Emoção, emoção pura. Se você for ouvir seus CDs verá que são tão bons quanto o primeiro, mas o primeiro não tinha embutido carga de expectativa e pressão, ele (o MJ), não tinha pretensões de ser o dono do álbum mais vendido da História, ele sabia que era algo novo, como seria recebido, não fazia idéia.

Afetuem-se e permitam afetuar-se. Você já passou por aquilo de gostar muito de um filme e no Oscar ele nem ser mencionado? Não é estranho que Amor Pra Recordar seja considerado o filme preferido de muita gente e ele nem ter sido lembrado pelos membros da Academia (acadimia), ou não ter tido uma bilheteria com um número sequer próximo à de seus espectadores em DVD?

Porque isso? (momento auto-entevista)

Porque não havia carga de afeto empregado. Agora quando chega a pessoa e diz (com voz fanha de garota enjoada) “O que você ainda não viu ApR?” Daí você se sente um idiota atrasado e vai assistir o filme e, gosta... (ou odeia de vez). (com voz de Zé Wilker) “Acho que comparado ao Cinema do leste europeu ou ao cinema pós-modernista guiando-se pelo meandro do Cult vs Trash, creio que está para além de um ultra POP descartável”, quem se importa com opiniões especialistas? As pessoas se permitiram sentir com o filme.

Estamos todos prontos, com o discurso na ponta da língua, ensaiado e decorado pra dar opinião, pra dar conselho, pra indicar caminhos, pra avaliar, dizer se gostou ou não gostou. Quando conseguimos nos colocar no lugar de alguém que recebe, algo presenteado aprendemos a receber melhor. Dar mais créditos antes de falar mal (por apenas falar). Tudo bem se não gostou disso ou daquilo, quando eu não gosto eu falo sobre isso, procuro sempre me colocar no lugar de quem fez. Oras, as pessoas são carregadas de emoção, e as coisas são avaliadas por afeto, aquilo que me permito ser afetado pelo que me é apresentado.

Essa semana toda teve apresentações de TCCs na Faculdade, a turma (moçadinha, a tchurma, um velho falando) que se forma agora em 2009. Haviam quase trinta trabalhos sendo apresentados, temas interessantíssimos. Dali via o nervosismo daqueles que iam se apresentar, imaginava o que se passava na cabeça deles. Vi gente chorar, vi gente gripando, com nariz escorrendo e voz rouca (do Donald), enfim. Me fez pensar como seria o meu “grande dia”. Cada um dentro de seus limites “nervosísticos”, apresentaram bem, uns em pé, outros sentados, enfim, como puderam/suportaram.

No terceiro dia, as turmas que não apresentaram se reuniram pra poder dizer sobre os temas, como havia compreendido e pra que falasse um pouco sobre a jornada de forma geral. Teve pessoas que disseram (voz fanha): “ah, acho que deveria né? ...exigir que falassem de pé, que expusessem seus trabalho de pé”. Marilia Pera-lá!!!

Pensei: “Estamos perdidos. Estou numa jornada de que mesmo? Porque se quem estuda psicologia não tem capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro, de contextualizar e afetuar-se, quem terá?”

Poxa vida, eles estavam apresentando um trabalho que durou meses pra ficar pronto. Pense como que foi fazer e, a pressão que é apresentar na frente de uma platéia como aquela? A pressão de ter parentes te assistindo, professores te avaliando... sua formação (carta de alforria ou desemprego) em jogo. Nada fácil!!! Agora porque não permitir que o sujeito sinta e se permita escolher como quiser ou puder apresentar, sentado ou não, é o seu trabalho que está ali. “ É que... Fica muito chato, blá, blá, blá, bla”

Penso assim também, prefiro trabalhos sendo expostos com a pessoa de pé. Mas, contextualizemos. Quer ser entretido? Vá ao circo. Ninguem precisa ser um showMan (or woman), pra apresentar um trabalho de conclusão de curso. Porque eu recebi da melhor forma os temas que assisti? (momento auto-entrevista)

Porque eram de amigos meus, cujo nervosismo eu partilhei, a cada palavra, cada suspiro nervoso e profundo eu dei junto. A quem não sentiu eu digo: sinto muito, só saberá quando chegar sua vez. Que possamos fazer esse exercício de empatia, que possamos nos colocar no lugar do outro, que não sejamos a maçã podre do cesto. Que encontremos dentro de nós o jurado bonzinho. Matemos o Pedro de Lara dentro de nós.

domingo, 25 de outubro de 2009

Eternidade

Em algum momento da vida creio que todos nós nos perguntamos, (ou será que somente eu no meu mundinho autista?) se faríamos falta na vida das pessoas. Ficamos imaginando cenas em que olharíamos tudo de fora, fora da cena. Nos bastidores como um bom obsessivo, como diria Vanda (professora de psicanálise). Acho que a influência que Ghost fez na vida das pessoas é demais de absurda, hehehehe.

Eu penso sobre a questão do legado, penso muito sobre isso. Aliás, não só penso vivo isso. Tentando fazer coisas, que costumo chamar de “eternas”, porque dá-se pra ler ambiguamente, como pra sempre e ternas.

É obvio, deixe-me justificar, que não sou assim com todos. Por uma simples vontade de não ser.

Alguns, não eu, se imaginam até em seu velório. Quem será que iria? Quem será que encontraria um tempo em sua agenda para ir responder ao contexto todo do “se mostrar triste.”

Quem será que diria: “como fará falta!”, “gostava tanto dele!!!” ou mesmo “ele era bom nisso, fazia aquilo como ninguém” (isso sim ficou ambíguo), ou gritar e se desesperar como um louco dizendo como, segundo Caco Antibes, pobre gritando... (Google responde) “me leva junto, me leva junto... pelo amor de Deus”.

Se pudesse fazer uma lista de convidados creio que não iria passar de umas 70 pessoas, não pessoas que eu sei que gostam de mim. Mas, pessoas que eu gosto. Que dá-se pra ler em mim facilmente, pois me influenciam. Pessoas que me ajudaram sem nem saber, e isso, mesmo que não saibam, é seu legado... Ter ajudado um ser como eu. Com palavras, ou sem elas.

Segundo o Chris Rock, Everybody Hates Chris, 2009, “legado é aquilo pelo qual nós seremos lembrados. (alguém deveria ter avisado o Michael Jackson) admiro mais não perco a piada.

É estranho pensar que o mundo continuaria igual sem sua presença, é estranho imaginá-lo sem ti. Como se ele ignorasse sua existência, pois ele de fato te ignora. Como se você fosse uma criança chata na beira da saia puxando e dizendo, “mãe, mãe, olha pra mim. Mãe, oh mãe, deixa eu falar”. Sabe aquela história de escrever um livro, plantar árvore e ter um filho? É como se fosse pra que alguém olhasse pra árvore e dissesse “quem plantou essa árvore foi o Douglas”, “quem escreveu esse livro foi o Douglas”, “esse é o filho do Douglas”, ou “eu sou filho de Douglas”. Para que alguém cite que um dia o Douglas, ou você, existiram.

As pessoas acordariam no dia seguinte e diriam: “a vida continua, deixe-me trabalhar”. Lembrariam de vez em quando das besteiras que dizia, ou das pérolas de sabedoria que derramo nos quatro cantos (humirrrrrrrrrrrde). Isso tudo diria de quem eu sou, diria da mensagem que quis, ou pude deixar.

Imagino que seria numa terça-feira, que todos seriam pegos de surpresa e que muitos nem saberiam, pois minha família não sabe quem são meus queridos amigos. Que seria um velório barulhento, não teria nem uma pessoa desesperada, gritando “me leva junto”, as pessoas que conheço não são desse naipe, ou será que teríamos surpresas? Hehehhe...

Talvez até aqui você pense que esse é um texto mórbido, de “vivas a morte” (vivas a morte... hehehe), mas pelo contrário. Creio que quanto mais certeza tenho de finitude mais quero viver. Mais vivo bem. Porque lá no cemitério, onde vive os mortos (vive os mortos, essa foi boa) há pais que desejaram ser melhores, amigos, filhos, irmãos que desejaram ser melhores, mas não foram... não gostaria de ser mencionado assim.

Em 2007 eu fiquei sabendo que um amigo tinha morrido. José Augusto tinha 22 anos, minha idade agora, e era um desses seres que parecem que nasceram pra marcar a vida das pessoas. Estava há alguns meses sem vê-lo, tinha perdido contato com ele, por uma desculpa de tempo, e tal. Foi a primeira pessoa significativa que perdi. Quando descobri que tinha falecido, fiquei alguns dias sem nenhum tipo de emoção a não ser indiferença, parecia que haviam sugado minhas emoções. Consegui elaborar luto depois de uma semana... chorei tanto que meu travesseiro teve que ser trocado. (isso não é exagero).

Senti-me que havia o abandonado, uma sensação nova... como se pudesse ter mudado algo, doce quimera!!!! (amo essa palavra). Mas, pensando depois fiquei feliz em Deus por saber onde ele agora estava, e agradecido por ter tido a oportunidade de conhecê-lo. Agora em outubro fez 2 anos que ele deu “até logo”, em quanto isso as lembranças me ensinam muito. Talvez não consiga coloca em pratica todas elas, mas estou tentando ser o máximo que puder ser “eu”. Que esse seja meu legado, que possam dizer que “Douglas foi o máximo Douglas que pôde”. “Enquanto viveu foi Douglas”.

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