segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dança Muda

Toda Mudança é uma libertação. De algum jeito se liberta de amarras que prendiam à uma antiga forma de enxergar determina (s) situação. Como de forma mágica aquilo que antes se passava de forma angustiada, despercebida se torna tão clara, fazendo com que a “leitura” da situação vá pra um lugar do “não” comum, algo que estava ali há tanto tempo. Estava ali gritando pra ser visto, mas não se podia ver, pois, precisava de novas lentes. Alguns chamam isso de maturidade, associando quase que instantaneamente com algo velho, algo próximo do fim. Assim como uma fruta madura que tem suas horas contadas quando avistada por nossos olhos.

Sem dúvida há uma segurança na maturidade, uma segurança estabelecida e fixada pela experiência. Por já ter sofrido determinada dor, por ter conhecido como é superá-la, por olhar para a cicatriz e se alegrar por saber que não causa mais dor, na verdade se torna um aviso, uma placa de “Não ultrapasse... perigo iminente”.

Mudanças nos aterrorizam e nos dão a sensação de que, de fato, estamos sós. Que podemos depender apenas de nós, e de nós somente. Com todas as imperfeições, inconstâncias, ignorâncias, essas mudanças batem em nossa porta nos exigindo uma postura, quando de forma mais assertivo, ou se apresenta apenas como um vento fraquinho que balança as folhas das árvores anunciando que, talvez, aja um temporal.

Quando era criança o que me aterrorizava era a idéia de me mudar, pra outra cidade. Ter que enfrentar uma nova escola, ter que fazer novos amigos, medo de não conhecer as ruas, medo de me perder como já havia acontecido comigo quando tinha 6 anos. Lembro que certa vez surgiu um papo na minha casa sobre se mudar pra Alagoas, a empresa que meu pai trabalhava tinha uma filial por lá, e meus pais que estavam enfrentando uma crise no casamento sugestionaram que talvez o melhor fosse sair da cidade (do Estado). Enquanto meu pai tentava nos convencer das maravilhas de se morar no litoral, tomar água-de-coco, ir á praia durante a semana, ficava imaginando como seria me despedir de tudo.

Eu tenho muita dificuldade pra me desapegar das coisas, tenho mudado nos últimos tempos, à passos de bebê é bem verdade, mas tenho conseguido me “livrar” das coisas. Antes tinha dificuldade de jogar até roupa velha, pois julgava que nunca iria encontrar algo parecido, e de fato isso é verdade, mas, quem se importa? Queria guardar tudo, cartas, entradas de cinema, embalagens, cadernos, livros... Talvez por medo de que se quando me desfizesse de tais coisas fosse me esquecer do que tinha vivido. Só que acabei caindo em minha própria armadilha, porque percebi que aquilo estava me limitando, romantizando determinado tempo. Precisava mudar.

Iniciou o ano de 2010 e com ele promessas de mudanças. Se já não bastava ser o último ano de faculdade, se já não bastava perceber que há um contador regressivo do tamanho do “Big Bang” na minha cabeça, me sinto ambíguo. Sinto-me esperançoso e com medo. Essa ambigüidade de sentimentos não me assusta, porque tenho cicatriz disso. Na verdade me sinto com vida, meus medos sempre produzem boas coisas. Enquanto observo algumas atitudes de pessoas próximas percebo o quanto amadureci nesses últimos quatro anos, e principalmente nos últimos meses, infelizmente esse amadurecimento não vem de forma tranqüila, não vem com garantias de que não haverá dor. Há sujeitos que amadurecem sem a experiência, que aprendem através de outros, mas, eu não. Não sou abençoado com tal dom. Preciso da experiência. Preciso me arrepender de algumas coisas que digo e de algumas coisas que faço. Mas, não preciso fazer tudo ou muito menos falar tudo, o que limita são os meus princípios, adquiridos e internalizados.

Todos nós ficamos esperando aquele momento em que tudo irá mudar, onde nós nos transformaremos em uma outra pessoa. O “Formado”, o “Casado”, o “Maduro”, o “Rico”, o “Dono da própria vida”, o “Em forma”, nos tornamos uma outra pessoa assim que começamos a construir qualquer um desse outro “eu”. A partir do primeiro passo, a partir da decisão, naquele exato e único momento estamos nos despedindo daquela pessoa, e nos tornando nós mesmos. A cada passo eu me torno mais eu mesmo. Porque a pessoa que desejo ser, já existe. Todos os sofrimentos (incomodações, infelicidades) é de sermos nós mesmos. Precisa-se deixar de ser-você, e se tornar um outro-você. As mudanças nunca se anunciam com trombetas elas chegam de mansinho, e por mais que queiramos desligar a luz nem um móvel sequer vai mudar do lugar, não é só porque não se vê que não está. Com a luz apagada fica pior, corre-se o risco de tropeçar, em coisas que nós mesmos colocamos lá.

Mudança é dança, mudança é dança muda... então, mude a dança. Boa sorte com isso!!!

10 comentários:

Leidy disse...

Nossa! Eu que o diga! Realmente mudar nem sempre traz só coisas boas! Eu por exemplo, nessa minha "dança" tive que aprender a conviver com coisas que não gosto muito, uma delas é ser mais solitária.. Qdo se amadurece, se enche com trabalho, objetivos, sonhos maiores, muda-se o estilo de vida e a gente acaba perdendo aquelas coisas que antes eram valorosas de mais pra nós, como uma tarde no shopping com uma pessoa especial ou uma caminhada de risos com amigos do colégio, coisas que se pudesse eu manteria pra vida toda! A gente vive melhor, mas em um conceito onde MELHOR não é exatamente o melhor, talvez pq somos serem muito complexos não é mesmo meu sabio amigo psicólogo?Infelizmente nessa dança nós não escolhemos o coreografia, só decidimos terminar a musica ou não! =) BEijo Doug!

Sara disse...

Confesso que até ontem tinha lido só metade do seu texto, sabendo que se tratava do tema "mudança" que tem martelado constantemente em minha cabeça, esperei mais um pouco pra não confundir meus pensamentos com os seus, rss. O ano de 2010 começou e junto com ele veio uma série de mudanças, que sinto nas coisas mais banais. É incrível como a maturidade te pega desprevinido se você não ficar atento a maneira gradual que nos transforma. Hoje, 6h30 da manhã eu estava no cursinho olhando os carros e tomando um café, foi ali, naquele momento singelo que eu percebi como as mudanças tem ocorrido em minha vida. Eu nunca gostei de café e odiava barulho de carro, mas me vi apreciando até mesmo o cheiro que vinha do copo quente do café e ouvindo os barulhos do carro quase como uma música cotidiana. O sol nascendo aos poucos, as pessoas passando alheias a qualquer desses tipos de pensamento e eu só pensava que tal qual a velocidade daqueles carros as mudanças acontecem rapidamente. Em mim, ou aconteceu, ou eu só percebi, há 2 meses. Tranquilidade, compreensão e até um sentimento de realização que só tenho conseguido associar com maturidade e uma nova compreensão à maneira de enxergar a vida. Enfim.. pra não me alongar demais: "Mudança é dança, mudança é dança muda... então, mude a dança", foi uma das frases mais bonitas e verdadeiras que eu li esse ano, mesmo que ele esteja só começando. Que visão, que percepção das coisas! Ótimo texto, um dos melhores. Bjos

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Leidy...
Ótimo comentário!!! É necessário muita coragem pra assumir o risco da mudança. E, sobretudo, assumir as responsabilidades por tal decisão.

Obrigado por Comentar, até o próximo!!!

Unknown disse...

É Doug, ja viemos conversando bastante sobre isso ñ é mesmo, eu tbm compartilho de mts de seus sentimentos expressos no texto.
Sabe que de outubro para cá venho mudando, aprendendo, conhecendo muito mais do que a algum tempo atrás, nessas férias então..nossa superei mtos dos meus medos, e como isso é bom ñ é mesmo?!Acredita que só alguns dias antes da volta as aulas que fui me dar conta que ainda era uma estudante, que não ia poder continuar nos 2 estágios e com a vida que estava tendo das férias(corrida, mas de constante superação) agora com a volta as aulas, com as tantas novidades deste último ano de faculdade espero continuar superando meus medos e encarando os desafios, confesso que tenho me visto um pouco mais ressabiada, mas tudo bem, isso tbm muda :D
Adorei:
"infelizmente esse amadurecimento não vem de forma tranqüila, não vem com garantias de que não haverá dor"

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Sara, é tão bom encontrar o contentamento, diferente de conformismo que é o sujeito que desiste. O "contento" se rende à própria alegria, torna as coisas suaves... Dali a pouco se surpreende e vê que até alguns gostos mudam...

Obrigado pelos elogios e, também, por comentar...

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Camila, afff, acontece de forma totalmente inesperada... quando percebemos já estamos com as tais "lentes novas", vendo por um ângulo novo...

Comente sempre, viu?!

: >

Unknown disse...

Quando eu entrei no orkut hj estava escrito Sorte de hoje: "A mudança é a lei da vida". Rs. Mto bom seu texto. E com relação à mudanças, elas sempre serão importantes nas nossas vidas, pois com elas sempre podemos tirar algo de bom e infelizmente, algo de ruim tbm. A maturidade vem tbm com as mudanças, e sempre precisaremos dela. Pra mim, 2010 vai ser com certeza um ano de mudanças, assim eu espero. Beijos Doug.

Ana Cristina disse...

Migo, sabe que acabei de ler seu texto e me pego a pensar em tudo o que já mudou na minha vida de cinco anos pra cá...mudança de cidade, adaptação, novos amigos, saudades dos amigos que estão longe, mãe e irmão indo para outro estado, mais responsabilidades, ser mais solitária/independente, faculdade, e agora que acabou a faculdade e já sou Formada, me sinto como se a vida estivesse começando agora...que muitas coisas estão por vir (concerteza nessas coisas dançarei uma musica não mto boa, mas que sem dúvida, as melhores danças prevalecerão)...mas a mudança é necessária para todos nós, para crescermos...
...adorei amigo...e já espero o próximo...

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Hustane, já está sendo, né?
percebo uma tranqüilidade em nós todos (você, mila, Dani)) e çreio que é por conta da maturidade...


Sempre ótimo ler seus comentários. Até o próximo.

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Ana, nem sempre nossas escolhas (ou imposições da vida)vem apenas com alegrias... É como decidir chegar á um paraíso, mas pra isso terá que passar por um vale terrível...
O bom é pensar que nada é pra sempre, ficar longe dos amigos e familia, num minuto tudo muda.
E, que bom nós não paramos.

Te espero daqui umas semanas no outro texto!!!

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