Não é que já se foi a primeira década do século 21? Alguém viu passar?
Eu tenho uma teoria do porque temos essa sensação de que o tempo passa mais e mais
depressa. Minha teoria: a medida que crescemos passamos a controlar mais o tempo.
Criamos horários pra tudo, olhamos no relógio centenas de vezes ao dia. Adquirimos
metas, prazos, criamos compromissos, como pagar contas. Que o tempo vai nos
engolindo, quando percebemos (ou quando realizamos) nos deparamos com o Papai Noel na Vila do papai Noel do shopping.
Esse tempo, 10 anos. Mudanças ocorreram comigo (graças a Deus). Lembro na escola sempre no fim de cada ano dávamos nosso uniforme pra ser assinado pelos colegas, (pra tristeza dos meus pais que sabiam que não poderiam aproveitar o uniforme no ano seguinte), uma coisa que recorrentemente era escrita: “Espero que você não mude, que continue sendo essa pessoa... blá, blá, blá” Pensava: eu sei o que quer dizer, mas tomara que não se cumpra.
Desde aqueles tempos tinha sonhos GIGANTES que sabia que não conquistaria se continuasse do JEITO que eu era. E nisso tenho convicção, o meu estado atual só me proporcionou o que já tenho, o que sei me levou exatamente no lugar em que estou. As mudanças precisam acontecer pra me levar pra outro lugar. (Isso era tão difícil de ser colocado em palavras. Não é mais.)
A verdade é que o ontem é um grande esboço. Uma cesta de lixo no canto do quarto lotado de papel amassado (que nenhum ambientalista leia isso). E eu, sou o Newton observando a Maça Cair. (essa comparação dever ter feito Newton sentir azia lá dentro do caixão).
Nesses dez anos, nessa primeira década do século XXI, aconteceram as maiores mudanças da minha vida. (a mais importante e traumática, Cancelaram Chiquititas). Sério, foi nessa década que eu me dei por gente. Em pensar que em 2000 estava na 6° série, recém chegado em uma escola nova, e conhecendo meus Grandes Amigos. Uma turma boa que me acompanha até hoje.
Lembro de uma coisa que fazíamos. Eu, Jackson e Salvador, saiamos da escola no intervalo (um agradecimento especial ao guardinha que, sei lá porque, confiava na gente) e íamos comprar Playboy na banca de revistas velhas. Se pensar bem, isso é nojento. As revistas estavam usadas. Lembro dos campeonatos de Mortal Kombat, Lembro das brigas, que pareciam cenas de novela. Adolescente é mais dramático que Thalia de TPM.
A verdade é que ninguém pode com o tempo, ele é soberano implacável, (como Jack Bauer e Chuck Norris). Ele se apossa de nossa história e dita o ritmo, se sente o Carlinhos de Jesus. Sei que falar de 10 anos é falar de algo aprisionado, porque tendemos a esquartejar tudo. Como se dez anos acontecesse sem ligações com o passado ou com perspectivas de futuro. Mas, é disso que estou tentando dizer.
Nada acontece isoladamente, nenhum acontecimento é ilhado. Chegamos nessa época do ano e fazemos nossas resoluções e ficamos introspectivos com a sensação de que algo nos escapou. Algo que estava para além de nosso controle. Olhamos pra trás, olhamos para o ano e sentimos que apenas passamos-por, que poderia ter sido melhor nisso ou naquilo. Acho engraçado (sem graça nenhuma) como tentamos a todo custa controlar o passado, como se pudéssemos moldá-lo, transformá-lo tirando todos os carrapichos dos erros. Olhamos para o presente como algo irreal, menos tocável (até) que o próprio futuro, porque na medida que dissemos “agora”, já estamos em um “depois”, sendo assim o presente não existe, ele é apenas a representação da vontade imediata. Pensar assim te dá uma visão mais ampla, que a cada “agora” é um começo pra chegar em algum lugar desejado. Porque chegamos exatamente no lugar em que estamos indo. Só que não há um caminho de tijolos amarelos. Não há mapas, nem trilhas, nem indicações... talvez, alguns pontos de referência... mas, então, o que há?
Há companheiros de Caminhada. Amigos que estarão junto contigo no caminho. Em Mágico de OZ, os personagens tem objetivos diferentes, uns dos outros. Dorothy queria voltar pra casa, (como o Nemo), o Espantalho queria um cérebro (conheço umas pessoas que desejam isso também), O Homem de Lata queria um coração, (assim como Bin Laden), e o Leão deseja ter coragem, (assim como o Coragem, o Cão Covarde). Apesar de cada um ter um objetivo diferente, seguiram juntos pelo caminho, enfrentando cada uma das Armadilhas da Bruxa Má do Oeste. Eles estavam juntos.
Por isso, companheiros do caminho. Agradeço-lhes até aqui. Obrigado por estarem comigo nessa primeira década do século XXI. Obrigado por estar comigo quando a Bruxa Má do Oeste tenta mais uma das suas. Não há palavras que alcance o quanto me sinto feliz por tê-los por perto, por me ajudar a construir o nosso próprio caminho de tijolos amarelos. Obrigado por cada palavra de incentivo, de elogio (até alguns que eu permito que me corrija, Cris, Marcelo, Eliane...). Eu os ouvi. Se algo não nós faltou foram risos, lágrimas, sangue e suor, cada um manifestado com muita paixão, com muita vontade de viver. Com metas e MISSÃO. (Somewhere over the Rainbow)
Sei que mesmo, que diga “agora”, “agora”, “agora”, milhões de vezes nunca me abandonarão, pois já estão em mim. Mesmo que deixássemos de conviver continuaria me ensinando grandes coisas (Grandes quanto os são) através da minha memória. Amo vocês, companheiros do Caminho de Tijolos Amarelos, espero que tenhamos Cérebro (essencial), Coração, e Coragem para sempre voltar pra Casa. Deus os Abençoe!!!

