sexta-feira, 5 de março de 2010

Penso que penso demais!!!

Uma coisa tem me intrigado ultimamente. Na verdade várias coisas tem me intrigado. Que bom, né? Significa que eu penso. Penso logo desisto como diria “Descarte”.

Aliás, penso que meu problema é justamente pensar demais. (Droga!!! Só nessa frase tem dois “pensar”). Lembro que uma vez um professor meu de matemática, Leônidas, típico professor, com seus 38 anos, com um sotaque cuiabano melhor que de Nico e Lau (leitores do meu Brasil, joga no Google), e um orgulho (ainda não sei bem porque) de ser do município de Mimoso, me disse assim: (com sotaque por favor) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”. Eu, o afobado, no alto do maior drama (sempre) estava declarando a ele minha definitiva deficiência em matemática. Com o caderno aberto, meio abandonado em cima de minha mesa, com as costas inteiras encostadas na cadeira e, com os braços pendurados, nessa postura de mãe ao fim do dia, ele se aproximou e me perguntou o que estava acontecendo. Respondi e, ele me ofereceu ajuda, começou a explicar aquela formula idiota, depois disse: “agora é C’ocê”. Fiquei imóvel olhando, ora pra ele, ora para o caderno. E ele soltou à frase citada. (leia de novo) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”.

Sim eu penso demais. E às vezes... como isso me atrapalha. Quero logo falar do equilíbrio, porque a tendência é sair de uma coisa exagerada e ir para o oposto, mas também exagerada. E ficamos nos”gambando” de que mudamos, de que evoluímos, que estamos pegando mais leve. É como se quando estivéssemos tirando uma venda dos olhos, ao mesmo tempo estivéssemos escolhendo uma outra, agora com estampas mais bonitas. (amo exemplos idiotas). O sujeito é super analítico e de repente se torna um “nem-penso-faço”.

É claro que devemos pensar em algumas situações, devemos colocar em listas (né? Sara) nem que sejam em nossas cabeças os pontos positivos e negativos disso ou daquilo. Já que algumas decisões parecem (eu disse: parecem) ser definidoras. E, há conseqüências.

O que o tio Leônidas, quis me dizer foi que não adiantava eu ficar olhando para o caderno pensando em como resolver aquela orgia de números e letras que davam zero no final (pra quê? Se o treco dá zero no final?). Eu precisava praticar porque se as dúvidas aparecessem no caminho teria à quem recorrer. Mas, eu não. Se não tinha entendido na primeira explicação, já não queria mais saber. Ele me fez uma proposta, praticar em casa, eu fiz isso!!! Entendi, e acabei gostando. (passou). E gostei porque estava dando certo, no começo achei estranho dar zero. Refazia várias e várias vezes, pra descobrir nas aulas posteriores que era isso mesmo. (Perda de tempo, Pô!!!)

Em Psicoterapia Breve (Google já) existe um termo chamado EEC (Experiência Emocional Corretiva), que nada mais é, explicando na miúda, algo que é dito por alguém que causa tamanho significação à quem ouve que gera uma mudança interna. Por exemplo, o sujeito faz o estilo largadão, aí tem algum evento que ele é “obrigado” a se vestir melhor. Chega alguém e faz um comentário totalmente sem a intenção de gerar tal mudança (até porque isso não tem como ser previsto): “Como você fica bem vestido assim! Com o cabelo assim”. O sujeito passa a prestar mais atenção em sua roupa, em como arruma o cabelo, se percebe e, de fato, muda.

O que o professor fez foi algo próximo disso. “Poxa!!! Eu penso demais”. Ou seja, “sai daí”. Saia dessa posição. Se levante (toma teu leito e anda). Rsrsrsrs.

Talvez tenha ficado mais “ação” depois disso. Sabe?! Parar de sofrer com o caderno aberto, achando que eu sou burro por não ter entendido a explicação. O que na verdade não adianta nada entender a explicação de primeira, ela não muda o fato do exercício ainda não ter sido feito, e nem me dá autoridade de eu declarar terror à matemática. O mais interessante foi descobrir que depois de ter feito alguns exercícios eu internalizei o processo. Dali alguns passos básicos era pura dedução.

Na faculdade vi isso. Tenho estágios obrigatórios (não remunerados), desde o segundo semestre. Se nas aulas teóricas achávamos que tínhamos entendido tudo, era nas práticas que constatávamos que as aulas teóricas só tinham autoridade de serem porque eram produtos de práticas. Quebrei a cabeça algumas vezes. Se disser que entendi a psicanálise depois de 4 semestres não por falta de leitura, nem tão pouco por falta de interesse, apenas falta da prática, vocês não me consideraram lerdo, né? Quando entramos em textos de Freud do fazer do terapeuta, aí me veio a epifania. (Que burro!!! O Word não conhece essa palavra). Tem gente que quer que eu explique em 15 minutos sobre isso. Eu até me arrisco porque quem pergunta merece uma resposta, mas não exija de mim a explicação da essência, porque eu também sou novo nisso. Quando me arrisco, ainda ouço: “Que bobagem. Esse Freud era louco mesmo”.

Existe uma frase que dizem da Índia (não a Serena, o país), “para se entender a Índia é preciso ir a Índia.” Por mais que a teoria, o blábláblá, a explicação, dê suporte para o entendimento é a experiência em loco que dá a idéia do todo. Se tentar explicar a Deus, e como é se relacionar com ELE não parecerá mais nada do que disse-me-disse religioso. Se você acha complicado entender a Deus ouse experiência-LO.

O mesmo acontece sobre as pessoas. Você ouve muito falar sobre alguém, as vezes com a visão de outras, o cômico é que somos tão “apaixonados” que compramos facinho a percepção alheia. Se chega alguém e diz que alguém desse ou daquele jeito, dissemos: “Ah, é? Não sabia que fulano é assim.” Basta isso pra gente ler a pessoa citada a partir desses óculos, o legal é quando damos o benefício da dúvida e descobrimos alguém tão bacana, bem diferente de como pensamos. Sei que a vida não é um exercício de matemática, graças a Deus, né? Porque chegar no final e dar zero, como diria um vendedor de feira de bairro: “é pra acabá!” Mas, em algumas situações só a experiência nos dará autoridade, pra dizer se gostou ou não. Vamos nos deparar com a sensação de que foi um tempo perdido, eu prefiro acreditar que foi um tempo investido em aprendizagem. Se no fim der zero pelo menos posso dizer com convicção que odeio matemática.

12 comentários:

Unknown disse...

Adorei, confeço que hj tõ meio cansada pra pensar bem em td q escreveu (até aqui tem o tal do pensar), mas qqr dia volto aqui, leio denovo e comento denovo,rsrsrs. Adorei o final, e associando a um dos assuntos que conversamos ontem, acho que pode me ajudar nessa fase de incertezas da facul, com tantas dúvidas do futuro, ñ to vivendo direito o presente, talvez eu goste de matemática mesmo se a conta der -1 no final,rs (ta vendo culpa sua, vc me influência a fazer piadinhas sem graças :P)

Sara disse...

Concordo que muitas vezes nós queremos mudar de tal forma que não percebemos que estamos apenas tendo uma nova visão daquilo que suponhamos certo. Quando a gente conhece uma pessoa que é completamente diferente do que ouvimos falar dela não significa que ela tenha mudado, mas a nossa percepção sobre a pessoa, a nossa visão sobre ela que foi alterada. Na verdade trocamos um óculos por outro, já que a visão muda. Mas que bom que existem tantas máscaras, e ser for para mudar para melhor que assim seja (ainda que "melhor" seja tb só um ponto de vista) rsss. Complexo, muito complexo. A verdade é que geralmente a teoria é mais fácil que a prática, o comodismo é mais fácil do que a ação, e pensar de menos é mais fácil do que pensar demais, mas... onde é que tá a graça se as coisas não forem - de certa forma - complicadas? mas lembre-se o fácil e o complicado tb são só um ponto de vista.. rsssss
Adorei o texto! E sim, ainda coloco as coisas em listas, coisa irritante, mas cada vez menos frequente rss
Sei que dá pra extrair outras idéias do texto, mas vou me limitar a comentar essa, por enquanto.
Enfim... pensei tanto que meu cérebro fundiu e estou começando a pensar coisas sem nexo (ou que talvez tenham).
:*

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...

humm.. que isso em Douglas você escreve muito bem.. adorei esse seu texto..
o que mais me deixou intrigada é que realmente as vezes agente fica pensando demais diante do problema
e se não ir pra prática ficamos na inércia reclamando que não sabemos ir em frente ou resolve-lo.. ou até mesmo achando que sabemos e tá tudo certo
sem contar qdo já temos medo de que no final dê tudo 0 (em nda)

parabéns viu adorei o blog ;*

Psicólogo Douglas Amorim disse...

hehehehe, Mila, quanto as piadas sem graça posso dizer que é como uma gripe mesmo, todo mundo pega.


Te agradeço pelo esforço de se colocar a pensar mesmo cansada, heheheh

Até o próximo!!!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

afff, Sara, tenho me permitido mudar de óculos e tenho tido ótimas surpresas. Acho que pegou bem o espírito (não do mal) do que queria falar no texto.

tem cumprido o que prometeu de ser mais profunda nos comentários, estou orgulhoso.

Obrigado sempre!!!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Nay, que maravilha que passou por aqui. Obrigado pelo elogio...

Olha é vdd, somos "picados" uma vez só por experiências que deram zero, daí passamos a pensar que tudo dá o mesmo resultado. Ficamos parados com medo do antigo resultado, tenho entendido em Deus que preciso continua mesmo com o medo. Confiança não é a ausência do medo, é a atitude frente ao medo. (espero corresponder a isso)

Bjos no topo da cabeça, até a próxima!!!

Leidy disse...

Heey! Vc escreveu isso depois de conversar comigo??
Na verdade eu nunca fui mto de "pensar e repensar", sempre fiz pra ter certeza se era aquilo mesmo.. A velha história: "Prefiro me arrepender do que fiz do que me torturar por não saber como seria se tivesse feito!" Mas muitas vezes isso me prejudicou um pouco e se eu tivesse pensado um pouco mais talvez, teria me poupado de muitas coisas! Confesso que tenho um pouco de problema com o esperar, o pensar e é uma coisa que preciso exercer! Sendo assim Doug, acho que pensar de mais pode ser a solução para os problemas de algumas pessoas tbm! Tudo é mto relativo! Somos seres complexos demais e a cada dia que passa e descubro um pouco mais de mim fico fascinada em como pode caber tantas coisas em uma pessoa só e como eu, você, o ser humano, pode encontrar tantas duvidas em suas próprias respostas..E como Deus é tão M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O por me aturar! =]

BeiiiiiiiijO Dôgraas!

Unknown disse...

hehe, Doug sempre expondo suas idéias, sempre pensando né!rs. Penso (putz, olha aí a palavra, rs) que as vezes temos que agir, não deixar tudo acontecer porque perdemos mto tempo pensando, pq como vc mesmo disse, é na ação que "descobrimos" ou constatamos, se realmente sabemos ou não. Parece que quando estamos concluindo alguma coisa em nossa, isso que está sendo concluido nos provoca o pensar, ainda mais agora no ultimo ano de facul...mas enfim, nunca deixaremos de pensar, nem podemos fazer isso né! Mas com certeza, temos que agir! A regra é: Pensar e colocar em prática esse pensamento!

bjuss doug, "atoroon" seus textos! rs

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Leidy, você disse uma coisa legal, só pra destacar uma de tantas. Sobre se conhecer e se surpreender consigo mesmo, acho que é bem isso. No processo de conhecer as coisas, de experimentar,e ter certeza se é isso que eu quero, nós "invadimos" um lugar onde estamos lá escondidos, com medo. E, é nesse Resgate de nós mesmos que ganhamos confiança pra continuar a caminhada, não sem medo, não sem obstáculos, apenas com fé. Certeza daquilo que não se vê.

comente sempre, até o próximo!!!!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Hustane, muito bem, muito bem!!!
Apontou de forma brilhante o espírito do texto: "Pensar e colocar em prática esse pensamento!" É, isso. Olha aí o tal equilibro citado. O segredo das incertezas, planejar (pensar), e transformar o planejamento em um produto. Nó somos o produto de nós mesmos, somos os fabricantes, o produto, e o consumidor!!!!

Bem çomplexo, diria mais...
Mais complexo que beijar o próprio cotovelo!!!

Ana Cristina disse...

Nossa amigo, adorei o texto, de verdade, acho que o melhor que li até agora, tá ficando bom nisso hein...rsss. Olha como Deus é maravilho, colocou o professor Leônidas com todo aquele sutaque cuiabano e através da matematica vc pôde ver e experenciar tal mudança. Saudades daqueles nossos tempos. Amei quando falou sobre experenciar Deus. Que todas as pessoas que leram e forem ler esse texto possam ter tal realidade.

Desculpa a demora amigo...antes tarde do que nunca...rsss

bjus ^^

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