Às vezes me pego perguntando se vale a pena continuar acreditando no ser humano. Pense bem, as pessoas que você mais ama são as que possuem as ferramentas mais cortantes para te ferir. Possuem armas carregadas com a permissão da intimidade. São elas que sabem exatamente, pela permissão dada por você mesmo, como te ferir. Então, como confiar em alguém?
Gosto muito de uma filosofia, (gosto porque acho engraçado e, também, porque sempre imagino a cena. Quem assistiu o fantástico mundo de bob é bem mais inspirado), enfim, a filosofia diz assim: “Cachorro que foi picado por cobra tem medo até de lingüiça. (trema em lingüiça, isso é tão ano passado)
Vamos pensar um pouco. Copiei essa do Telecurso 2000. (senta que lá vem filosofia de fila de banco)
O cachorro tem medo daquilo que antes o impulsionava a se atrever a entrar na casa e puxar da mesa a sacola em que as lingüiças inocentemente descansavam. Meu cachorro, já falecido, Tigre fez isso algumas vezes com o frango que estavam atrasadamente descongelando na pia dos fundos, eu dizia para minha mãe: “é melhor ter o almoço atrasado do que perdê-lo para o Tigre”.
Olha só, ele (o cão metafórico) imaginou que a linda trança de carne era uma cobra que o havia picado tempos atrás. (hum, interessante. Fale me mais sobre isso. Lingüiça, né?)
Ele fez de uma experiência, uma porque no caso do cão foi picado uma vez só, a verdade absoluta. (se é verdade então é absoluta. Certo pleonasmo? Sei lá.)
Já dei varias mancadas com amigos, sou falastrão e já meti com a língua nos dentes. Machuquei pessoas com palavras, a diferença é que aprendi que a transparência é o segredo. E a transferência é um tesouro que as pessoas vão perdendo ao longo da vida. Eu assumo meu erro numa boa, admito que estou errado e me arrependo genuinamente. Demonstro através de ações que o que fiz tem de haver restituição. É fácil nos percebermos no papel da cobra.
Lembro-me uma vez que emprestei uns CDs de um amigo e acabei arranhando dois CDs. Compartilhei com um outro amigo sobre o acontecido, o Weverto que me disse o seguinte: “Douglas, (amo quando dizem meu nome no começo da frase a lição fica mais bonita, os milésimos de segundo que demoram na continuação da frase é mágico), já está arranhado, está feito. Não diga a ele (o dono dos CDs), que isso aconteceu, antes compre CDs novos e oferece a ele junto com os velhos (e arranhados) e ele decide o resto.
Weverto nem se lembra disso, certeza, mas isso me ensinou que há poder na restauração, na restituição. Não podia simplesmente devolver os CDs arranhados, por que provavelmente o dono não iria reclamar para mim, mas sem dúvida isso iria definir nossa relação. Eu seria transformado no “folgado” que arranha CDs.
Não há como desfazer erros, eles estão feitos. Assim como não há forma de se parar uma flecha lançada (à menos se você for o Jack Bauer), as palavras são como flechas, flechas que jamais retornam. Você tem uma escolha quanto as palavras, não lançá-las. Dirige-as antes a ti mesmo e vê se o que podem produzir é o efeito que você deseja.
Creio que um erro só pode ser reparado na admissão deste. Para isso é preciso parar de ignorar o elefante no meio da sala.
Digo tudo isto porque fui injustamente, não na visão de quem fez, expulso de um grupo de apresentação da faculdade. Sim, caros leitores (isso soa tão bem), eu fui expulso. Assim como expulsava o tigre de perto do frango, mas ele era mais esperto e se aproveitava dos momentos em que, ou o telefone tocava ou a vizinha vinha pedir açúcar para colocar no bolo que só não estava ainda no forno por falta de algumas colheres deste produto “canaviril” que revolucionou as padarias.
Enfim, me expulsaram porque, de fato, dei mancada. Faltei uma apresentação de um trabalho anterior. Mas antes que pudesse me justificar. (os motivos de minha falta jamais conhecerão). Colocaram-me para correr do grupo como se fosse um peso morto, me senti a mosca da bosta do cavalo do bandido da novela do SBT, ou seja, abaixo de barriga de cobra.
Não levaram em consideração nada, nem o fato de sermos amigos. Não haveria um jeito certo de expulsar alguém, mas merecia o direito a defesa, tomar uma decisão como essa, julgar e condenar alguém sem nem ouvi-la é cruel.
Criminosos repulsivos como pedófilos tem o direito a se defender, eu não tive. Fiquei triste por se tratar de uma decisão tomada por três pessoas, uma eu sei (SEI) que não gosta de mim, mas duas eu acreditava ser meus amigos.
Estou há um mês após isso ter ocorrido me perguntando: como confiar no ser humano? O que é perdão? Devo no dia seguinte dizer: E aí, tudo bem? Gimme Five, friends. Isso é perdão?
E a conclusão que chego é que você tende a acreditar assim como o cachorro evita as “saborosas lingüiças” da vida porque foi picado por uma cobra. (não estou comparando ninguém a cobra é só uma metáfora bobinha e totalmente reveladora, pelo menos para mim. (se é reveladora então é totalmente. Certo pleonasmo? Sei lá). Não é possível viver bem, ter boa relação pensando que tudo é cobra. O Homem é reflexo do amor de DEUS, não tem como amar um e ignorar o outro, eu amo a DEUS. Seria incoerente colocar todas as pessoas num só patamar. Por isso faço o exercício contrario aos pensamentos automáticos (isso é tão psicologia comportamental) de que todo Homem é mal, podem até ser, mas creio
Não tenho raiva do tigre, nunca o amaldiçoei por me levar o frango do almoço porque estava agindo exatamente como um cão agiria. Ele marcou minha infância, tenho saudades dele. Viveu 12 anos, mais da metade da minha vida. E quando ele se foi, eu o deixei ir, muito triste, mas eu o deixei ir. Eu havia perdoado.
Perdão é isso, deixar ir. E fazer de uma experiência ruim um livro de sabedoria. (nunca deixar o frango na pia nos fundo, o Tigre vai abocanhá-lo), não confundir atos isolados como determinações. Então para o cão perdoar seria entender que a cobra deve ir, deixar essa cobra é parar de confundi-la com lingüiça.
E quando esse cão voltar a se atrever entrar na casa e avançar sobre a sacola na mesa onde a lingüiça está dando sopa, ele estará demonstrando que perdoou... e o que a cobra tem a ver com isso? Nada, estava agindo exatamente como uma cobra agiria.
Tigre, saudades.


10 comentários:
humnnnn tá kabulando aula heinn...onde vc tava hein amigo pra ter faltado a duas apresentações....??rssss
Tigre...não lembro dele...
bjus
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Ana Cristina
Bom, primeiro tenho que ser reduntante e falar aquilo que já te disse milhares de vezes: eu gosto muito da maneira como vc escreve, tudo parece tão simples, apesar de complexo, e não dá vontade de parar de ler, quando acaba o texto eu já vou ficando chateada rss..
Concordo que o ditado funciona tb para pessoas, nós realmente vamos nos afastamos daquilo que nos fez mal uma vez. Ontem até tava conversando com um amigo sobre isso, das mudanças que eu tive ao longo do tempo por realmente evitar atos que poderiam trazer consequencias semelhantes àquelas que me chatearam outrora.
Enfim, escreva mais!!
Bjos.
Sara.
Ana, não eu faltei uma só paresentação tive um crise renal e dores terriveis nas costas, até iria, mas acordei atrasado por conta de um chá q estou tomando q dá muito sono. infelizmente não tive tempo de me explicar fui expulso de um outro trabalhoq fariamos dali uam semana. qto ao tigre eu estou tentando escanear um foto para colocar aqui dele, ele era um cachorro bonito e raro, saudade muitas...
obrigado por ler e mais por comentar, vcs são meu combustivel
Sara, é um caminho doido lidar com pessoas q te fizeram mal... vc precis atomar uam decisao terrivel, dar uma chance. Mas essa cahnce será para q acertem, ou errem de novo, Jesus disse para perdoarmos 70x7, para isso é preciso conhcer intimamente Ele...
os caminhos percorridos q conehcemos os perigos são os mais dificies para trilhar, ams q possamos transformar essa experiencia em sabedoria, q possamos nos permitir mais...
amo vc, obrigado por me permitir fazer parte da sua vida...
Todos um dia teremos nosso momento cachorro e nosso momento cobra, é o movimento natural da vida...
Saber distinguir estes momentos e agir com sabedoria diante da situação é o que nos torna sensíveis o suficiente para viver de modo menos prejudicial aos outros e à nós mesmos.
Adorei a sua reflexão, continue compartilhando conosco. Abraços
É verdade Karol, sabe uma coisa?! As vezes eu penso que as pessoas se esquecem que suas atitudes sempre dizem respxeito aos outros. É óbvio que vc deverá em algumas situaçoes decidir entre vc e o outro, mas ainda nessa encruzilhada pode faze isso de forma ética. Sendo sincero.
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bem conhecendo o caso, e compartilhando as experiencias com o Doug sei muito bem o que ele passou, tambem pude sentir isso na pele, nao é nada agradavel se ver sozinha numa sala de quase 40 alunos. é Dificil falar tanto do "cachorro" como da "cobra", são pessoas que tenho grande consideraçao, mesmo nao tendo mais contato, creio que um dia a cobra será o cachorro e talvez nesse dia haja realmente o perdão. Douglas estarei sempre sentada na cadeira ao lado ;)
Fran, vc é uam querida,
obrigado por ler meu blog...
bjos
"[...]as palavras são como flechas, flechas que jamais retornam. Você tem uma escolha quanto as palavras, não lançá-las. Dirige-as antes a ti mesmo e vê se o que podem produzir é o efeito que você deseja.[...]
Valeu Douglas (o diretor), apreciei seu jeito de se expressar sobre aspectos comportamentais do ser humano...o trecho acima acresenta muito pra mim!!!Vai de acordo com o que Tiago 3 fala.
Abraços meu caro!!
_O//
Domingos de fato minha primeira referência é a Palavra, ... Não canso de ler tiago, aliás, Pedro e Tiago são livros que gsto muito de ler...
Obrigado por ler me blog,e meuito mais por comentar
Deus o abençõe!!!!
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