sábado, 19 de dezembro de 2009

É só seguir o Caminho de Tijolos Amarelos

Não é que já se foi a primeira década do século 21? Alguém viu passar? Eu tenho uma teoria do porque temos essa sensação de que o tempo passa mais e mais depressa. Minha teoria: a medida que crescemos passamos a controlar mais o tempo. Criamos horários pra tudo, olhamos no relógio centenas de vezes ao dia. Adquirimos metas, prazos, criamos compromissos, como pagar contas. Que o tempo vai nos engolindo, quando percebemos (ou quando realizamos) nos deparamos com o Papai Noel na Vila do papai Noel do shopping.
Esse tempo, 10 anos. Mudanças ocorreram comigo (graças a Deus). Lembro na escola sempre no fim de cada ano dávamos nosso uniforme pra ser assinado pelos colegas, (pra tristeza dos meus pais que sabiam que não poderiam aproveitar o uniforme no ano seguinte), uma coisa que recorrentemente era escrita: “Espero que você não mude, que continue sendo essa pessoa... blá, blá, blá” Pensava: eu sei o que quer dizer, mas tomara que não se cumpra.
Desde aqueles tempos tinha sonhos GIGANTES que sabia que não conquistaria se continuasse do JEITO que eu era. E nisso tenho convicção, o meu estado atual só me proporcionou o que já tenho, o que sei me levou exatamente no lugar em que estou. As mudanças precisam acontecer pra me levar pra outro lugar. (Isso era tão difícil de ser colocado em palavras. Não é mais.) A verdade é que o ontem é um grande esboço. Uma cesta de lixo no canto do quarto lotado de papel amassado (que nenhum ambientalista leia isso). E eu, sou o Newton observando a Maça Cair. (essa comparação dever ter feito Newton sentir azia lá dentro do caixão).
Nesses dez anos, nessa primeira década do século XXI, aconteceram as maiores mudanças da minha vida. (a mais importante e traumática, Cancelaram Chiquititas). Sério, foi nessa década que eu me dei por gente. Em pensar que em 2000 estava na 6° série, recém chegado em uma escola nova, e conhecendo meus Grandes Amigos. Uma turma boa que me acompanha até hoje. Lembro de uma coisa que fazíamos. Eu, Jackson e Salvador, saiamos da escola no intervalo (um agradecimento especial ao guardinha que, sei lá porque, confiava na gente) e íamos comprar Playboy na banca de revistas velhas. Se pensar bem, isso é nojento. As revistas estavam usadas. Lembro dos campeonatos de Mortal Kombat, Lembro das brigas, que pareciam cenas de novela. Adolescente é mais dramático que Thalia de TPM.
A verdade é que ninguém pode com o tempo, ele é soberano implacável, (como Jack Bauer e Chuck Norris). Ele se apossa de nossa história e dita o ritmo, se sente o Carlinhos de Jesus. Sei que falar de 10 anos é falar de algo aprisionado, porque tendemos a esquartejar tudo. Como se dez anos acontecesse sem ligações com o passado ou com perspectivas de futuro. Mas, é disso que estou tentando dizer.
Nada acontece isoladamente, nenhum acontecimento é ilhado. Chegamos nessa época do ano e fazemos nossas resoluções e ficamos introspectivos com a sensação de que algo nos escapou. Algo que estava para além de nosso controle. Olhamos pra trás, olhamos para o ano e sentimos que apenas passamos-por, que poderia ter sido melhor nisso ou naquilo. Acho engraçado (sem graça nenhuma) como tentamos a todo custa controlar o passado, como se pudéssemos moldá-lo, transformá-lo tirando todos os carrapichos dos erros. Olhamos para o presente como algo irreal, menos tocável (até) que o próprio futuro, porque na medida que dissemos “agora”, já estamos em um “depois”, sendo assim o presente não existe, ele é apenas a representação da vontade imediata. Pensar assim te dá uma visão mais ampla, que a cada “agora” é um começo pra chegar em algum lugar desejado. Porque chegamos exatamente no lugar em que estamos indo. Só que não há um caminho de tijolos amarelos. Não há mapas, nem trilhas, nem indicações... talvez, alguns pontos de referência... mas, então, o que há?
Há companheiros de Caminhada. Amigos que estarão junto contigo no caminho. Em Mágico de OZ, os personagens tem objetivos diferentes, uns dos outros. Dorothy queria voltar pra casa, (como o Nemo), o Espantalho queria um cérebro (conheço umas pessoas que desejam isso também), O Homem de Lata queria um coração, (assim como Bin Laden), e o Leão deseja ter coragem, (assim como o Coragem, o Cão Covarde). Apesar de cada um ter um objetivo diferente, seguiram juntos pelo caminho, enfrentando cada uma das Armadilhas da Bruxa Má do Oeste. Eles estavam juntos.
Por isso, companheiros do caminho. Agradeço-lhes até aqui. Obrigado por estarem comigo nessa primeira década do século XXI. Obrigado por estar comigo quando a Bruxa Má do Oeste tenta mais uma das suas. Não há palavras que alcance o quanto me sinto feliz por tê-los por perto, por me ajudar a construir o nosso próprio caminho de tijolos amarelos. Obrigado por cada palavra de incentivo, de elogio (até alguns que eu permito que me corrija, Cris, Marcelo, Eliane...). Eu os ouvi. Se algo não nós faltou foram risos, lágrimas, sangue e suor, cada um manifestado com muita paixão, com muita vontade de viver. Com metas e MISSÃO. (Somewhere over the Rainbow)
Sei que mesmo, que diga “agora”, “agora”, “agora”, milhões de vezes nunca me abandonarão, pois já estão em mim. Mesmo que deixássemos de conviver continuaria me ensinando grandes coisas (Grandes quanto os são) através da minha memória. Amo vocês, companheiros do Caminho de Tijolos Amarelos, espero que tenhamos Cérebro (essencial), Coração, e Coragem para sempre voltar pra Casa. Deus os Abençoe!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Maçã Podre

Cadê o afeto minha gente brasileira? Meu Deus, onde foi parar a tal da empatia?

Me irrito quando ouço pessoas cada vez mais críticas, precisas, técnicas, exigentes...

Eu tenho problema? Alguém corrobore isso!!! (ou pelo menos me diga o que signifique “corroborar”) Sério, juro pela vida do Faustão que eu tento, tento me controlar a não acessar a parte mais sarcástica de mim. Mas, não resisto.

Parece que todos se tornaram o Pedro de Lara, o jurado malvado do programa de calouros... fico abismado com a perda da capacidade de se “afetuar” ,pelas pessoas. Parece que víramos especialistas em tudo, queremos meter bedelho (caracólis, essa palavra é velha) em tudo. Temos opinião pra tudo, opinião critica sobre tudo e todos. Deve ser engraçado ouvir (ler) isso justamente de mim, porque se existe alguém assim esse sou eu, mas falo muito mais pra provocar riso do que de fato pra julgar...

As pessoas são “entendidas”, sabem de tudo... se sentem a Veja da semana, com tudo resumido, explicado, detalhado... tem até as páginas amarelas (isso é na Veja?), só não tem carta do leitor (reposta ao leitor ou coisa assim).

E porque esse assunto me ocorre?

Estou ouvindo o último CD de Jamie Cullum, The Persuit gosto muito de Jazz, e a mistura de Jazz, R&B e POP que ele faz é inédito. Gosto justamente por ser diferente, tem umas pegadas de piano que dão uma sofisticada nas músicas. Antes de ouvir o CD (conseguido via download), entrei na comunidade no Orkut dele pra ler criticas. Havia um “ser” reclamando do CD. Dizendo que estava, em suas palavras “Uma quase completa bosta”, primeiro não entendi essa frase, “quase e completa” pra explicar o mesma coisa é estranho. Penso que o querido crítico não se permitiu afetar pelas músicas, não se permitiu ouvir as letras, ele ouviu pra julgar. Se tornou um critico musical, “mas, essa batida eletrônica com aquela guitarra sei-que-lá, e essa música, não-sei-que, não (leia como o Daniel) “orna”. Uma banda/cantor sempre terão aquela obra que irão compará-la a todos os outros que virão, no caso do Jamie Cullum tem o anterior a esse Cd que é o Mind Trick, que o lançou à astro mundial, claro que sempre farão menção a esse CD, assim como tudo que Michael Jackson fez pós Thriller foi considerado mediano. Emoção, emoção pura. Se você for ouvir seus CDs verá que são tão bons quanto o primeiro, mas o primeiro não tinha embutido carga de expectativa e pressão, ele (o MJ), não tinha pretensões de ser o dono do álbum mais vendido da História, ele sabia que era algo novo, como seria recebido, não fazia idéia.

Afetuem-se e permitam afetuar-se. Você já passou por aquilo de gostar muito de um filme e no Oscar ele nem ser mencionado? Não é estranho que Amor Pra Recordar seja considerado o filme preferido de muita gente e ele nem ter sido lembrado pelos membros da Academia (acadimia), ou não ter tido uma bilheteria com um número sequer próximo à de seus espectadores em DVD?

Porque isso? (momento auto-entevista)

Porque não havia carga de afeto empregado. Agora quando chega a pessoa e diz (com voz fanha de garota enjoada) “O que você ainda não viu ApR?” Daí você se sente um idiota atrasado e vai assistir o filme e, gosta... (ou odeia de vez). (com voz de Zé Wilker) “Acho que comparado ao Cinema do leste europeu ou ao cinema pós-modernista guiando-se pelo meandro do Cult vs Trash, creio que está para além de um ultra POP descartável”, quem se importa com opiniões especialistas? As pessoas se permitiram sentir com o filme.

Estamos todos prontos, com o discurso na ponta da língua, ensaiado e decorado pra dar opinião, pra dar conselho, pra indicar caminhos, pra avaliar, dizer se gostou ou não gostou. Quando conseguimos nos colocar no lugar de alguém que recebe, algo presenteado aprendemos a receber melhor. Dar mais créditos antes de falar mal (por apenas falar). Tudo bem se não gostou disso ou daquilo, quando eu não gosto eu falo sobre isso, procuro sempre me colocar no lugar de quem fez. Oras, as pessoas são carregadas de emoção, e as coisas são avaliadas por afeto, aquilo que me permito ser afetado pelo que me é apresentado.

Essa semana toda teve apresentações de TCCs na Faculdade, a turma (moçadinha, a tchurma, um velho falando) que se forma agora em 2009. Haviam quase trinta trabalhos sendo apresentados, temas interessantíssimos. Dali via o nervosismo daqueles que iam se apresentar, imaginava o que se passava na cabeça deles. Vi gente chorar, vi gente gripando, com nariz escorrendo e voz rouca (do Donald), enfim. Me fez pensar como seria o meu “grande dia”. Cada um dentro de seus limites “nervosísticos”, apresentaram bem, uns em pé, outros sentados, enfim, como puderam/suportaram.

No terceiro dia, as turmas que não apresentaram se reuniram pra poder dizer sobre os temas, como havia compreendido e pra que falasse um pouco sobre a jornada de forma geral. Teve pessoas que disseram (voz fanha): “ah, acho que deveria né? ...exigir que falassem de pé, que expusessem seus trabalho de pé”. Marilia Pera-lá!!!

Pensei: “Estamos perdidos. Estou numa jornada de que mesmo? Porque se quem estuda psicologia não tem capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro, de contextualizar e afetuar-se, quem terá?”

Poxa vida, eles estavam apresentando um trabalho que durou meses pra ficar pronto. Pense como que foi fazer e, a pressão que é apresentar na frente de uma platéia como aquela? A pressão de ter parentes te assistindo, professores te avaliando... sua formação (carta de alforria ou desemprego) em jogo. Nada fácil!!! Agora porque não permitir que o sujeito sinta e se permita escolher como quiser ou puder apresentar, sentado ou não, é o seu trabalho que está ali. “ É que... Fica muito chato, blá, blá, blá, bla”

Penso assim também, prefiro trabalhos sendo expostos com a pessoa de pé. Mas, contextualizemos. Quer ser entretido? Vá ao circo. Ninguem precisa ser um showMan (or woman), pra apresentar um trabalho de conclusão de curso. Porque eu recebi da melhor forma os temas que assisti? (momento auto-entrevista)

Porque eram de amigos meus, cujo nervosismo eu partilhei, a cada palavra, cada suspiro nervoso e profundo eu dei junto. A quem não sentiu eu digo: sinto muito, só saberá quando chegar sua vez. Que possamos fazer esse exercício de empatia, que possamos nos colocar no lugar do outro, que não sejamos a maçã podre do cesto. Que encontremos dentro de nós o jurado bonzinho. Matemos o Pedro de Lara dentro de nós.

domingo, 25 de outubro de 2009

Eternidade

Em algum momento da vida creio que todos nós nos perguntamos, (ou será que somente eu no meu mundinho autista?) se faríamos falta na vida das pessoas. Ficamos imaginando cenas em que olharíamos tudo de fora, fora da cena. Nos bastidores como um bom obsessivo, como diria Vanda (professora de psicanálise). Acho que a influência que Ghost fez na vida das pessoas é demais de absurda, hehehehe.

Eu penso sobre a questão do legado, penso muito sobre isso. Aliás, não só penso vivo isso. Tentando fazer coisas, que costumo chamar de “eternas”, porque dá-se pra ler ambiguamente, como pra sempre e ternas.

É obvio, deixe-me justificar, que não sou assim com todos. Por uma simples vontade de não ser.

Alguns, não eu, se imaginam até em seu velório. Quem será que iria? Quem será que encontraria um tempo em sua agenda para ir responder ao contexto todo do “se mostrar triste.”

Quem será que diria: “como fará falta!”, “gostava tanto dele!!!” ou mesmo “ele era bom nisso, fazia aquilo como ninguém” (isso sim ficou ambíguo), ou gritar e se desesperar como um louco dizendo como, segundo Caco Antibes, pobre gritando... (Google responde) “me leva junto, me leva junto... pelo amor de Deus”.

Se pudesse fazer uma lista de convidados creio que não iria passar de umas 70 pessoas, não pessoas que eu sei que gostam de mim. Mas, pessoas que eu gosto. Que dá-se pra ler em mim facilmente, pois me influenciam. Pessoas que me ajudaram sem nem saber, e isso, mesmo que não saibam, é seu legado... Ter ajudado um ser como eu. Com palavras, ou sem elas.

Segundo o Chris Rock, Everybody Hates Chris, 2009, “legado é aquilo pelo qual nós seremos lembrados. (alguém deveria ter avisado o Michael Jackson) admiro mais não perco a piada.

É estranho pensar que o mundo continuaria igual sem sua presença, é estranho imaginá-lo sem ti. Como se ele ignorasse sua existência, pois ele de fato te ignora. Como se você fosse uma criança chata na beira da saia puxando e dizendo, “mãe, mãe, olha pra mim. Mãe, oh mãe, deixa eu falar”. Sabe aquela história de escrever um livro, plantar árvore e ter um filho? É como se fosse pra que alguém olhasse pra árvore e dissesse “quem plantou essa árvore foi o Douglas”, “quem escreveu esse livro foi o Douglas”, “esse é o filho do Douglas”, ou “eu sou filho de Douglas”. Para que alguém cite que um dia o Douglas, ou você, existiram.

As pessoas acordariam no dia seguinte e diriam: “a vida continua, deixe-me trabalhar”. Lembrariam de vez em quando das besteiras que dizia, ou das pérolas de sabedoria que derramo nos quatro cantos (humirrrrrrrrrrrde). Isso tudo diria de quem eu sou, diria da mensagem que quis, ou pude deixar.

Imagino que seria numa terça-feira, que todos seriam pegos de surpresa e que muitos nem saberiam, pois minha família não sabe quem são meus queridos amigos. Que seria um velório barulhento, não teria nem uma pessoa desesperada, gritando “me leva junto”, as pessoas que conheço não são desse naipe, ou será que teríamos surpresas? Hehehhe...

Talvez até aqui você pense que esse é um texto mórbido, de “vivas a morte” (vivas a morte... hehehe), mas pelo contrário. Creio que quanto mais certeza tenho de finitude mais quero viver. Mais vivo bem. Porque lá no cemitério, onde vive os mortos (vive os mortos, essa foi boa) há pais que desejaram ser melhores, amigos, filhos, irmãos que desejaram ser melhores, mas não foram... não gostaria de ser mencionado assim.

Em 2007 eu fiquei sabendo que um amigo tinha morrido. José Augusto tinha 22 anos, minha idade agora, e era um desses seres que parecem que nasceram pra marcar a vida das pessoas. Estava há alguns meses sem vê-lo, tinha perdido contato com ele, por uma desculpa de tempo, e tal. Foi a primeira pessoa significativa que perdi. Quando descobri que tinha falecido, fiquei alguns dias sem nenhum tipo de emoção a não ser indiferença, parecia que haviam sugado minhas emoções. Consegui elaborar luto depois de uma semana... chorei tanto que meu travesseiro teve que ser trocado. (isso não é exagero).

Senti-me que havia o abandonado, uma sensação nova... como se pudesse ter mudado algo, doce quimera!!!! (amo essa palavra). Mas, pensando depois fiquei feliz em Deus por saber onde ele agora estava, e agradecido por ter tido a oportunidade de conhecê-lo. Agora em outubro fez 2 anos que ele deu “até logo”, em quanto isso as lembranças me ensinam muito. Talvez não consiga coloca em pratica todas elas, mas estou tentando ser o máximo que puder ser “eu”. Que esse seja meu legado, que possam dizer que “Douglas foi o máximo Douglas que pôde”. “Enquanto viveu foi Douglas”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pau-rodado em curva de rio

Você já prestou atenção que quando está ansioso para que algo aconteça você não produz absolutamente nada? Fica ali roendo suas unhas sentindo a dor de fazer isso para que talvez com a dor se lembrar de ficar com os pés no chão. Tentando se lembrar de que é só um ser humano, tão suscetível ao erro quanto o Juiz de futebol que marcou pênalti contra seu time. (unhas, pés. Outro dia meu sobrinho cansado de procurar um cortador de unhas, roeu as unhas dos pés, kkkk. Não me lembro de ter tido um dia aquela elasticidade). Fica rodeando esperando que o tempo passe e aquilo que se espera aconteça. Nesse meio tempo entre a espera e o acontecimento você tenta, de todo jeito criar algo, mas nada surge, é como espremer bagaço de laranja. Sua cabeça gira em torno daquilo como se fosse a coisa mais importante do mundo, aquilo te cega de um tanto que passa a crer que irá definir sua vida. Vocês já brincaram de pião? É mó legal nas primeiras vezes, depois você sente um tédio, porque pião não exige muito a criatividade. Aquela coisa fica ali girando, girando, girando... O legal do pião é o arremeço, e só. Mas, ainda o arremeço depois de certo tempo cai no marasmo, você começa a ter preguiça de enrolar aquele fio, que agora parece até ter esticado magicamente. Essa falta de vontade, gerado pelo tédio da rotina do pião, em que o objetivo é um só, fazê-lo girar, que faz você buscar coisas novas, mais desafiadoras. As expectativas por sua vez geram uma esperança “paridora”, você engravida do sonho. (imagine parindo aquela mansão que sonha em ter... Não posso imaginar nem parindo um filho, “Senhor, obrigado por ser homem”) A expectativa te faz preparar-se para receber. Os pais ansiosos em ter o filho tão desejado arrumam a casa, prepara um quarto. Compra roupas, ou seja, cria um espaço, abre um lugar para a criança. Essa criança existe antes de verem seu rosto, já tem um nome, às vezes um time de futebol (roupa de time em criança é tão cafona, mas qual pai que não é cafona?)... Quando ela nasce os pais olham para ela e matam saudades, como se fosse um parente que já visitara a casa e, depois de uma longa estadia longe, retorna cheio de abraços e cafunés. Esse amor do esperar vir a existir cria um ambiente que recebe com carinho o que se espera. A expectativa é fértil, a ansiedade é capada. A expectativa faz você irradiar como luz do sol, a ansiedade te coloca pra dentro, você age como se colocasse flechas inflamadas apontadas para ti mesmo. A expectativa aduba a felicidade, a ansiedade te faz sofrer duas vezes. (Meu, alguém manda esse texto para Ana Maria Braga, ela precisa lê-lo na abertura do programa) É cômico, porque se parar pra pensar não faz sentido sofrer por antecipação, sofrerá duas vezes, certeza. Pois a produção cai com tanta pressão. Isso te faz pensar que é sozinho, porque ninguém sente o que você está sentindo. O desprender-se faz com que as coisas sempre fluam. Você conhece gente que não sabe descansar? Sabe aquele povo que vai a sua festa e quer limpar? “deixa que eu lave os pratos”, Você diz: “não precisa, eu lavo depois”, a pessoa insiste, você é obrigado a permitir se não é capaz desse sujeito virar seu inimigo. (jogar um avião na sua casa). Hehehehehe, que coisa angustiante. O cara sente que tem a obrigação de fazer alguma coisa até em momentos de lazer, é como se fosse um eterno funcionário. Tem que sempre cumprir missão, sente a necessidade de tapar todo problema que eventualmente ocorra, são esses seres que no fim diz: (leia com voz de retardado) “mas, eu fiz tanto e ninguém reconhece”. Seria cômico se não fosse trágico!!! São seres de projetos inacabados e visão curta, porque nunca vai dar cabo a nenhum projeto seu, sempre vai surgir um problema alheio que o arrastará a corrigi-lo por uma obrigação condenatória. O “estar só” se torna um sofrimento terrível, o sujeito se torna tão ansioso que não suporta encontrar-se consigo mesmo, relaxar, ficar em silêncio, não se permite jogar conversa fora. Fica sempre pensando nas coisas que virão, se desliga do agora, que lhe causa frustração, para pensar em um futuro que o aterroriza tanto, também. Porque ainda é uma possibilidade, até fantasia que o futuro pode ser melhor, mesmo sem projetos em longo prazo. Já vi tanta gente se desgastar com a preocupação do futuro. Amigos meus, que sofreram tanto em cursinho pré-vestibular, (ainda não inventaram jeito melhor de professor ficar rico), pois queriam entrar na tão bem estruturada, maravilhosa, Universidade Federal. Abriram mão de tanta coisa importante, porque naqueles momentos o mais importante era o foco de entrar na faculdade (com razão). Meu medo sempre, em qualquer situação que gera ansiedade, que antecede uma expectativa super-valorizada, é a frustração. Imagina, chega lá se depara com uma condição não correspondente a sua idealização. O problema é esse, o idealizar. Essa mania americana (falo do continente americano), de achar que sempre no fim vai dar certo. Nem sempre as coisas saíram como nos queremos, as expectativas não impedem que o acaso aja, como diz Luis dos Anjos, Bispo da minha igreja, somos conhecidos não pela nossa ação, mas pela nossa reação. Como lidamos com aquilo que nos é apresentado sem nosso controle. Lembro uma vez em que passávamos pela pior crise financeira da minha casa, e como toda crise financeira essa não veio sozinha, gerou tantos problemas mas, que não cabem citá-los nesse texto. Minha mãe desesperada com as contas chegando resolveu (como se tivesse outras opções) virar vendedora de tupperware. E como é sabido por todos trabalhar com esses produtos só vinga se criar uma equipe, com pessoas vendendo pra você e pessoas dispostas a pagar R$30, 00, em uma jarra de suco. Pois então, minha mãe chamou as vizinhas, correu o bairro todo convidando as pessoas, convidou umas dondocas que ela conhecia, organizou o salão ao lado de nossa casa, que antes era sua loja, agora falida. Fez uma receita nova de bolo de mandioca, e tantos outros quitutes, comprou refrigerante, fez suco. As 5h00min, meia hora antes do combinado com as suas amigas, a representante da tupperware em Mato-Grosso estava em minha casa, com o carro abarrotado de produtos e brindes que seriam distribuídos naquele dia. Minha mãe de fato tinha tido a melhor das expectativas, esperou que naquele dia fizesse bons contatos. Mas, o que aconteceu foi que o horário combinado chegou e ninguém apareceu, ninguém mesmo... Lembro-me de vê-la sentada em uma cadeira de carvalho, naquele salão vazio, cheio de cadeiras também vazias, ao lado da representante com olhos angustiados. E de comentar depois do fato de nem minhas tias haverem comparecido. É provável que minha mãe nem se lembre disso, porque foi e vendeu muitos produtos, inclusive para as furonas das minhas tias... Para ela essa expectativa frustrada não gerou nada que não pretexto para continuar batalhando e pagar as contas que não paravam de bater na porta. É claro que ela se sentiu mal quando faltaram, ela criou um ambiente para aquilo acontecer, mas eu penso que já devia seguir a filosofia Adriane Galisteu, “No fundo do poço há uma mola”, hehe Como manter um equilíbrio? Há um versículo bíblico que diz que a cada dia cabe seu mal, isso muda a visão, mas se não ouvida atentamente você pode justificar uma irresponsabilidade quanto ao próprio futuro. O que eu entendo é que você pode mudar o futuro com o hoje, mudar o que está perto de você, o dia de hoje. Amanhã e ontem não existem. Você se torna uma pessoa mais realista, passa a não fantasiar, vive de verdade. Encontra-se consigo, com seus medos, limites e potencialidades. “O teu maior erro é sua maior virtude canalizada de forma errada”

terça-feira, 7 de julho de 2009

Infância

A infância é uma fase que quando nós saímos dela passamos o resto da vida tentando recuperá-la. É incrível, nós crescemos e vemos se aproximar de nós a responsabilidade de assumirmos as próprias escolhas. Ter que tomar decisões duras e, tomar uma decisão é abandonar outras milhares. Sei lá, penso que a fase do crescimento e amadurecimento é como o horário entre 17hs30min e 18hs30min, sabe, àquela hora estranha que não é nem tão tarde para acender a luz, mas o sol já não tem mais força para iluminar a casa. Fica uma penumbra estranha um sentimento de que esperamos que algo aconteça, porque temos mil possibilidades, mas ao mesmo tempo temos saudade do dia lindo que já se despede. Você se perde em seus papéis, se sente em construção sendo assim você não “é”, está de passagem por algo. Muito novo, e sem base financeira, para muitas coisas e velho para outras. Você tem que conciliar tantas pressões, para que o caminho errado não seja trilhado. E nós chegamos para onde nós estamos indo, não sei se me fiz compreender. A infância define quem somos, nossa visão de mundo estará sempre ligada ao que pudemos assimilar de nossa infância. Penso que a estrutura ofertada pelos nossos pais é fundamental para o processo de crescimento. E quanto mais você é amado pelos pais, mas facilmente você assume com saúde o papel de adulto, você abandona a infância porque a viveu. Quantos quando se vêem em situações tão difíceis, próprias da fase adulta, não desejou ser criança para sempre? Não desejou ser Peter-Pan? Michael Jackson desejou. Do fundo do coração dele, ele desejou. Ele sofreu as piores pressões que uma criança poderia sofrer. Era ofendido, humilhado, espancado pelo próprio pai minutos antes de entrar e entreter o mundo que o aplaudia. Cresceu associando aplausos com surras, elogios com criticas severas, entendendo o quanto era doloroso o preço da fama. Michael foi crescendo e colhendo frutos de um regime militar, penso que ele devia se sentir ambivalente quanto aos acontecimentos da infância. Enquanto deveria agradecer o pai por “ensiná-lo” a como ser estrela, tremia na mínima possibilidade de estar na presença do pai. Ele estava sendo condenado a permanecer criança. MJ viveu em um paradoxo. Transformou-se em uma lenda artística, no palco era incomparável, seguro, agressivo, dono da própria carreira. Na vida pessoal era inseguro, incomodado com a própria aparência, tímido. Tinha olhos tristes, olhos de criança sofrida, parecido com os olhos das crianças africanas que ajudou. As pessoas não compreendem, porque diferente de todos nós que tivemos muito bem definido as fases de crescimento, pelas séries da escola, pela estrutura “normal” do primeiro isso e depois aquilo. Ele não teve isso. Sempre teve adultos por perto para informá-lo que tinha que ser profissional, assumir uma posição adulta. Conquistou a doce liberdade infantil quando já tinha 20 e poucos anos ao assumir sua própria carreira. Mas, socialmente era exigido a assumir responsabilidades de sua idade real. Uma fase que ele não desejava alcançar sem que vivesse a que ele mais se encantava. Tinha medo de crescer, tinha medo de se tornar o pai. Tentava conciliar desejos infantis com sua idade real. E mesmo assim, trabalhou arduamente para que outras crianças pudessem desfrutar de uma infância tranqüila em que lhes fosse garantido uma base sólida para seu crescimento. Durante sua vida doou 300 milhões de dólares a causas humanitárias, entrando para o Guinnes Books como o artista POP que mais investiu em causas humanitárias, e militou por elas, inclusive no congresso americano. Escreveu canções tão lindas, com letras tão sensíveis que só poderiam ter sido compostas por alguém que amava o mundo. Ouçam Man in The mirror, Cry, Will you be there?, Heal the World, We are the world, Vocês entenderão o que estou dizendo. Este mesmo mundo que ele tanto amava foi cruel com ele. O acusou de coisas nojentas. Pedófilo, racista e tantas outras coisas. (http://a.abcnews.com/images/2020/Desiree_Vitiligo_080327_ms.jpg) O transformando, além de sua imagem assustadora que mudava a cada vídeo clipe, sua imagem em alguém doente, no pior sentido da palavra. Ignoraram sua música, ignoraram seu trabalho em prol dos menos favorecidos. Muito antes de falecer no dia 25/06, havia sido morto pela mídia. No dia de sua morte recebi a noticia quando estava de saída, no banho pude ouvir o anúncio ainda não confirmado até aquele momento. Pareceu tão absurdo que mal pude dar crédito, corri para internet e não havia de fato confirmação oficial. Dirigi-me para o destino de minha saída e, no caminho fui conversando com meu pai sobre ele. Senti-me estranho, sentindo falta de alguém nunca tive contato. Parecia que, de alguma forma, o mundo estava órfão. Fiquei envergonhado de mim mesmo por ter vontade de chorar. Cresci ouvindo MJ, lembro-me da 1°vez que ouvi Thriller, lembro que a 1° musica em inglês que compreendi o que o cantor dizia foi The girls is mine. Cheguei em casa e fui ouvir suas músicas. Percebi o quão forte era sua mensagem. Enquanto ouvia me peguei o imaginado ele de pele escura, achei estranho não poder associar sua voz com a “criatura” que se tornara. Entendi que na verdade aquele rosto era uma mascara de fuga. Ele estava protegido ali atrás, com olhos de alguém que de tanto ser atacado resolveu construir ao redor de si mesmo muros tão atos e seguros, mas ainda assim tão cercado, dali conseguia enviar mensagens do tipo, “Se você quer que o mundo seja um lugar melhor, dê uma olhada para você mesmo e faça a mudança” (Man in the mirror) Manteve consigo a esperança de uma criança, de que sempre pode haver melhores dias, de que os pais não ficariam bravos contigo durante muito tempo, que há sempre uma saída. Vamos lá, você sabe do que estou falando!!! Sua voz jamais poderá ser calada sua mensagem permanecera para sempre, porque suas músicas sempre serão fortes e vivas. Para mim MJ não é um ídolo, nem tão pouco um Rei, Jesus é único em minha vida, mas sem dúvida ele é o maior artista que o mundo jamais verá novamente. “Se você conhece seus sonhos você muda seu futuro”, ele conhecia os dele, e os realizou em vida, mas não pode mudar o futuro. Ele na verdade não morreu, ressuscitou, voltou ao topo das listas, e o mais importante a ser ouvido, e como todo gênio que deixa uma grande obra, se tornou eterno. (continuo a falar sobre infância no próximo texto, ficou incompleto, sei lá)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cachorro que é picado por cobra tem medo até de lingüiça

Às vezes me pego perguntando se vale a pena continuar acreditando no ser humano. Pense bem, as pessoas que você mais ama são as que possuem as ferramentas mais cortantes para te ferir. Possuem armas carregadas com a permissão da intimidade. São elas que sabem exatamente, pela permissão dada por você mesmo, como te ferir. Então, como confiar em alguém?

Gosto muito de uma filosofia, (gosto porque acho engraçado e, também, porque sempre imagino a cena. Quem assistiu o fantástico mundo de bob é bem mais inspirado), enfim, a filosofia diz assim: “Cachorro que foi picado por cobra tem medo até de lingüiça. (trema em lingüiça, isso é tão ano passado)

Vamos pensar um pouco. Copiei essa do Telecurso 2000. (senta que lá vem filosofia de fila de banco)

O cachorro tem medo daquilo que antes o impulsionava a se atrever a entrar na casa e puxar da mesa a sacola em que as lingüiças inocentemente descansavam. Meu cachorro, já falecido, Tigre fez isso algumas vezes com o frango que estavam atrasadamente descongelando na pia dos fundos, eu dizia para minha mãe: “é melhor ter o almoço atrasado do que perdê-lo para o Tigre”.

Olha só, ele (o cão metafórico) imaginou que a linda trança de carne era uma cobra que o havia picado tempos atrás. (hum, interessante. Fale me mais sobre isso. Lingüiça, né?)

Ele fez de uma experiência, uma porque no caso do cão foi picado uma vez só, a verdade absoluta. (se é verdade então é absoluta. Certo pleonasmo? Sei lá.)

Já dei varias mancadas com amigos, sou falastrão e já meti com a língua nos dentes. Machuquei pessoas com palavras, a diferença é que aprendi que a transparência é o segredo. E a transferência é um tesouro que as pessoas vão perdendo ao longo da vida. Eu assumo meu erro numa boa, admito que estou errado e me arrependo genuinamente. Demonstro através de ações que o que fiz tem de haver restituição. É fácil nos percebermos no papel da cobra.

Lembro-me uma vez que emprestei uns CDs de um amigo e acabei arranhando dois CDs. Compartilhei com um outro amigo sobre o acontecido, o Weverto que me disse o seguinte: “Douglas, (amo quando dizem meu nome no começo da frase a lição fica mais bonita, os milésimos de segundo que demoram na continuação da frase é mágico), já está arranhado, está feito. Não diga a ele (o dono dos CDs), que isso aconteceu, antes compre CDs novos e oferece a ele junto com os velhos (e arranhados) e ele decide o resto.

Weverto nem se lembra disso, certeza, mas isso me ensinou que há poder na restauração, na restituição. Não podia simplesmente devolver os CDs arranhados, por que provavelmente o dono não iria reclamar para mim, mas sem dúvida isso iria definir nossa relação. Eu seria transformado no “folgado” que arranha CDs.

Não há como desfazer erros, eles estão feitos. Assim como não há forma de se parar uma flecha lançada (à menos se você for o Jack Bauer), as palavras são como flechas, flechas que jamais retornam. Você tem uma escolha quanto as palavras, não lançá-las. Dirige-as antes a ti mesmo e vê se o que podem produzir é o efeito que você deseja.

Creio que um erro só pode ser reparado na admissão deste. Para isso é preciso parar de ignorar o elefante no meio da sala.

Digo tudo isto porque fui injustamente, não na visão de quem fez, expulso de um grupo de apresentação da faculdade. Sim, caros leitores (isso soa tão bem), eu fui expulso. Assim como expulsava o tigre de perto do frango, mas ele era mais esperto e se aproveitava dos momentos em que, ou o telefone tocava ou a vizinha vinha pedir açúcar para colocar no bolo que só não estava ainda no forno por falta de algumas colheres deste produto “canaviril” que revolucionou as padarias.

Enfim, me expulsaram porque, de fato, dei mancada. Faltei uma apresentação de um trabalho anterior. Mas antes que pudesse me justificar. (os motivos de minha falta jamais conhecerão). Colocaram-me para correr do grupo como se fosse um peso morto, me senti a mosca da bosta do cavalo do bandido da novela do SBT, ou seja, abaixo de barriga de cobra.

Não levaram em consideração nada, nem o fato de sermos amigos. Não haveria um jeito certo de expulsar alguém, mas merecia o direito a defesa, tomar uma decisão como essa, julgar e condenar alguém sem nem ouvi-la é cruel.

Criminosos repulsivos como pedófilos tem o direito a se defender, eu não tive. Fiquei triste por se tratar de uma decisão tomada por três pessoas, uma eu sei (SEI) que não gosta de mim, mas duas eu acreditava ser meus amigos.

Estou há um mês após isso ter ocorrido me perguntando: como confiar no ser humano? O que é perdão? Devo no dia seguinte dizer: E aí, tudo bem? Gimme Five, friends. Isso é perdão?

E a conclusão que chego é que você tende a acreditar assim como o cachorro evita as “saborosas lingüiças” da vida porque foi picado por uma cobra. (não estou comparando ninguém a cobra é só uma metáfora bobinha e totalmente reveladora, pelo menos para mim. (se é reveladora então é totalmente. Certo pleonasmo? Sei lá). Não é possível viver bem, ter boa relação pensando que tudo é cobra. O Homem é reflexo do amor de DEUS, não tem como amar um e ignorar o outro, eu amo a DEUS. Seria incoerente colocar todas as pessoas num só patamar. Por isso faço o exercício contrario aos pensamentos automáticos (isso é tão psicologia comportamental) de que todo Homem é mal, podem até ser, mas creio em mudanças. E quando escrevo coisas que são tão intimas quanto as que estão neste texto é isso que estou fazendo, crendo que essas palavras toquem alguém. Porque vivemos através do afeto, escrevemos nossos nomes na vida das pessoas, e porque fazer isso de forma negativa? Porque machucar as pessoas? As cicatrizes sempre estarão ali, o pensamento vai sempre tender a confusão de cobra e lingüiça.

Não tenho raiva do tigre, nunca o amaldiçoei por me levar o frango do almoço porque estava agindo exatamente como um cão agiria. Ele marcou minha infância, tenho saudades dele. Viveu 12 anos, mais da metade da minha vida. E quando ele se foi, eu o deixei ir, muito triste, mas eu o deixei ir. Eu havia perdoado.

Perdão é isso, deixar ir. E fazer de uma experiência ruim um livro de sabedoria. (nunca deixar o frango na pia nos fundo, o Tigre vai abocanhá-lo), não confundir atos isolados como determinações. Então para o cão perdoar seria entender que a cobra deve ir, deixar essa cobra é parar de confundi-la com lingüiça.

E quando esse cão voltar a se atrever entrar na casa e avançar sobre a sacola na mesa onde a lingüiça está dando sopa, ele estará demonstrando que perdoou... e o que a cobra tem a ver com isso? Nada, estava agindo exatamente como uma cobra agiria.

Tigre, saudades.
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