terça-feira, 15 de junho de 2010

Ensaio sobre a Finitude!

Sábado, 22 de Maio de 2010. 13hr20min, meu telefone toca.

Dartanhan: "Alô, Douglas, tudo bem? Olha só, eu e Silvio combinamos de ir com camisa xadrez (para foto de formatura) ao invés de camiseta preta ou branca. Quero só ver a cara que a Maíra (a modelo da turma) vai fazer! (Risos, muitos risos, de ambos os lados da linha.) Leva uma também, ok?

Depois de receber essa ligação fui almoçar, sozinho, todos na minha casa já haviam almoçado (povo individualista, pô! hehehe) e, entre uma garfada e uma bebericada em um suco quente esquecido fora da geladeira, tive a sensação de finito. De repente, como se uma bigorna (como aquelas dos desenhos da Tiny toons) tivesse caído bem na minha cabeça, percebi que mais um ciclo estava se fechando, mais um grupo, de uma boa e longa jornada, estava com os dias contados.

O que me fez pensar em coisas que acabam, que chegam em um fim, porque elas simplesmente têm que acabar, pois justamente precisam ter finalidade. Não acredito que as coisas comecem (existem) e depois desaparecem (como o Rouge, 5ive, Spice Girls, Susan Boyle , ou qualquer outro competidor do Ídolos ), não penso que seja assim, mas creio que elas tem etapas muito bem estabelecidas, por você, te levam ao pé de uma nova escadaria que sorridentemente nos convida a subir um pouco mais alto. Gosto da visão da Química e da Metafísica que diz que as substâncias não desaparecem (as substâncias são seres absolutamente infinitos), elas não somem do mapa, (como a Sérvia e Montenegro) elas se transformam em outra coisa, (Thammy Gretchen que o diga), elas mudam e exercem outra função em outro esquema químico, se relaciona e se transforma de novo. Comunica-se com outras substâncias, e nessa comunidade ela forma algo totalmente novo, sendo a mesma coisa. Nesse sistema ela nunca para de mudar, se adaptando, mas fechando ciclos. Hoje isso aqui, amanhã aquilo lá.

Vejo muitos amigos receosos da proximidade de “fins”, seja faculdade ou qualquer outra coisa, eu gosto muito de fins, porque vivo do que é fresco (mas, nada comparado ao Richarlyson), gosto de sentir frio na barriga, antes de coisas novas, sou viciado nisso. Não é a toa que faço Teatro, (não que eu seja pedreiro), sou apaixonado em emocionar as pessoas, fazê-las rir ou chorar. Aquela sensação que dá minutos antes de pisar lá no palco, é indescritível, tão bom quanto pão-de-mel. Quando eu entro, o palco é meu, (Esse castelo será meu, meuu, todo meuuu, ou não me chamo Sr. Abobrinha!), as pessoas são parte da apresentação, elas me observam, avaliam, e eu a elas. Quando termina a apresentação, o famoso “Fim”, sinto-me bem porque tenho a sensação de trabalho feito, de mensagem levada, me sinto um instrumento de Deus, um canal. Não fico lamentando porque acabou, eu já penso na próxima, porque desejo aquilo de novo.

Em cada nova etapa, em cada novo degrau da grande escadaria, eu sinto que estou me transformado na medida em que transformo, a essência continua a mesma, intocável, imanipulável, mas eu mudo e me permito novos olhares. Aliás, como tenho experimentado isso, passado a admirar pessoas que antes repudiava (só essa palavra para significar isso mesmo), às vezes me pergunto: “Será, que estou sendo Hipócrita, ou de fato mudei?” Sim, eu sei que mudei. Aquela pessoa que era não teve um fim, não desapareceu, ela está aqui vos escrevendo, mas ela agora sou eu, entende? (É mais fácil entender o Mercado de Ações).

Os ciclos precisam terminar, eles precisam se fechar. É preciso fazer novas associações, se comunicar com outras substâncias, totalmente e completamente diferente da sua. Pelo bem da sua boa vida isso se faz preciso. Para que não morra sendo a mesma coisa, não desempenhando novas funções dentro de sistemas outros. Já que você, “a substância absoluta”, tem vários atributos. Pode ser, portanto, um Ser resiliente (gosto dessa palavra e, sem lá porque, nunca criei a oportunidade de usá-la. Resiliência, resiliência, resiliência) dotado de potencial à mudança. Triste coisa é ter isso e desperdiçar com um fim que muito se assemelha com o inicio. Não fazendo fechamentos. A formatura é um rito de passagem interessante, pois declara fim à um ciclo e, dá boas vindas a outro. (Seja Muito Bem Vindo, Querido Mercado de Trabalho!!!)

Durante esses últimos 4 anos me senti aprisionado, na geladeira como a Daniela Cicarelli ou a Adriane Galisteu, como se estivesse em um navio, trabalhando para mantê-lo navegando, cuidando de cada um dos detalhes necessários para que não naufragasse. Diverti-me muito com a tripulação, dando risadas, chorando, cantando e lamento em um só coro, nem de perto foi um tempo ruim. Mas, agora que avisto terra firme, mal posso esperar para pôr os pés lá. Daqui vejo frutos deliciosos, vou escalar até o topo da árvore e apanhar os mais bonitos, irei saboreá-los bem devagar estendendo assim o prazer que me proporcionarão. A viagem foi boa, companheiros, mas ficarei muito feliz em desembarcar. Preciso tomar aquela floresta que daqui admiro, ela é minha.

Nada vai acabar, vamos apenas nos deparar com as finalidades, ou melhor, “Finalidades”, pois desempenhamos uma função em um sistema e, agora precisamos fazer uso da substância dotada de atributos infinitos e fazer uma nova comunicação manifestando atributos inéditos. Só muda o que não é absoluto, só acaba o que nunca foi. Aquilo que é, que seja!!!

20 comentários:

Unknown disse...

CURIOSO, DIVERTIDO, SARCASTICO E CRITICO, OU SEJA, O DIFERENTE JEITO DE SER DO DOUGLAS! GOSTEI DA REFLEXAO QUE DEMONSTRA A FUTILIDADE TRIVIAL DE ALGUNS MOMENTOS QUE PASSAM DESPERCEBIDO POR AQUELES INSENSIVEIS AO TEMPO! DESEJO SORTE E CONSTANCIA NA SUA ESPONTANEIDADE DE CAPTURAR OS RECORTES DA VIDA!

Maíra Nogueira disse...

Douglas vc escreve muitoo bem,, ameii esse texto..descreve tudo o q eu tbm sintoo..e oh..Cairam do cavalo.. pq nao fiz cara nenhuma.. até achei legall.. malandros! hahahaha..e..
"Aquela pessoa que era não teve um fim, não desapareceu, ela está aqui vos escrevendo, mas ela agora sou eu, entende?" Lóógico q eu entendoo!

Leidy disse...

Adorei o texto Doug!
Realmente.. é difícil deparar-se com o FIM das coisas.. Eu nao me dou mto bem com isso, mesmo em filmes ou livros eu sempre fico naquela sensação de "porque tinha que acabar?!" E o pior é que são só filmes e livros.. Já da pra imaginar como me sinto qdo se trata de vida real neh?! Eu tenho aprendido(e tem sido uma difícil tarefa)que nao existe "pra sempre", é preciso aproveitar o tempo e o modo em que as coisas se encontram HOJE, porque amanhã, sem duvida, nem o sol vai brilhar da mesma forma, mas com toda certeza nós tbm estaremos mudados e vai ser assim sempre.. Talvez esse seja o unico "pra sempre" realmente válido: AS COISAS E AS PESSOAS SEMPRE VÃO MUDAR, E TUDO DE ALGUMA FORMA SEMPRE VAI TER UM FIM.. UM DIA, UM MES, UM ANO, 100 ANOS, SABE LÁ QTO TEMPO ISSO VAI DEMORAR PRA ACONTECER, SÓ SEI QUE VAI!

Parabens pelo texto!

Unknown disse...

OI Douglas!Primeiro quero parabenizá-lo pelo texto e dizer que é muito bom,escreves muito bem!Traduz o que estamos sentindo(a maioria de nossos colegas de curso)e emociona tbM. Digo que para algumas pessoas é difícil lidar com as mudanças,elas chegam e muitas vezes resistimos a elas, talvez por não entender/saber o quanto ela nos fará beM!Acho q não há curso que transforme mais alguém como o de psicologia, nunca mais seremos os mesmos não é!!:D

Sara disse...

Douglas! O que você disse tem o total sentido, as pessoas, infelizmente, não conseguem perceber que a vida é composta de fases, etapas, começos e finais, ciclos. Se não fosse assim você não teria a infância, a adolescência e assim por diante. AINDA BEM, que graça seria viver na mesmisse? acordar e dormi com as mesmas preocupações, com as mesmas impressões? Eu sempre percebi isso com muita clareza, tanto assim que todas as vezes que os ciclos se fechavam eu acreditava ser um motivo de comemoração e não de tristeza. É até engraçado, em um dos últimos dias de aula estava conversando com umas colegas de classe aí uma perguntou (incrédula) "como? você não vai participar da aula da saudade?", eu, brincando: "não, só iria se fosse aula da felicidade" só eu achei graça, os olhares se voltaram para mim como se eu fosse uma sociopata insensível. As pessoas confundem saudade com viver no passado. Claro que sinto saudade (muito raramente), mas faculdade é uma etapa para algo maior, senão ninguém se formaria. Essas são as pessoas que quando vc encontra começam a falar da faculdade como o melhor dos momentos, vivendo e revivendo os momentos passados e não se permitindo viver no presente. Felizmente eu não sou assim, ufa! E nem você, ainda bem.

Ana Cristina disse...

Parabéns pelo texto amigo! Realmente tudo na vida tem um começo e um fim, estava falando sobre isso com um amigo a alguns dias atras. Tudo na vida são ciclos e cabe a nós hoje sabermos escolher e tomar a decisão certa para que tenhamos um final feliz, afinal todos estão em busca da felicidade...e com tudo isso vem as mudanças, experiências que nos tornam maduros e nos dão forças para a próxima etapa!!!
Adorei e espero o próximo! Bjus

Bianca Coutinho disse...

Como sempre, muito legal e instigante. Como o Paulo mesmo comentou (gostei dos adjetivos), "Curioso, divertido, sarcastico e critico, ou seja, o diferente jeito de ser do Douglas!" hehehe Desse eu gostei em especial, porque não me identifiquei e me deu o prazer do dispertar. Eu gosto de me identificar, sinto como se, ao ler, as palavras saíssem da minha cabeça, mas por outra cabeça, entende?! hehehe
Mas o dispertar de novos horizontes, de novas formas de pensar um assunto tão corriqueiro e que, talvez, nem nos damos o desejo de discutir é, encantador (não sei se seria bem essa palavra que eu gostaria de usar). Consegui enxergar a mensagem a medida que lia. E o fim me pareceu tão prazeroso quanto o começo. É o fechamento de um ciclo :) Dispertou a vontade de aproveitar mais a viagem, pra quando chegar em terra firme não lamentar oq poderia ser feito, mas ter a sensação de dever cumprido. E que venha o próximo! (e que venha o próximo texto também. hehehe)
Um beijo e um queijo, Doug!

Bianca Coutinho disse...

E como testemunha.. já vivi muito na saudade de um passado que (óbvio) não voltaria mais. Talvez por inexperiência, imaturidade. E isso me impediu de conhecer novas pessoas (eu tinha mudado de cidade), porque eu não me permitia (achava q poderia esquecer os outros). Me apegava muito e queria que não mudasse nunca. Graças a Deus, sinto que nisso eu pude madurecer (ainda que não por completo), mas já posso discernir e refletir mais. Morei dois anos nessa outra cidade, um ano foi 'perdido' em nostalgias. No segundo ano que me permiti conhecer mais e fazer amigos.. que foi quando me encontrei novamente com Deus. Amizades maravilhosas.. hoje tenho saudades, mas já sei viver da melhor maneira, independente das circunstâncias. Mesmo assim, o texto ajudou muito porque, apesar de tudo, eu ainda não tinha pensado dessa forma.
É muito legal, obrigada por nos dar o prazer de ler seus textos :)

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Paulo, obrigado pelo comentário! Creio que estudar psicologia nos treina, não como os ratos de Skinner, à uma escuta e olhar diferenciado. Olhamos as coisas com interrogação, como alguém que olha algo pela primeira vez. Daí vem com mais naturalidade ver os tais "recortes da vida"

vlws, até o próximo!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Maíra, obrigado pelo elogio!

kkkkkkk, Dart é um sem vergonha, ele ligou para o Silvio e disse que tinha falado comigo, ligou pra mim e disse que tinha falado com o Silvio... hehehhee

Ufa, alguém entendeu a frase complicada...

Obrigado por ler e comentar até o próximo!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Leidy, as vezes fico preocupado só com uma coisa, o equilibrio disso tudo, pq é legal ter a convicção de as coisas acabam, não sofrer tanto com isso, outra é ser uma pessoa totalmente desapegada que não deixa marcas nem em si mesmo.
Creio q até o lamentar, o luto pelo fim de algo é extremamente necessário para valorização do que realmente merece valor. O que são essas coisas? Não sei ao certo!

bjos, obrigado por ler e dividir sua opinião no comentário!!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Dani, que bom que o texto falou contigo. É, estamos condenados à psicologia qdo percebemos que ela nos apoia no nosso amadurecimento e cresciemento.

Hoje podemos dizer que j´´a não somos os mesmos, somos melhores!!!

Bjos e fiquei muito feliz de ler seu comentário!!!
até o próximo (sem pressão)
heheeh

Psicólogo Douglas Amorim disse...

kkkk, Sara, eu não sofro com fins, mas eu me permito marcas, tanto em mim quanto nos outros. Sabe?! Lidar bem com o fechamento dos cilcos é uma coisa, não "ritualizá-lo" também é perigoso, pq esses rituais que, justamente, declaram o fim, fica um gosto de saudade mas, nenhum de "queria-voltar".

Obrigado por comentar sempre!!!
até o próximo!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Ana, é isso mesmo... somos transformados durante o processo doc ciclo, mas é só no fechamento que fechamos pra balanceamento. Onde analisamos nossos passos, os erros e os acertos, amadurecemos nesse analisar e então, podemos ir para o próximo...
É sempre bom ler seus comentários, dividi sem medo suas opiniões!!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Bianca, eu achei bem curioso seu comentário (os dois), primeiro abre dizendo que não se identificou tanto, depois narra uma experiência que teve com o tema, ou pelo menos o tema te trouxe a memória.
Enfim, me preocupo com as pessoas que vivem fora de seu tempo, ou apegado a um ontem, ou preso a um amanhã, que nunca chega. Ambas as coisas é investir em um castelo no ar... o ontem só pode gerar frutos de experiência e maturidade, nada mais, e o amanhã só pode gerar frutos de boas escolhas hoje.

Já que cada escolha que fazemos nos apróximamos de um idealizado amanhã, seja qual for!!! (um dia escrevo sobre escolhas)

")

obrigado por dividir seus pensamentos com o blog!

Polly Pimentel disse...

Nossa... um texto que transmite a realidade(difícil para alguns) e ao mesmo tempo nos inspira a usufruir do novo(que vai vir, mesmo que tentamos aprisionar o que já acabou) Vou aproveitar a deixa e declarar a falha da primeira impressão(que na maioria das vezes é enganosa e camufla o que há de especial em cada um, tenho provado isso) Lembra quando vc disse que fazia psico(no niver da Taty!?)não importa!!rsrsr, poiseh, eu achei que era brincadeira, porque a árvore que mais dá frutos é a que mais leva pedradas, "sacô"? Enfim e a gente nem teve muito contato,quando eu estava conseguindo me aproximar da equipe, eis que volto(mas não no sentido de regressar)pra Roo, mas olha, se eu tivesse aí já iria marcar análises contigo(tô precisando):) Com certeza, seja no teatro, seja em palavras, vc se expressa de forma clara e mesmo que não saiba, atinge as pessoas ao redor!! Um abraço amigo e agora eu vou tomar vergonha e acompanhar de fato seus blogs, assim eu não preciso ir aí pra rir dos seus comentários (mesmo que ninguém ache graça ou ache irônico da sua parte... e é, mas aí que está a graça) eu sempre me divirto e aprendo algo!heheh

Polly Pimentel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Psicólogo Douglas Amorim disse...

comentário! Sério, fiquei bem feliz. Eu não me preocupo muito com o que pensam de mim e as vezes ajo como um personagem, como se estivesse eternamente represendo uam peça de comêdia! Daí quando falo algo q é vdd (as piadas são de vdd, pra quem as ouve)as pessoas duvidam. Enfim, mas o importante é não morrer e continuar se modificando!

Psicólogo Douglas Amorim disse...

Poli fiquei bem feliz de ver seu...*

Polly Pimentel disse...

^^

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