Toda Mudança é uma libertação. De algum jeito se liberta de amarras que prendiam à uma antiga forma de enxergar determina (s) situação. Como de forma mágica aquilo que antes se passava de forma angustiada, despercebida se torna tão clara, fazendo com que a “leitura” da situação vá pra um lugar do “não” comum, algo que estava ali há tanto tempo. Estava ali gritando pra ser visto, mas não se podia ver, pois, precisava de novas lentes. Alguns chamam isso de maturidade, associando quase que instantaneamente com algo velho, algo próximo do fim. Assim como uma fruta madura que tem suas horas contadas quando avistada por nossos olhos.
Sem dúvida há uma segurança na maturidade, uma segurança estabelecida e fixada pela experiência. Por já ter sofrido determinada dor, por ter conhecido como é superá-la, por olhar para a cicatriz e se alegrar por saber que não causa mais dor, na verdade se torna um aviso, uma placa de “Não ultrapasse... perigo iminente”.
Mudanças nos aterrorizam e nos dão a sensação de que, de fato, estamos sós. Que podemos depender apenas de nós, e de nós somente. Com todas as imperfeições, inconstâncias, ignorâncias, essas mudanças batem em nossa porta nos exigindo uma postura, quando de forma mais assertivo, ou se apresenta apenas como um vento fraquinho que balança as folhas das árvores anunciando que, talvez, aja um temporal.
Quando era criança o que me aterrorizava era a idéia de me mudar, pra outra cidade. Ter que enfrentar uma nova escola, ter que fazer novos amigos, medo de não conhecer as ruas, medo de me perder como já havia acontecido comigo quando tinha 6 anos. Lembro que certa vez surgiu um papo na minha casa sobre se mudar pra Alagoas, a empresa que meu pai trabalhava tinha uma filial por lá, e meus pais que estavam enfrentando uma crise no casamento sugestionaram que talvez o melhor fosse sair da cidade (do Estado). Enquanto meu pai tentava nos convencer das maravilhas de se morar no litoral, tomar água-de-coco, ir á praia durante a semana, ficava imaginando como seria me despedir de tudo.
Eu tenho muita dificuldade pra me desapegar das coisas, tenho mudado nos últimos tempos, à passos de bebê é bem verdade, mas tenho conseguido me “livrar” das coisas. Antes tinha dificuldade de jogar até roupa velha, pois julgava que nunca iria encontrar algo parecido, e de fato isso é verdade, mas, quem se importa? Queria guardar tudo, cartas, entradas de cinema, embalagens, cadernos, livros... Talvez por medo de que se quando me desfizesse de tais coisas fosse me esquecer do que tinha vivido. Só que acabei caindo em minha própria armadilha, porque percebi que aquilo estava me limitando, romantizando determinado tempo. Precisava mudar.
Iniciou o ano de 2010 e com ele promessas de mudanças. Se já não bastava ser o último ano de faculdade, se já não bastava perceber que há um contador regressivo do tamanho do “Big Bang” na minha cabeça, me sinto ambíguo. Sinto-me esperançoso e com medo. Essa ambigüidade de sentimentos não me assusta, porque tenho cicatriz disso. Na verdade me sinto com vida, meus medos sempre produzem boas coisas. Enquanto observo algumas atitudes de pessoas próximas percebo o quanto amadureci nesses últimos quatro anos, e principalmente nos últimos meses, infelizmente esse amadurecimento não vem de forma tranqüila, não vem com garantias de que não haverá dor. Há sujeitos que amadurecem sem a experiência, que aprendem através de outros, mas, eu não. Não sou abençoado com tal dom. Preciso da experiência. Preciso me arrepender de algumas coisas que digo e de algumas coisas que faço. Mas, não preciso fazer tudo ou muito menos falar tudo, o que limita são os meus princípios, adquiridos e internalizados.
Todos nós ficamos esperando aquele momento em que tudo irá mudar, onde nós nos transformaremos em uma outra pessoa. O “Formado”, o “Casado”, o “Maduro”, o “Rico”, o “Dono da própria vida”, o “Em forma”, nos tornamos uma outra pessoa assim que começamos a construir qualquer um desse outro “eu”. A partir do primeiro passo, a partir da decisão, naquele exato e único momento estamos nos despedindo daquela pessoa, e nos tornando nós mesmos. A cada passo eu me torno mais eu mesmo. Porque a pessoa que desejo ser, já existe. Todos os sofrimentos (incomodações, infelicidades) é de sermos nós mesmos. Precisa-se deixar de ser-você, e se tornar um outro-você. As mudanças nunca se anunciam com trombetas elas chegam de mansinho, e por mais que queiramos desligar a luz nem um móvel sequer vai mudar do lugar, não é só porque não se vê que não está. Com a luz apagada fica pior, corre-se o risco de tropeçar, em coisas que nós mesmos colocamos lá.
Mudança é dança, mudança é dança muda... então, mude a dança. Boa sorte com isso!!!

