Cadê o afeto minha gente brasileira? Meu Deus, onde foi parar a tal da empatia?
Me irrito quando ouço pessoas cada vez mais críticas, precisas, técnicas, exigentes...
Eu tenho problema? Alguém corrobore isso!!! (ou pelo menos me diga o que signifique “corroborar”) Sério, juro pela vida do Faustão que eu tento, tento me controlar a não acessar a parte mais sarcástica de mim. Mas, não resisto.
Parece que todos se tornaram o Pedro de Lara, o jurado malvado do programa de calouros... fico abismado com a perda da capacidade de se “afetuar” ,pelas pessoas. Parece que víramos especialistas em tudo, queremos meter bedelho (caracólis, essa palavra é velha) em tudo. Temos opinião pra tudo, opinião critica sobre tudo e todos. Deve ser engraçado ouvir (ler) isso justamente de mim, porque se existe alguém assim esse sou eu, mas falo muito mais pra provocar riso do que de fato pra julgar...
As pessoas são “entendidas”, sabem de tudo... se sentem a Veja da semana, com tudo resumido, explicado, detalhado... tem até as páginas amarelas (isso é na Veja?), só não tem carta do leitor (reposta ao leitor ou coisa assim).
E porque esse assunto me ocorre?
Estou ouvindo o último CD de Jamie Cullum, The Persuit gosto muito de Jazz, e a mistura de Jazz, R&B e POP que ele faz é inédito. Gosto justamente por ser diferente, tem umas pegadas de piano que dão uma sofisticada nas músicas. Antes de ouvir o CD (conseguido via download), entrei na comunidade no Orkut dele pra ler criticas. Havia um “ser” reclamando do CD. Dizendo que estava, em suas palavras “Uma quase completa bosta”, primeiro não entendi essa frase, “quase e completa” pra explicar o mesma coisa é estranho. Penso que o querido crítico não se permitiu afetar pelas músicas, não se permitiu ouvir as letras, ele ouviu pra julgar. Se tornou um critico musical, “mas, essa batida eletrônica com aquela guitarra sei-que-lá, e essa música, não-sei-que, não (leia como o Daniel) “orna”. Uma banda/cantor sempre terão aquela obra que irão compará-la a todos os outros que virão, no caso do Jamie Cullum tem o anterior a esse Cd que é o Mind Trick, que o lançou à astro mundial, claro que sempre farão menção a esse CD, assim como tudo que Michael Jackson fez pós Thriller foi considerado mediano. Emoção, emoção pura. Se você for ouvir seus CDs verá que são tão bons quanto o primeiro, mas o primeiro não tinha embutido carga de expectativa e pressão, ele (o MJ), não tinha pretensões de ser o dono do álbum mais vendido da História, ele sabia que era algo novo, como seria recebido, não fazia idéia.
Afetuem-se e permitam afetuar-se. Você já passou por aquilo de gostar muito de um filme e no Oscar ele nem ser mencionado? Não é estranho que Amor Pra Recordar seja considerado o filme preferido de muita gente e ele nem ter sido lembrado pelos membros da Academia (acadimia), ou não ter tido uma bilheteria com um número sequer próximo à de seus espectadores em DVD?
Porque isso? (momento auto-entevista)
Porque não havia carga de afeto empregado. Agora quando chega a pessoa e diz (com voz fanha de garota enjoada) “O que você ainda não viu ApR?” Daí você se sente um idiota atrasado e vai assistir o filme e, gosta... (ou odeia de vez). (com voz de Zé Wilker) “Acho que comparado ao Cinema do leste europeu ou ao cinema pós-modernista guiando-se pelo meandro do Cult vs Trash, creio que está para além de um ultra POP descartável”, quem se importa com opiniões especialistas? As pessoas se permitiram sentir com o filme.
Estamos todos prontos, com o discurso na ponta da língua, ensaiado e decorado pra dar opinião, pra dar conselho, pra indicar caminhos, pra avaliar, dizer se gostou ou não gostou. Quando conseguimos nos colocar no lugar de alguém que recebe, algo presenteado aprendemos a receber melhor. Dar mais créditos antes de falar mal (por apenas falar). Tudo bem se não gostou disso ou daquilo, quando eu não gosto eu falo sobre isso, procuro sempre me colocar no lugar de quem fez. Oras, as pessoas são carregadas de emoção, e as coisas são avaliadas por afeto, aquilo que me permito ser afetado pelo que me é apresentado.
Essa semana toda teve apresentações de TCCs na Faculdade, a turma (moçadinha, a tchurma, um velho falando) que se forma agora em 2009. Haviam quase trinta trabalhos sendo apresentados, temas interessantíssimos. Dali via o nervosismo daqueles que iam se apresentar, imaginava o que se passava na cabeça deles. Vi gente chorar, vi gente gripando, com nariz escorrendo e voz rouca (do Donald), enfim. Me fez pensar como seria o meu “grande dia”. Cada um dentro de seus limites “nervosísticos”, apresentaram bem, uns em pé, outros sentados, enfim, como puderam/suportaram.
No terceiro dia, as turmas que não apresentaram se reuniram pra poder dizer sobre os temas, como havia compreendido e pra que falasse um pouco sobre a jornada de forma geral. Teve pessoas que disseram (voz fanha): “ah, acho que deveria né? ...exigir que falassem de pé, que expusessem seus trabalho de pé”. Marilia Pera-lá!!!
Pensei: “Estamos perdidos. Estou numa jornada de que mesmo? Porque se quem estuda psicologia não tem capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro, de contextualizar e afetuar-se, quem terá?”
Poxa vida, eles estavam apresentando um trabalho que durou meses pra ficar pronto. Pense como que foi fazer e, a pressão que é apresentar na frente de uma platéia como aquela? A pressão de ter parentes te assistindo, professores te avaliando... sua formação (carta de alforria ou desemprego) em jogo. Nada fácil!!! Agora porque não permitir que o sujeito sinta e se permita escolher como quiser ou puder apresentar, sentado ou não, é o seu trabalho que está ali. “ É que... Fica muito chato, blá, blá, blá, bla”
Penso assim também, prefiro trabalhos sendo expostos com a pessoa de pé. Mas, contextualizemos. Quer ser entretido? Vá ao circo. Ninguem precisa ser um showMan (or woman), pra apresentar um trabalho de conclusão de curso. Porque eu recebi da melhor forma os temas que assisti? (momento auto-entrevista)
Porque eram de amigos meus, cujo nervosismo eu partilhei, a cada palavra, cada suspiro nervoso e profundo eu dei junto. A quem não sentiu eu digo: sinto muito, só saberá quando chegar sua vez. Que possamos fazer esse exercício de empatia, que possamos nos colocar no lugar do outro, que não sejamos a maçã podre do cesto. Que encontremos dentro de nós o jurado bonzinho. Matemos o Pedro de Lara dentro de nós.


10 comentários:
hahahahahhaha adorei o "matemos Pedro de Lara". Eu lembro que vc comentou a cerca disso para mim essa semana, apresentação de trabalho com alunos assistindo. É incrível como as pessoas que também vão apresentar são as primeiras a criticar, sempre criticar, e geralmente fazem muito pior. No dia da minha apresentação alguns alunos (conhecidos meus) queriam assistir, eu neguei. Sabia que depois ia vir um: "olha Sara, eu acho que vc fez errado naquela parte lá..." raramente um elogio, a crítica é sempre superior, e raramente é construtiva. Eu lembro que quando eu era mais nova apresentação de trabalhos eram semanais, eu nem ficava nervosa, depois de ouvir tantas criticas - nunca ao meu respeito, a maioria é mais covarde e fala nas costas - eu comecei a me fechar: "se falou mal dele, fala mal de mim". Lembro que nesse período uma pessoa veio me elogiar - fora os professores - que foi a Ana Paula, de quem fiquei muito amiga depois. Pessoas incapazes tendem a criticar mais. Tem uma máxima, todo mundo já ouviu: "é mais fácil criticar do que fazer", tem até uma resposta mal educada: "não gostou? faz melhor", no fim isso é verdade, mas o caso é: se vai ter capacidade de fazer melhor ou pior o importante é ter críticas construtivas, tentar somar e não diminuir a pessoa. Estou na campanha: ADEUS PEDRO DE LARA!
Sara, Creio que tudo bem se a pessoa não gostou do tema e blá, blá.... mas, fico intrigado pelo fato de não levar em conta a circunstância...
e, foram poucas pessoas que reclamaram sobre os trabalhos, por isso o nome do texto "A maçã Podre"... no mais vi muita solidariedade, tanto dos que estão se formando quanto dos que estavam assistindo...
alguns, infelizmente, sempre serão "A maçã podre".
Douglas! muito legal isso que você escreveu sobre as apresentações de TCC's.
éh.. mas eu jpa esperava algo assim de vc...
o Outro só irá saber disso.. quando realmente PASSAR por isso...
mas é preocupante ser um PSICÓLOGO com tão pouca capacidade de empatia,
compreensão...entre outras... características e habilidades!
eheheeh
aii...aii. *suspiro*, mas cá entre nós, ÉH MUITO BOM QUANDO VOCÊ APRESENTA SEU
TRABALHO É ELOGIADA, APROVADA E SE TORNA PSICÓLOGA!!!
enfim... um abraço!
adoooroo ler seus textos!
ah é a Fernanda Zanata viu!
lady fer
Fer, obrigado por ler...
muito feliz por ti, ver que esse caminho longo, trilhado por ti está (pelo menos uma etapa) completo... espero que tenha encontrado o pote de ouro no fim desse arco-ìris...
parabéns por isso
até o próximo texto...
:>
Mto bom vc ter escrito algo sobre os trabalhos de Tcc's. Vc tem razão qdo fala sobre a empatia, é inadimissível um aluno de psicologia não exercer a tal da empatia! Fico p** com isso! Rs. Temos que ter o hábito de exercitá-la, colocar em prática nossa empatia, porque um dia será nós que estaremos lá apresentando o trabalho, quer em pé, quer sentado, e quem vai decidir? Nós mesmos, vamos apresentar da maneira que quisermos pq o momento é nosso, com todo o nervosismo, ansiedade, alegria, tristeza, preocupação..etc. O egoísmo é tão forte que a pessoa só olha pro seu próprio umbigo. Me irrito com isso! Ah, me lembro que estava do seu lado qdo a "pessoa" disse que gostaria q os formandos tivessem apresentado o trabalho de pé, infelizmente não somos livres de ouvir essas baboseiras. Rs
ehhhhh, hein... Hustane creio q só o fato de questionarmos algumas atitudes revela esperanças de mudanças... né? Q bom q podems avaliar certas atitudes e não repeti-las
: >
Adorei o que disse dos TCC's é a mais pura verdade!! mesmo de longe você acompanhou minha luta e me ajudou!!! Obrigada Doug....a melhor sensação é quando você recebe a nota! Nossa não esqueço..."o grupo foi aprovado com nota 10!!! Vocês estão de parabéns!" Migo, pensa escutar isso na frente de umas 80 pessoas como foi na minha apresentação, tinha amigos, familia, nossa mto bm!!! Tenho certeza que quando chegar a sua vez vai ser baba!!! E vai ser também coroado com nota 10! Escolha um tema diferente, inovador e que chame a atenção de todos!! Isso é Demais!!!
Afff, anae... já vejo o meu...
Tenho certeza que o resultado vai ser bom (final) mais, o caminho que e dá aflição. Fico com preguiça só de pensar, hehehhehehe
Parabéns pelo tcc, pela sua formação... acho que é a primeira daquela turma a se formar (só eu penso nessas coisas)
hehehehhehe
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