sábado, 19 de dezembro de 2009

É só seguir o Caminho de Tijolos Amarelos

Não é que já se foi a primeira década do século 21? Alguém viu passar? Eu tenho uma teoria do porque temos essa sensação de que o tempo passa mais e mais depressa. Minha teoria: a medida que crescemos passamos a controlar mais o tempo. Criamos horários pra tudo, olhamos no relógio centenas de vezes ao dia. Adquirimos metas, prazos, criamos compromissos, como pagar contas. Que o tempo vai nos engolindo, quando percebemos (ou quando realizamos) nos deparamos com o Papai Noel na Vila do papai Noel do shopping.
Esse tempo, 10 anos. Mudanças ocorreram comigo (graças a Deus). Lembro na escola sempre no fim de cada ano dávamos nosso uniforme pra ser assinado pelos colegas, (pra tristeza dos meus pais que sabiam que não poderiam aproveitar o uniforme no ano seguinte), uma coisa que recorrentemente era escrita: “Espero que você não mude, que continue sendo essa pessoa... blá, blá, blá” Pensava: eu sei o que quer dizer, mas tomara que não se cumpra.
Desde aqueles tempos tinha sonhos GIGANTES que sabia que não conquistaria se continuasse do JEITO que eu era. E nisso tenho convicção, o meu estado atual só me proporcionou o que já tenho, o que sei me levou exatamente no lugar em que estou. As mudanças precisam acontecer pra me levar pra outro lugar. (Isso era tão difícil de ser colocado em palavras. Não é mais.) A verdade é que o ontem é um grande esboço. Uma cesta de lixo no canto do quarto lotado de papel amassado (que nenhum ambientalista leia isso). E eu, sou o Newton observando a Maça Cair. (essa comparação dever ter feito Newton sentir azia lá dentro do caixão).
Nesses dez anos, nessa primeira década do século XXI, aconteceram as maiores mudanças da minha vida. (a mais importante e traumática, Cancelaram Chiquititas). Sério, foi nessa década que eu me dei por gente. Em pensar que em 2000 estava na 6° série, recém chegado em uma escola nova, e conhecendo meus Grandes Amigos. Uma turma boa que me acompanha até hoje. Lembro de uma coisa que fazíamos. Eu, Jackson e Salvador, saiamos da escola no intervalo (um agradecimento especial ao guardinha que, sei lá porque, confiava na gente) e íamos comprar Playboy na banca de revistas velhas. Se pensar bem, isso é nojento. As revistas estavam usadas. Lembro dos campeonatos de Mortal Kombat, Lembro das brigas, que pareciam cenas de novela. Adolescente é mais dramático que Thalia de TPM.
A verdade é que ninguém pode com o tempo, ele é soberano implacável, (como Jack Bauer e Chuck Norris). Ele se apossa de nossa história e dita o ritmo, se sente o Carlinhos de Jesus. Sei que falar de 10 anos é falar de algo aprisionado, porque tendemos a esquartejar tudo. Como se dez anos acontecesse sem ligações com o passado ou com perspectivas de futuro. Mas, é disso que estou tentando dizer.
Nada acontece isoladamente, nenhum acontecimento é ilhado. Chegamos nessa época do ano e fazemos nossas resoluções e ficamos introspectivos com a sensação de que algo nos escapou. Algo que estava para além de nosso controle. Olhamos pra trás, olhamos para o ano e sentimos que apenas passamos-por, que poderia ter sido melhor nisso ou naquilo. Acho engraçado (sem graça nenhuma) como tentamos a todo custa controlar o passado, como se pudéssemos moldá-lo, transformá-lo tirando todos os carrapichos dos erros. Olhamos para o presente como algo irreal, menos tocável (até) que o próprio futuro, porque na medida que dissemos “agora”, já estamos em um “depois”, sendo assim o presente não existe, ele é apenas a representação da vontade imediata. Pensar assim te dá uma visão mais ampla, que a cada “agora” é um começo pra chegar em algum lugar desejado. Porque chegamos exatamente no lugar em que estamos indo. Só que não há um caminho de tijolos amarelos. Não há mapas, nem trilhas, nem indicações... talvez, alguns pontos de referência... mas, então, o que há?
Há companheiros de Caminhada. Amigos que estarão junto contigo no caminho. Em Mágico de OZ, os personagens tem objetivos diferentes, uns dos outros. Dorothy queria voltar pra casa, (como o Nemo), o Espantalho queria um cérebro (conheço umas pessoas que desejam isso também), O Homem de Lata queria um coração, (assim como Bin Laden), e o Leão deseja ter coragem, (assim como o Coragem, o Cão Covarde). Apesar de cada um ter um objetivo diferente, seguiram juntos pelo caminho, enfrentando cada uma das Armadilhas da Bruxa Má do Oeste. Eles estavam juntos.
Por isso, companheiros do caminho. Agradeço-lhes até aqui. Obrigado por estarem comigo nessa primeira década do século XXI. Obrigado por estar comigo quando a Bruxa Má do Oeste tenta mais uma das suas. Não há palavras que alcance o quanto me sinto feliz por tê-los por perto, por me ajudar a construir o nosso próprio caminho de tijolos amarelos. Obrigado por cada palavra de incentivo, de elogio (até alguns que eu permito que me corrija, Cris, Marcelo, Eliane...). Eu os ouvi. Se algo não nós faltou foram risos, lágrimas, sangue e suor, cada um manifestado com muita paixão, com muita vontade de viver. Com metas e MISSÃO. (Somewhere over the Rainbow)
Sei que mesmo, que diga “agora”, “agora”, “agora”, milhões de vezes nunca me abandonarão, pois já estão em mim. Mesmo que deixássemos de conviver continuaria me ensinando grandes coisas (Grandes quanto os são) através da minha memória. Amo vocês, companheiros do Caminho de Tijolos Amarelos, espero que tenhamos Cérebro (essencial), Coração, e Coragem para sempre voltar pra Casa. Deus os Abençoe!!!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Maçã Podre

Cadê o afeto minha gente brasileira? Meu Deus, onde foi parar a tal da empatia?

Me irrito quando ouço pessoas cada vez mais críticas, precisas, técnicas, exigentes...

Eu tenho problema? Alguém corrobore isso!!! (ou pelo menos me diga o que signifique “corroborar”) Sério, juro pela vida do Faustão que eu tento, tento me controlar a não acessar a parte mais sarcástica de mim. Mas, não resisto.

Parece que todos se tornaram o Pedro de Lara, o jurado malvado do programa de calouros... fico abismado com a perda da capacidade de se “afetuar” ,pelas pessoas. Parece que víramos especialistas em tudo, queremos meter bedelho (caracólis, essa palavra é velha) em tudo. Temos opinião pra tudo, opinião critica sobre tudo e todos. Deve ser engraçado ouvir (ler) isso justamente de mim, porque se existe alguém assim esse sou eu, mas falo muito mais pra provocar riso do que de fato pra julgar...

As pessoas são “entendidas”, sabem de tudo... se sentem a Veja da semana, com tudo resumido, explicado, detalhado... tem até as páginas amarelas (isso é na Veja?), só não tem carta do leitor (reposta ao leitor ou coisa assim).

E porque esse assunto me ocorre?

Estou ouvindo o último CD de Jamie Cullum, The Persuit gosto muito de Jazz, e a mistura de Jazz, R&B e POP que ele faz é inédito. Gosto justamente por ser diferente, tem umas pegadas de piano que dão uma sofisticada nas músicas. Antes de ouvir o CD (conseguido via download), entrei na comunidade no Orkut dele pra ler criticas. Havia um “ser” reclamando do CD. Dizendo que estava, em suas palavras “Uma quase completa bosta”, primeiro não entendi essa frase, “quase e completa” pra explicar o mesma coisa é estranho. Penso que o querido crítico não se permitiu afetar pelas músicas, não se permitiu ouvir as letras, ele ouviu pra julgar. Se tornou um critico musical, “mas, essa batida eletrônica com aquela guitarra sei-que-lá, e essa música, não-sei-que, não (leia como o Daniel) “orna”. Uma banda/cantor sempre terão aquela obra que irão compará-la a todos os outros que virão, no caso do Jamie Cullum tem o anterior a esse Cd que é o Mind Trick, que o lançou à astro mundial, claro que sempre farão menção a esse CD, assim como tudo que Michael Jackson fez pós Thriller foi considerado mediano. Emoção, emoção pura. Se você for ouvir seus CDs verá que são tão bons quanto o primeiro, mas o primeiro não tinha embutido carga de expectativa e pressão, ele (o MJ), não tinha pretensões de ser o dono do álbum mais vendido da História, ele sabia que era algo novo, como seria recebido, não fazia idéia.

Afetuem-se e permitam afetuar-se. Você já passou por aquilo de gostar muito de um filme e no Oscar ele nem ser mencionado? Não é estranho que Amor Pra Recordar seja considerado o filme preferido de muita gente e ele nem ter sido lembrado pelos membros da Academia (acadimia), ou não ter tido uma bilheteria com um número sequer próximo à de seus espectadores em DVD?

Porque isso? (momento auto-entevista)

Porque não havia carga de afeto empregado. Agora quando chega a pessoa e diz (com voz fanha de garota enjoada) “O que você ainda não viu ApR?” Daí você se sente um idiota atrasado e vai assistir o filme e, gosta... (ou odeia de vez). (com voz de Zé Wilker) “Acho que comparado ao Cinema do leste europeu ou ao cinema pós-modernista guiando-se pelo meandro do Cult vs Trash, creio que está para além de um ultra POP descartável”, quem se importa com opiniões especialistas? As pessoas se permitiram sentir com o filme.

Estamos todos prontos, com o discurso na ponta da língua, ensaiado e decorado pra dar opinião, pra dar conselho, pra indicar caminhos, pra avaliar, dizer se gostou ou não gostou. Quando conseguimos nos colocar no lugar de alguém que recebe, algo presenteado aprendemos a receber melhor. Dar mais créditos antes de falar mal (por apenas falar). Tudo bem se não gostou disso ou daquilo, quando eu não gosto eu falo sobre isso, procuro sempre me colocar no lugar de quem fez. Oras, as pessoas são carregadas de emoção, e as coisas são avaliadas por afeto, aquilo que me permito ser afetado pelo que me é apresentado.

Essa semana toda teve apresentações de TCCs na Faculdade, a turma (moçadinha, a tchurma, um velho falando) que se forma agora em 2009. Haviam quase trinta trabalhos sendo apresentados, temas interessantíssimos. Dali via o nervosismo daqueles que iam se apresentar, imaginava o que se passava na cabeça deles. Vi gente chorar, vi gente gripando, com nariz escorrendo e voz rouca (do Donald), enfim. Me fez pensar como seria o meu “grande dia”. Cada um dentro de seus limites “nervosísticos”, apresentaram bem, uns em pé, outros sentados, enfim, como puderam/suportaram.

No terceiro dia, as turmas que não apresentaram se reuniram pra poder dizer sobre os temas, como havia compreendido e pra que falasse um pouco sobre a jornada de forma geral. Teve pessoas que disseram (voz fanha): “ah, acho que deveria né? ...exigir que falassem de pé, que expusessem seus trabalho de pé”. Marilia Pera-lá!!!

Pensei: “Estamos perdidos. Estou numa jornada de que mesmo? Porque se quem estuda psicologia não tem capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro, de contextualizar e afetuar-se, quem terá?”

Poxa vida, eles estavam apresentando um trabalho que durou meses pra ficar pronto. Pense como que foi fazer e, a pressão que é apresentar na frente de uma platéia como aquela? A pressão de ter parentes te assistindo, professores te avaliando... sua formação (carta de alforria ou desemprego) em jogo. Nada fácil!!! Agora porque não permitir que o sujeito sinta e se permita escolher como quiser ou puder apresentar, sentado ou não, é o seu trabalho que está ali. “ É que... Fica muito chato, blá, blá, blá, bla”

Penso assim também, prefiro trabalhos sendo expostos com a pessoa de pé. Mas, contextualizemos. Quer ser entretido? Vá ao circo. Ninguem precisa ser um showMan (or woman), pra apresentar um trabalho de conclusão de curso. Porque eu recebi da melhor forma os temas que assisti? (momento auto-entrevista)

Porque eram de amigos meus, cujo nervosismo eu partilhei, a cada palavra, cada suspiro nervoso e profundo eu dei junto. A quem não sentiu eu digo: sinto muito, só saberá quando chegar sua vez. Que possamos fazer esse exercício de empatia, que possamos nos colocar no lugar do outro, que não sejamos a maçã podre do cesto. Que encontremos dentro de nós o jurado bonzinho. Matemos o Pedro de Lara dentro de nós.

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