domingo, 25 de outubro de 2009

Eternidade

Em algum momento da vida creio que todos nós nos perguntamos, (ou será que somente eu no meu mundinho autista?) se faríamos falta na vida das pessoas. Ficamos imaginando cenas em que olharíamos tudo de fora, fora da cena. Nos bastidores como um bom obsessivo, como diria Vanda (professora de psicanálise). Acho que a influência que Ghost fez na vida das pessoas é demais de absurda, hehehehe.

Eu penso sobre a questão do legado, penso muito sobre isso. Aliás, não só penso vivo isso. Tentando fazer coisas, que costumo chamar de “eternas”, porque dá-se pra ler ambiguamente, como pra sempre e ternas.

É obvio, deixe-me justificar, que não sou assim com todos. Por uma simples vontade de não ser.

Alguns, não eu, se imaginam até em seu velório. Quem será que iria? Quem será que encontraria um tempo em sua agenda para ir responder ao contexto todo do “se mostrar triste.”

Quem será que diria: “como fará falta!”, “gostava tanto dele!!!” ou mesmo “ele era bom nisso, fazia aquilo como ninguém” (isso sim ficou ambíguo), ou gritar e se desesperar como um louco dizendo como, segundo Caco Antibes, pobre gritando... (Google responde) “me leva junto, me leva junto... pelo amor de Deus”.

Se pudesse fazer uma lista de convidados creio que não iria passar de umas 70 pessoas, não pessoas que eu sei que gostam de mim. Mas, pessoas que eu gosto. Que dá-se pra ler em mim facilmente, pois me influenciam. Pessoas que me ajudaram sem nem saber, e isso, mesmo que não saibam, é seu legado... Ter ajudado um ser como eu. Com palavras, ou sem elas.

Segundo o Chris Rock, Everybody Hates Chris, 2009, “legado é aquilo pelo qual nós seremos lembrados. (alguém deveria ter avisado o Michael Jackson) admiro mais não perco a piada.

É estranho pensar que o mundo continuaria igual sem sua presença, é estranho imaginá-lo sem ti. Como se ele ignorasse sua existência, pois ele de fato te ignora. Como se você fosse uma criança chata na beira da saia puxando e dizendo, “mãe, mãe, olha pra mim. Mãe, oh mãe, deixa eu falar”. Sabe aquela história de escrever um livro, plantar árvore e ter um filho? É como se fosse pra que alguém olhasse pra árvore e dissesse “quem plantou essa árvore foi o Douglas”, “quem escreveu esse livro foi o Douglas”, “esse é o filho do Douglas”, ou “eu sou filho de Douglas”. Para que alguém cite que um dia o Douglas, ou você, existiram.

As pessoas acordariam no dia seguinte e diriam: “a vida continua, deixe-me trabalhar”. Lembrariam de vez em quando das besteiras que dizia, ou das pérolas de sabedoria que derramo nos quatro cantos (humirrrrrrrrrrrde). Isso tudo diria de quem eu sou, diria da mensagem que quis, ou pude deixar.

Imagino que seria numa terça-feira, que todos seriam pegos de surpresa e que muitos nem saberiam, pois minha família não sabe quem são meus queridos amigos. Que seria um velório barulhento, não teria nem uma pessoa desesperada, gritando “me leva junto”, as pessoas que conheço não são desse naipe, ou será que teríamos surpresas? Hehehhe...

Talvez até aqui você pense que esse é um texto mórbido, de “vivas a morte” (vivas a morte... hehehe), mas pelo contrário. Creio que quanto mais certeza tenho de finitude mais quero viver. Mais vivo bem. Porque lá no cemitério, onde vive os mortos (vive os mortos, essa foi boa) há pais que desejaram ser melhores, amigos, filhos, irmãos que desejaram ser melhores, mas não foram... não gostaria de ser mencionado assim.

Em 2007 eu fiquei sabendo que um amigo tinha morrido. José Augusto tinha 22 anos, minha idade agora, e era um desses seres que parecem que nasceram pra marcar a vida das pessoas. Estava há alguns meses sem vê-lo, tinha perdido contato com ele, por uma desculpa de tempo, e tal. Foi a primeira pessoa significativa que perdi. Quando descobri que tinha falecido, fiquei alguns dias sem nenhum tipo de emoção a não ser indiferença, parecia que haviam sugado minhas emoções. Consegui elaborar luto depois de uma semana... chorei tanto que meu travesseiro teve que ser trocado. (isso não é exagero).

Senti-me que havia o abandonado, uma sensação nova... como se pudesse ter mudado algo, doce quimera!!!! (amo essa palavra). Mas, pensando depois fiquei feliz em Deus por saber onde ele agora estava, e agradecido por ter tido a oportunidade de conhecê-lo. Agora em outubro fez 2 anos que ele deu “até logo”, em quanto isso as lembranças me ensinam muito. Talvez não consiga coloca em pratica todas elas, mas estou tentando ser o máximo que puder ser “eu”. Que esse seja meu legado, que possam dizer que “Douglas foi o máximo Douglas que pôde”. “Enquanto viveu foi Douglas”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pau-rodado em curva de rio

Você já prestou atenção que quando está ansioso para que algo aconteça você não produz absolutamente nada? Fica ali roendo suas unhas sentindo a dor de fazer isso para que talvez com a dor se lembrar de ficar com os pés no chão. Tentando se lembrar de que é só um ser humano, tão suscetível ao erro quanto o Juiz de futebol que marcou pênalti contra seu time. (unhas, pés. Outro dia meu sobrinho cansado de procurar um cortador de unhas, roeu as unhas dos pés, kkkk. Não me lembro de ter tido um dia aquela elasticidade). Fica rodeando esperando que o tempo passe e aquilo que se espera aconteça. Nesse meio tempo entre a espera e o acontecimento você tenta, de todo jeito criar algo, mas nada surge, é como espremer bagaço de laranja. Sua cabeça gira em torno daquilo como se fosse a coisa mais importante do mundo, aquilo te cega de um tanto que passa a crer que irá definir sua vida. Vocês já brincaram de pião? É mó legal nas primeiras vezes, depois você sente um tédio, porque pião não exige muito a criatividade. Aquela coisa fica ali girando, girando, girando... O legal do pião é o arremeço, e só. Mas, ainda o arremeço depois de certo tempo cai no marasmo, você começa a ter preguiça de enrolar aquele fio, que agora parece até ter esticado magicamente. Essa falta de vontade, gerado pelo tédio da rotina do pião, em que o objetivo é um só, fazê-lo girar, que faz você buscar coisas novas, mais desafiadoras. As expectativas por sua vez geram uma esperança “paridora”, você engravida do sonho. (imagine parindo aquela mansão que sonha em ter... Não posso imaginar nem parindo um filho, “Senhor, obrigado por ser homem”) A expectativa te faz preparar-se para receber. Os pais ansiosos em ter o filho tão desejado arrumam a casa, prepara um quarto. Compra roupas, ou seja, cria um espaço, abre um lugar para a criança. Essa criança existe antes de verem seu rosto, já tem um nome, às vezes um time de futebol (roupa de time em criança é tão cafona, mas qual pai que não é cafona?)... Quando ela nasce os pais olham para ela e matam saudades, como se fosse um parente que já visitara a casa e, depois de uma longa estadia longe, retorna cheio de abraços e cafunés. Esse amor do esperar vir a existir cria um ambiente que recebe com carinho o que se espera. A expectativa é fértil, a ansiedade é capada. A expectativa faz você irradiar como luz do sol, a ansiedade te coloca pra dentro, você age como se colocasse flechas inflamadas apontadas para ti mesmo. A expectativa aduba a felicidade, a ansiedade te faz sofrer duas vezes. (Meu, alguém manda esse texto para Ana Maria Braga, ela precisa lê-lo na abertura do programa) É cômico, porque se parar pra pensar não faz sentido sofrer por antecipação, sofrerá duas vezes, certeza. Pois a produção cai com tanta pressão. Isso te faz pensar que é sozinho, porque ninguém sente o que você está sentindo. O desprender-se faz com que as coisas sempre fluam. Você conhece gente que não sabe descansar? Sabe aquele povo que vai a sua festa e quer limpar? “deixa que eu lave os pratos”, Você diz: “não precisa, eu lavo depois”, a pessoa insiste, você é obrigado a permitir se não é capaz desse sujeito virar seu inimigo. (jogar um avião na sua casa). Hehehehehe, que coisa angustiante. O cara sente que tem a obrigação de fazer alguma coisa até em momentos de lazer, é como se fosse um eterno funcionário. Tem que sempre cumprir missão, sente a necessidade de tapar todo problema que eventualmente ocorra, são esses seres que no fim diz: (leia com voz de retardado) “mas, eu fiz tanto e ninguém reconhece”. Seria cômico se não fosse trágico!!! São seres de projetos inacabados e visão curta, porque nunca vai dar cabo a nenhum projeto seu, sempre vai surgir um problema alheio que o arrastará a corrigi-lo por uma obrigação condenatória. O “estar só” se torna um sofrimento terrível, o sujeito se torna tão ansioso que não suporta encontrar-se consigo mesmo, relaxar, ficar em silêncio, não se permite jogar conversa fora. Fica sempre pensando nas coisas que virão, se desliga do agora, que lhe causa frustração, para pensar em um futuro que o aterroriza tanto, também. Porque ainda é uma possibilidade, até fantasia que o futuro pode ser melhor, mesmo sem projetos em longo prazo. Já vi tanta gente se desgastar com a preocupação do futuro. Amigos meus, que sofreram tanto em cursinho pré-vestibular, (ainda não inventaram jeito melhor de professor ficar rico), pois queriam entrar na tão bem estruturada, maravilhosa, Universidade Federal. Abriram mão de tanta coisa importante, porque naqueles momentos o mais importante era o foco de entrar na faculdade (com razão). Meu medo sempre, em qualquer situação que gera ansiedade, que antecede uma expectativa super-valorizada, é a frustração. Imagina, chega lá se depara com uma condição não correspondente a sua idealização. O problema é esse, o idealizar. Essa mania americana (falo do continente americano), de achar que sempre no fim vai dar certo. Nem sempre as coisas saíram como nos queremos, as expectativas não impedem que o acaso aja, como diz Luis dos Anjos, Bispo da minha igreja, somos conhecidos não pela nossa ação, mas pela nossa reação. Como lidamos com aquilo que nos é apresentado sem nosso controle. Lembro uma vez em que passávamos pela pior crise financeira da minha casa, e como toda crise financeira essa não veio sozinha, gerou tantos problemas mas, que não cabem citá-los nesse texto. Minha mãe desesperada com as contas chegando resolveu (como se tivesse outras opções) virar vendedora de tupperware. E como é sabido por todos trabalhar com esses produtos só vinga se criar uma equipe, com pessoas vendendo pra você e pessoas dispostas a pagar R$30, 00, em uma jarra de suco. Pois então, minha mãe chamou as vizinhas, correu o bairro todo convidando as pessoas, convidou umas dondocas que ela conhecia, organizou o salão ao lado de nossa casa, que antes era sua loja, agora falida. Fez uma receita nova de bolo de mandioca, e tantos outros quitutes, comprou refrigerante, fez suco. As 5h00min, meia hora antes do combinado com as suas amigas, a representante da tupperware em Mato-Grosso estava em minha casa, com o carro abarrotado de produtos e brindes que seriam distribuídos naquele dia. Minha mãe de fato tinha tido a melhor das expectativas, esperou que naquele dia fizesse bons contatos. Mas, o que aconteceu foi que o horário combinado chegou e ninguém apareceu, ninguém mesmo... Lembro-me de vê-la sentada em uma cadeira de carvalho, naquele salão vazio, cheio de cadeiras também vazias, ao lado da representante com olhos angustiados. E de comentar depois do fato de nem minhas tias haverem comparecido. É provável que minha mãe nem se lembre disso, porque foi e vendeu muitos produtos, inclusive para as furonas das minhas tias... Para ela essa expectativa frustrada não gerou nada que não pretexto para continuar batalhando e pagar as contas que não paravam de bater na porta. É claro que ela se sentiu mal quando faltaram, ela criou um ambiente para aquilo acontecer, mas eu penso que já devia seguir a filosofia Adriane Galisteu, “No fundo do poço há uma mola”, hehe Como manter um equilíbrio? Há um versículo bíblico que diz que a cada dia cabe seu mal, isso muda a visão, mas se não ouvida atentamente você pode justificar uma irresponsabilidade quanto ao próprio futuro. O que eu entendo é que você pode mudar o futuro com o hoje, mudar o que está perto de você, o dia de hoje. Amanhã e ontem não existem. Você se torna uma pessoa mais realista, passa a não fantasiar, vive de verdade. Encontra-se consigo, com seus medos, limites e potencialidades. “O teu maior erro é sua maior virtude canalizada de forma errada”
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