Em algum momento da vida creio que todos nós nos perguntamos, (ou será que somente eu no meu mundinho autista?) se faríamos falta na vida das pessoas. Ficamos imaginando cenas em que olharíamos tudo de fora, fora da cena. Nos bastidores como um bom obsessivo, como diria Vanda (professora de psicanálise). Acho que a influência que Ghost fez na vida das pessoas é demais de absurda, hehehehe.
Eu penso sobre a questão do legado, penso muito sobre isso. Aliás, não só penso vivo isso. Tentando fazer coisas, que costumo chamar de “eternas”, porque dá-se pra ler ambiguamente, como pra sempre e ternas.
É obvio, deixe-me justificar, que não sou assim com todos. Por uma simples vontade de não ser.
Alguns, não eu, se imaginam até em seu velório. Quem será que iria? Quem será que encontraria um tempo em sua agenda para ir responder ao contexto todo do “se mostrar triste.”
Quem será que diria: “como fará falta!”, “gostava tanto dele!!!” ou mesmo “ele era bom nisso, fazia aquilo como ninguém” (isso sim ficou ambíguo), ou gritar e se desesperar como um louco dizendo como, segundo Caco Antibes, pobre gritando... (Google responde) “me leva junto, me leva junto... pelo amor de Deus”.
Se pudesse fazer uma lista de convidados creio que não iria passar de umas 70 pessoas, não pessoas que eu sei que gostam de mim. Mas, pessoas que eu gosto. Que dá-se pra ler em mim facilmente, pois me influenciam. Pessoas que me ajudaram sem nem saber, e isso, mesmo que não saibam, é seu legado... Ter ajudado um ser como eu. Com palavras, ou sem elas.
Segundo o Chris Rock, Everybody Hates Chris, 2009, “legado é aquilo pelo qual nós seremos lembrados. (alguém deveria ter avisado o Michael Jackson) admiro mais não perco a piada.
É estranho pensar que o mundo continuaria igual sem sua presença, é estranho imaginá-lo sem ti. Como se ele ignorasse sua existência, pois ele de fato te ignora. Como se você fosse uma criança chata na beira da saia puxando e dizendo, “mãe, mãe, olha pra mim. Mãe, oh mãe, deixa eu falar”. Sabe aquela história de escrever um livro, plantar árvore e ter um filho? É como se fosse pra que alguém olhasse pra árvore e dissesse “quem plantou essa árvore foi o Douglas”, “quem escreveu esse livro foi o Douglas”, “esse é o filho do Douglas”, ou “eu sou filho de Douglas”. Para que alguém cite que um dia o Douglas, ou você, existiram.
As pessoas acordariam no dia seguinte e diriam: “a vida continua, deixe-me trabalhar”. Lembrariam de vez em quando das besteiras que dizia, ou das pérolas de sabedoria que derramo nos quatro cantos (humirrrrrrrrrrrde). Isso tudo diria de quem eu sou, diria da mensagem que quis, ou pude deixar.
Imagino que seria numa terça-feira, que todos seriam pegos de surpresa e que muitos nem saberiam, pois minha família não sabe quem são meus queridos amigos. Que seria um velório barulhento, não teria nem uma pessoa desesperada, gritando “me leva junto”, as pessoas que conheço não são desse naipe, ou será que teríamos surpresas? Hehehhe...
Talvez até aqui você pense que esse é um texto mórbido, de “vivas a morte” (vivas a morte... hehehe), mas pelo contrário. Creio que quanto mais certeza tenho de finitude mais quero viver. Mais vivo bem. Porque lá no cemitério, onde vive os mortos (vive os mortos, essa foi boa) há pais que desejaram ser melhores, amigos, filhos, irmãos que desejaram ser melhores, mas não foram... não gostaria de ser mencionado assim.
Em 2007 eu fiquei sabendo que um amigo tinha morrido. José Augusto tinha 22 anos, minha idade agora, e era um desses seres que parecem que nasceram pra marcar a vida das pessoas. Estava há alguns meses sem vê-lo, tinha perdido contato com ele, por uma desculpa de tempo, e tal. Foi a primeira pessoa significativa que perdi. Quando descobri que tinha falecido, fiquei alguns dias sem nenhum tipo de emoção a não ser indiferença, parecia que haviam sugado minhas emoções. Consegui elaborar luto depois de uma semana... chorei tanto que meu travesseiro teve que ser trocado. (isso não é exagero).
Senti-me que havia o abandonado, uma sensação nova... como se pudesse ter mudado algo, doce quimera!!!! (amo essa palavra). Mas, pensando depois fiquei feliz em Deus por saber onde ele agora estava, e agradecido por ter tido a oportunidade de conhecê-lo. Agora em outubro fez 2 anos que ele deu “até logo”, em quanto isso as lembranças me ensinam muito. Talvez não consiga coloca em pratica todas elas, mas estou tentando ser o máximo que puder ser “eu”. Que esse seja meu legado, que possam dizer que “Douglas foi o máximo Douglas que pôde”. “Enquanto viveu foi Douglas”.


