quinta-feira, 11 de abril de 2013

SNT - Sai da Nossa Terra


Esse ano fariam 10 anos que iniciei minha caminhada na SARA NOSSA TERRA. A primeira vez que fui foi quase arrastado pela minha mãe que desejava que tivesse contato de novo com o evangelho, já que frequentávamos a presbiteriana quando eu era criança. (sim, já fui pequeno.) Lá em 2003, com 16 anos eu não sabia muito bem o que queria na vida, nem o que seria dali pra frente. E talvez nem pensasse nisso, adolescente pensa em futuro depois que se vê tendo que escolher qual faculdade irá fazer.
Minha primeira experiência foi boa com a igreja. Até então, tinha um discurso de que acreditava em Deus e não na bíblia, não na igreja. –Pobre néscio. Rs- por isso, eu fiquei ali naquela posição de juiz de tudo o que acontecia ao meu redor, mas, ainda assim sai com boa impressão.
Passado alguns dias alguém começou a me ligar insistentemente para que fosse em uma célula, encontro com Deus... Fui sem problemas. E tive uma experiência que impactaria minha vida para sempre. Tomei por decisão, por conhecer, por ouvir, por ver e sentir a presença de DEUS, andar em seus caminhos, ouvir e obedecer sua palavra e levá-la até outros.
Até o 6ª ano de caminhada cumpri e respondi a todos os hábitos locais. Até de “crentão”, “espiritual” fui chamado. Mas, comecei a analisar o discurso e a prática, as palavras e a intenção e fui concluindo tristemente que as intenções não respondem ao que era derramado no microfone.
Primeiramente há uma intenção clara de comercio em tudo o que se ensina. Palavras direcionadas por lançamentos de livros, ministração em cima de cada palavra dita em uma música de lançamento. Óleos de unção (unções) de sei-que-lá temáticos de campanhas. Campanhas que sempre terminam com apelos financeiros, deixando evidente, ainda que de forma escusa, que a oferta é a única forma de ser abençoado. Ou, pior, que ser uma pessoa abençoada é ser abastado.
Não existe uma palavra pregada que o fim não seja dizendo como se pode ser bem sucedido em seguir a Deus. Tornando um discurso que agrada a platéia, dando exatamente o que a plateia quer ouvir. Forma essa de sensibilizar no apelo financeiro.
Uma coisa sempre me intrigou! Para onde vai o dinheiro arrecadado que não consegue resolver uma questão antiga de calor na igreja? Porque cobrar em todos os encontros, congressos, seminários se o prédio é da igreja, se a chácara é da igreja, se não paga pessoas para trabalhar, cozinhar ?
Há o parceiro de Deus, que nada mais é do que um 11º mandamento acrescido pela SNT. Um imposto para ser abençoado instituído pelo ex-deputado Robson Rodovalho. Ele funciona da seguinte forma, ou você cumpre ou será taxado de rebelde, muquirana, incompetente, infrutífero. Das vezes que tive célula tentava sem muito crédito incentivar os membros a colaborarem, pois, os frutos que o projeto apresentava só existiam em Brasilia.
Lembro-me claramente de uma cena. Eu não era um contribuinte individual do imposto “Parceiros do Roda...” de Deus, apenas um contribuinte coletivo, ou seja, minha célula contribuía com os R$ 30, 00 mensais. Daí, fui questionado porque não contribuía individualmente. Estava na faculdade no inicio do curso. Os dois primeiros anos de faculdade foram os mais difíceis para mim, por que meu pai não compreendia que não poderia trabalhar pois a estrutura do curso tomava meu tempo integralmente, então, ele decidiu que me daria apenas o dinheiro da passagem dos 4 ônibus que tomava diariamente e um outro pouco para comer alguma coisa. Portanto, muitas vezes nesses dois primeiros anos precisei optar entre comer ou tirar xerox. Houve algumas vezes que me ausentei da aula pois não poderia comprar a xerox. Até o dia que decidi vender salgados na faculdade para auxiliar esse processo. (mas, sem drama. Sério! Isso me ensinou algumas coisas.)
Voltando a cena que ocorreu justamente nesses dois primeiros anos... fui questionado porque não sacrificava meu dinheiro da comida da faculdade para me tornar um contribuinte individual. Eu disse que não faria isso. Porque já estava sacrificando muita coisa para estar lá. Não era o suficiente, nunca foi durante esses anos.
Cada igreja tem uma meta final de arrecadação de parceiros de Deus e se, esse valor não for alcançado no fim do mês a igreja fica “devendo”. Por isso há tantos eventos que são cobrados para suprir a meta.
Há um terror iminente sob todas as pessoas de não alcançar as metas megalomaníacas que lhe são vomitadas. Aqueles que não alcançam são convencidos que não se esforçaram o suficiente para isso. Há apelos para pedirem perdão para seus lideres por isso.
Anteriormente aqueles que se assumiam “rebeldes” eram claramente deixados de escanteio, citados nos discipulados, expostos como um exemplo a não se seguir. Mas, nos últimos anos encontrou-se lugar para eles. “Pelo menos contribuem com o alcance das metas de arregimentação.” Foram criados espaços que chamo de asilo dos rebeldes. Entre elas: atividade de teatro, dança, cuidar do data show, “intercessão”, decoração... Caso um rebelde desejasse contribuir com algo diferente disso se esbarraria em questões puramente burocráticas.
Rebelde é um termo interessante para uma igreja que nasce da divisão de outra igreja. Até então o auto-intitulado Bispo, o ex-deputado, fazia queda de braço com outro pastor até decidir que deveria montar uma outra igreja com todas as suas peculiaridades. Aliás, interessante mesmo é uma pessoa como ele, que é cheio de tic nervoso se dizer uma pessoa que não passa por crise e vender-se como alguém extremamente equilibrado.
Viaja de cidade em cidade, fazendo campanhas e terminando-as com apelos financeiros. Não há uma visita sua que não finde assim. Em uma dessas visitas fui obrigado a ouvir que ele não precisava do dinheiro de ninguém na igreja pois vendia livros. Perguntei-me, quem era mesmo o público que compra seus livros de conteúdo pobre e herético, se não os membros?
Alguns anos atrás muitos jovens, crianças até, foram convencidas a trabalhar de graça na campanha a Deputado do Robson Rodovalho. Ganhou e ali, segundo ele, começava uma trilha até a presidência do Brasil. Mas, a carreira foi curta bateu na cassação do mandato por infidelidade partidária. Ainda sofria investigação por ter cedido suas passagens aéreas de deputado para transportar bandas contratadas de sua gravadora para realizar shows pelo país.
Outro caso intrigante foi a igreja sede, em BSB ser condenada pela Justiça do Trabalho por fraude. Pois, obrigou a ex-funcionária abrir firma para se livrar dos encargos trabalhistas.
Agora a maior das incoerências foi o apoio a eleição da Dilma Rousseff . Todas as vezes que tratavam sobre politica na igreja o PT era mais condenado que Judas. TODOS tinham horror ao PT e ao mal que poderia causar a nação. Mas... de repente a coisa mudou de figura e o senhor Roda passou a apoiar o PT. Lembro-me do constrangimento do Bispo local ao anunciar o apoio ao PT uma semana depois de ter gasto o tempo quase todo da palavra convencendo-nos que o PT era o demônio em forma de partido. Na última eleição municipal os mesmos que passaram a amar o PT com Dilma, voltaram a demonizar. “ Estratégia da igreja. Há coisas que você não sabe.” – disseram.



Para a SNT entende-se que o cuidar de pessoas, pastoriado, é um ministério obrigatório. O que a palavra nos instrui na verdade é pregar, levar o evangelho. É estrategicamente entendido que aqueles que não possuem uma multidão seguindo não são dignos do evangelho, e qualquer outra coisa é secundária à isso. E mesmo que nunca tenham pensado assim, duvidam do poder de Jesus. Pois, que poder pequeno é esse de Jesus que precisam de quebra de maldições, mesmo depois que aceitam Jesus?
O processo de decisão não foi fácil. Demorou pelo menos um ano desde que a vontade de sentir-me valorizado por exatamente aquilo que quero oferecer a serviço do Deus que amo tanto, crescesse de tal forma que ficasse impossível de continuar. Não recebia mais as palavras que eram ministradas pois ouvia a intenção da palavra, não a exortação, inspiração, instrução. Nos últimos cultos que frequentei nem para quem estava pregando conseguia olhar, pois não poderia medir minha expressão de desconfiança. Não queria afrontar ninguém em sua casa. Mas, minha decisão ia influenciar na vida de outra pessoa. Não podia ser irresponsável e egoísta. Mas, Deus é perfeito. E tinham planos para nós dois, confirmou nos dois corações.
Tenho e sempre terei o coração agradecido pelo que aprendi com algumas pessoas dentro da Sara. Pelo amor dispensado por poucos que me acolheram quando precisei, que me orientaram sem aqueles interesses. Que me apontaram a palavra e Deus e nunca se renderam as metas megalomaníacas do Roda.

Deus os abençoe,

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alento

"Quem diz que o Bolsa-Familia é assistencialismo nunca passou fome" Marina Silva Durante muitos anos fui dos que critiquei o Bolsa Família, Prouni, e tantos outros. (bobinho). Aos quatro cantos me sentindo "o intelectual" dizia que o bolsa família e afins eram programas assistencialistas que na verdade servia para calar a boca das pessoas... Mesmo, sendo um dos que um dia se beneficiou do programa anterior ao bolsa família, o bolsa escola. (mal agradecido). Dizia que o governo usou dessa estratégia para fidelizar o povo em votar nestes "Pais" e "mães" fajuntos de projetos sociais, que tinha mais por intuito mantê-los na mesma situação ao invés de promover crescimento. De que demonstrava com isso que essa historia de igualdade a todos era uma grande “bullshit” para enganar as ovelhinhas sonhadoras.Mas, nos anos de faculdade tive duas matérias fundamentais para o meu calar-a-boca, Antropologia e Psicologia social.

ATENÇÃO: QUALQUE SEMELHANÇA É MERA COINCIDÊNCIA! (Peço permissão para viajar)

Imagine essa cena:

“Em um hospital como o Pronto de Socorro de Cuiabá, lotado de gente. Com os corredores cheios, pessoas caindo pelas janelas, filas enormes lá fora. Chega uma pessoa que tem dinheiro, teve oportunidades de estudar, de investir nela mesma, de crescer profissionalmente. Graças aos seus pais que trabalharam muito para t proporcionar lhe o mínimo que fosse. Puderam dar uma vida que tivesse nem que fossem apenas as refeições diárias. Digamos (isso é uma impossibilidade), essa pessoa procure o Pronto-Socorro com um dedo furado de agulha. Ela chega lá antes de todo mundo, às 5 da manhã, pega a primeira senha, assim que o digníssimo Doutor chegar, ela será a primeira a ser atendida. O Doutor chegará já, já... Após ter acordado ás 7 da manhã, (O médico) ter feito uma bela corridinha ao lado de seu personal Trainer no Parque natural que tem em seu belo condomínio de luxo. Ele chega lá no Pronto-Socorro dirigindo sua Santafé. Ele chega e vai direto para sua rotina de trabalho, ele é muito ético e ama o que escolheu como profissão. Se sente privilegiado de ter a chance de se formar naquilo que desejava. Dá uma olhada no movimento do hospital e já percebe que terá que trabalhar bastante naquele dia, “isso é típico”, pensa o nobre Doutor. Ele vai na direção daquele que ali estava desde às 5 da manhã, com a senha na mão e com um furo de agulha no dedo, é seu direito, afinal ele chegou mais cedo que todo mundo. Quando o médico se aproxima para começar a consulta recebe a noticia que alguém acaba de ser atropelado lá na frente do Hospital, é Maria e seu filho.

Naquele dia Maria tinha acordado também às 5 da manhã, iria levar o pequeno Gilson para consultar, o garoto vem apresentando problemas respiratórios desde que o tempo ficou tão seco, isso sempre acontece com os filhos de Maria nessa época do ano. È um horror, todos tossem sem parar, ficam com febre, e às vezes apresentam até desarranjo intestinal, (caganeira, para os mais íntimos). Mas, na noite anterior Gilson tinha tossido a noite toda, e chegou a ter alguns ataques que lembrava ataque asmático. A vontade de Maria era chegar lá no hospital primeiro, mas precisava preparar alguma coisa para as crianças comer antes de irem para a escola, arrumar as crianças literalmente. (cada um dos catarrentinhos. hehhe). Passar uniforme da escola, colocá-los para tomar banho. (a do “meio” sempre faz birra para tomar banho. “deve ter puxado o pai”, pensa Maria). E, nem se deixasse tudo como está Maria não conseguiria chegar ao hospital ás 5 da manhã, em seu bairro o ônibus só passa a partir das 6... Maria é uma empregada doméstica, ganha um salário mínimo que faz o que pode para sustentar os 3 filhos, Gilson de 4 anos, Camila de anos e Diogo de 9 anos, todos criados apenas por ela desde que o pai faleceu de Febre amarela, contraída em uma de suas viagens para trabalhar na plantação de Milho. Pois bem, Maria chega ao hospital e de longe vê o lugar lotado, ela soube naquele exato momento que não sairia de lá tão cedo. De alguma forma fica hipnotizada com o Hospital daquele jeito, pensa que algo aconteceu para estar tão lotado, devia ter ido na policlínica, ou ainda ter ido no postinho do bairro, mas lá nunca tem médico, se justifica Maria. Quando vai atravessar a avenida de frente ao hospital, ouve uma freada, Gilson e Maria são lançados metros de distância, os dois ficam gravemente ferido. Uma pessoa diz: Sorte ser aqui na frente! (sorte?!)

A pergunta que fica, qual é a prioridade agora? Respeitar as regras pré-estabelecidas? Ou levar em consideração o quesito gravidade, urgência?

A pessoa que chegou às 5 da manhã fica revoltadissima quando vê os enfermeiros passarem as pressas com macas em direção a rua. “eu cheguei aqui primeiro. Paguei um preço para estar nesse lugar... acordei cedo, tive que desmarcar compromissos seriíssimos, gastei combustível, deixei meus filhos sob responsabilidade da minha empregada e chega alguém e vai passar na minha frente? A direção desse Hospital é ruim, não é justa... De repente alguém diz que se trata de duas pessoas pobres. Ela diz: e dái, só porque é pobre vai atender com privilégios, devia tratar todo mundo igual. O médico vendo aquilo e tomado de tamanha compaixão, inclusive pela nobre pessoa que gritava a plenos pulmões o quão injusto era tal decisão por parte da direção de atender outro qualquer primeiro, pede para que ela adentre a UTI e julgue ela mesma se era injusto. Ela entra e, fica chocada com o que vê, de repente aquilo que dizia, pensava, sobre justiça, seus discurso sobre “igualdade” perde todo significado, ela se envergonha de um dia ter dito algo assim. Entende, até que enfim, o que dizia seu renomado professor de Direito, na faculdade. “ Para sermos justos, de fato, devemos tratar desiguais com desigualdade”

Na faculdade fiz estagio no CREAS, CENTRO DE REFERENCIA ESPECIALIZADOS DE ASSISTENCIA SOCIAL, entre atender menores infratores, (como esse termo me aborrece), crianças abusadas, lá mesmo nas instalações do CREAS, realizava visitas semanais com a equipe composta por uma Assistente Social e um Psicólogo, e fiquei impressionado com o que via, cenas que havia visto na TV, ali bem na minha frente. Um nível de pobreza que sabia que existia mas, que nunca tinha me permitido experienciar. Comecei a entender que há coisas urgentes, que não dá para esperar o governo criar oportunidades de crescimento para esses através de uma educação ou geração de emprego. Isso é sonho classe-média, isso é sonho. È preciso tomar atitudes, atitudes extremas, se dar dinheiro para que esses possam comer é assistencialismo, qual o nome que se dá para quando fazem ações para arrecadar alimentos e fazerem doações?

Julgava que ações voltadas a cotas, como as que tem em faculdade era desigualdade e era considerar a pessoa burra, incapaz. Pensamento lógico, certo? Errado. Esse país deve aos negros anos de escravidão e subjugo que se seguiram até mesmo depois da queridinha Princesa ter assinado o tratado de liberdade. Empurraram os negros para os campos, para os morros, porque o patrão, ex-dono de escravo se negou a tê-los como empregados, pagar pelo serviço que antes tinham de graça, em seus lugares foram colocados gente branca... agora, que vemos um governo tentar reparar esse erro, dizemos tantas bobagens sem base histórica, sem conhecimento de causa, agindo como rec-repete do GUGU. Não, eu não sou a favor do Fruto do Mar, (LULA), nunca votei e jamais votaria em tal ser, quem sabe se fosse o POLVO vidente? Apesar de considerar que fez um bom governo, mas, só lembrando que esse projetos sociais deram partida no governo FHC por intermédio de sua esposa, a antropóloga Ruth Cardoso.

O bem que o programa Bolsa Escola Fez a esse país só pode ser colhido agora, depois de mais de 10 anos de seu ponto de partida. Muitas crianças que não iriam freqüentar escola foram, pelos motivos certos ou errados, eles estavam na escola. Já que a condição mínima de permanência no programa era que os filhos estivessem matriculados e freqüentassem regularmente uma escola. A escola ficava responsável de controlar a freqüência dos alunos. Hoje há estudos sérios do impacto que causou na educação nessa primeira década do século XXI. (Google, Google já, como é bom Googlar!)

Passei a respeitar mais ainda o programa quando minha priminha, uma beneficiária perdeu o direito a bolsa, pois seus pais melhoraram de vida. Então, não assistencialismo é uma ponte, e como toda ponte serve apenas como uma passagem. Eles passaram, já não mais precisavam daquilo, poderiam andar por si mesmos em terra firme.

Alimenta teu cão e ele guardará tua casa; faze jejuar teu gato e ele te comerá os ratos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Douglas e as Palavras

Agosto, mês do meu aniversário, completarei inacreditáveis 23 anos. Lembro de olhar para meu tio uma vez e perguntar pela idade dele, 23 anos na época, e fiquei imaginando como seria ter aquela idade que parecia estar tão, tão distante (Far, Far away. Quem é fã de Shrek entende!) Pareceu-me de alguma forma que meu tio não tinha tudo o que eu imaginava que uma pessoa de 23 anos devia ter. Na cabeça daquela pobre criança (creançaa) não fazia sentido ele não ter estudo (ter feito um curso superior ou coisa assim), carro (nem que fosse um “Fuscão 69), namorada (Até uma Fiona serveria, uma Fiona diurna, claro!) até mesmo ainda morar com minha Vó. (se minha vó fizesse seus quitutes das 15h15 para o resto da vida, até eu ia desejar morar com ela). Fiquei até com uma certa dó do meu tio. Deu até vontade de dividir meu dinheiro do lanche com ele. Brincadeirinha, lanche é sagrado!

Fiquei com aquilo durante uns 15 segundos na cabeça até me distrair com alguma brincadeira. Hora ou outra aquilo me voltava e declarava (palavras) : “comigo vai ser diferente, comigo vai ser diferente”! (alguém assistia “Esqueceram de mim” desenho? O garoto esfregava uma luva de baseball repetindo uma frase até o desejo dele magicamente ser atendido). E claro que foi diferente, porque eu sou outra pessoa. Eu sou diferente. Não estou dizendo de escala de valor, melhor-pior, estou falando do diferencial. Divido meus pais com minhas irmãs, mas a leitura que faço deles é única, divido livros com amigos, mas a leitura (nesse caso literalmente) que faço deles é única, divido espaço, alguns filmes, pensamentos, projetos, lanche, (é... lanche não) mas, minha visão vai ser sempre diferente, porque eu sou um produto cuja matéria prima é impossível de ser “juntada” e misturada para formar um outro “eu”. E isso serve para qualquer outro ser pensante na terra. (e a Carla Perez também, porque não?!)

Leia isso em voz alta: Nós somos diferentes!

Vira e mexe (falar em Carla Perez dá nisso, já vem letra de Axé: Vira e mexe, mainhaaa.... hehehhe) mas, continuando... Vira e mexe deparo-me com pessoas se irritando comigo. E, dependendo de como isso é manifestado eu reparo meu erro na hora. Peço perdão, digo que não farei mais e é bem possível que não faça de novo mesmo. Considero respeitável a opinião alheia sobre o que digo, quando é direcionado a ela, quando é direcionado a outros e uma pessoa alheia a isso demonstra não gostar, eu confesso que não me importo. E isso é engraçado, porque as coisas que digo, sempre no intuito de provocar se não riso pelo menos pensamentos, desagradam aqueles cujo(a) minhas palavras não tem como alvo.

Sei que, sabe-se lá porque, as pessoas levam em consideração o que falo. (Para o bem ou para o mal isso acontece sempre). Vivo descobrindo coisas que disse, “Douglas, você lembra que uma vez me disse isso, isso e isso?”, envergonhado respondo: “Claro que lembro”! Fico fascinado não com o poder das minhas palavras, mas o poder das palavras! “Cara, não leva tão a sério o que eu digo”, “Ah, Douglas, mas é que você é tão sincero daí eu fiquei pensando naquilo e...!” Quero que não confundam sinceridade com grosseria, procuro não ser deselegante. Apesar dessa tentativa não me blindar, ás vezes sou com propósito! Não tenho pretensão de ser o mestre-sabe-tudo, mas, quero dividir tudo o que sei. A melhor forma de se tornar eterno é despertar no outro o potencial que ele tem para aprender.

Aprendi com isso que as palavras são mágicas, (nada de pensamento positivo), falo de Oração. Falo que as palavras possuem o potencial de dar conforto, de irritar, de destruir, de contribuir, de transformar. Eu creio na PALAVRA, eu creio através dela.

Os pensamentos que me vieram da observação da vida de alguém com 23 anos foram palavras que cultivei em mim. Quando declarei que comigo seria diferente, de alguma forma estava usando aquelas palavras como degrau. Foi minha pequena oração. Ainda faltam algumas coisas daquela lista de “coisas para se ter com 23”, mas estou no processo, não morri! (Fiona, cadê você Fiona?! Hehehe)

Por isso se está na lista dos que um dia se irritou comigo nesses 23 anos de vida que estou prestes a completar (nascimento: 28/08), eu te peço uma chance de te ofertar outras palavras.

Você é extremamente importante para mim a ponto de me importar/implicar/aplicar-me em pensamento e em palavra-ação e dizer-lhe algo e, em uma tentativa sem sucesso tentei fazer com que olhasse sob novo ângulo. Quero que entenda que isso não é um pedido de desculpas, não posso pedir desculpas por ser quem sou, mas posso aprender como ser melhor “eu”, nisso espero contar com você, com suas palavras. Você sem dúvida alguma é um dos ingredientes que me formam. “Douglas, Douglas... eu nem te conheço direito, como posso ser importante assim?” Ótima pergunta!

Deixe-me um comentário no blog e contribua para meu crescimento. (uma pessoa me disse essa semana: “Cresça!” Uma pessoa que aos 35 anos de idade se veste como uma criança, me ocorreu de dizer isso a ela, mas pensei: (olha as palavras transformando e ajudando evoluir de novo através de meus pensamentos), “será que ela está preparada para ouvir isso? Aqui é o lugar certo para dizer isso? Ela realmente se veste como uma criança? (sim)” acabei preferindo a sabedoria e não disse nada. Por enquanto. )

Ahh, meu aniversário! Se uma coisa eu te peço nesse aniversário são palavras. Por favor, me presenteiem com palavras. E, com Polos, com livros, CDs, relógio, camisetas... hehehhee. Palavras são meu combustível. Álcool também, não, não. Eu não bebo, mas meu carro sim! Tragam suas palavras bem embrulhadas, com todo cuidado e carinho, eu prometo não só cuidar bem delas, mas prometo plantá-las e fazer delas um grande jardim. Obrigado!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ensaio sobre a Finitude!

Sábado, 22 de Maio de 2010. 13hr20min, meu telefone toca.

Dartanhan: "Alô, Douglas, tudo bem? Olha só, eu e Silvio combinamos de ir com camisa xadrez (para foto de formatura) ao invés de camiseta preta ou branca. Quero só ver a cara que a Maíra (a modelo da turma) vai fazer! (Risos, muitos risos, de ambos os lados da linha.) Leva uma também, ok?

Depois de receber essa ligação fui almoçar, sozinho, todos na minha casa já haviam almoçado (povo individualista, pô! hehehe) e, entre uma garfada e uma bebericada em um suco quente esquecido fora da geladeira, tive a sensação de finito. De repente, como se uma bigorna (como aquelas dos desenhos da Tiny toons) tivesse caído bem na minha cabeça, percebi que mais um ciclo estava se fechando, mais um grupo, de uma boa e longa jornada, estava com os dias contados.

O que me fez pensar em coisas que acabam, que chegam em um fim, porque elas simplesmente têm que acabar, pois justamente precisam ter finalidade. Não acredito que as coisas comecem (existem) e depois desaparecem (como o Rouge, 5ive, Spice Girls, Susan Boyle , ou qualquer outro competidor do Ídolos ), não penso que seja assim, mas creio que elas tem etapas muito bem estabelecidas, por você, te levam ao pé de uma nova escadaria que sorridentemente nos convida a subir um pouco mais alto. Gosto da visão da Química e da Metafísica que diz que as substâncias não desaparecem (as substâncias são seres absolutamente infinitos), elas não somem do mapa, (como a Sérvia e Montenegro) elas se transformam em outra coisa, (Thammy Gretchen que o diga), elas mudam e exercem outra função em outro esquema químico, se relaciona e se transforma de novo. Comunica-se com outras substâncias, e nessa comunidade ela forma algo totalmente novo, sendo a mesma coisa. Nesse sistema ela nunca para de mudar, se adaptando, mas fechando ciclos. Hoje isso aqui, amanhã aquilo lá.

Vejo muitos amigos receosos da proximidade de “fins”, seja faculdade ou qualquer outra coisa, eu gosto muito de fins, porque vivo do que é fresco (mas, nada comparado ao Richarlyson), gosto de sentir frio na barriga, antes de coisas novas, sou viciado nisso. Não é a toa que faço Teatro, (não que eu seja pedreiro), sou apaixonado em emocionar as pessoas, fazê-las rir ou chorar. Aquela sensação que dá minutos antes de pisar lá no palco, é indescritível, tão bom quanto pão-de-mel. Quando eu entro, o palco é meu, (Esse castelo será meu, meuu, todo meuuu, ou não me chamo Sr. Abobrinha!), as pessoas são parte da apresentação, elas me observam, avaliam, e eu a elas. Quando termina a apresentação, o famoso “Fim”, sinto-me bem porque tenho a sensação de trabalho feito, de mensagem levada, me sinto um instrumento de Deus, um canal. Não fico lamentando porque acabou, eu já penso na próxima, porque desejo aquilo de novo.

Em cada nova etapa, em cada novo degrau da grande escadaria, eu sinto que estou me transformado na medida em que transformo, a essência continua a mesma, intocável, imanipulável, mas eu mudo e me permito novos olhares. Aliás, como tenho experimentado isso, passado a admirar pessoas que antes repudiava (só essa palavra para significar isso mesmo), às vezes me pergunto: “Será, que estou sendo Hipócrita, ou de fato mudei?” Sim, eu sei que mudei. Aquela pessoa que era não teve um fim, não desapareceu, ela está aqui vos escrevendo, mas ela agora sou eu, entende? (É mais fácil entender o Mercado de Ações).

Os ciclos precisam terminar, eles precisam se fechar. É preciso fazer novas associações, se comunicar com outras substâncias, totalmente e completamente diferente da sua. Pelo bem da sua boa vida isso se faz preciso. Para que não morra sendo a mesma coisa, não desempenhando novas funções dentro de sistemas outros. Já que você, “a substância absoluta”, tem vários atributos. Pode ser, portanto, um Ser resiliente (gosto dessa palavra e, sem lá porque, nunca criei a oportunidade de usá-la. Resiliência, resiliência, resiliência) dotado de potencial à mudança. Triste coisa é ter isso e desperdiçar com um fim que muito se assemelha com o inicio. Não fazendo fechamentos. A formatura é um rito de passagem interessante, pois declara fim à um ciclo e, dá boas vindas a outro. (Seja Muito Bem Vindo, Querido Mercado de Trabalho!!!)

Durante esses últimos 4 anos me senti aprisionado, na geladeira como a Daniela Cicarelli ou a Adriane Galisteu, como se estivesse em um navio, trabalhando para mantê-lo navegando, cuidando de cada um dos detalhes necessários para que não naufragasse. Diverti-me muito com a tripulação, dando risadas, chorando, cantando e lamento em um só coro, nem de perto foi um tempo ruim. Mas, agora que avisto terra firme, mal posso esperar para pôr os pés lá. Daqui vejo frutos deliciosos, vou escalar até o topo da árvore e apanhar os mais bonitos, irei saboreá-los bem devagar estendendo assim o prazer que me proporcionarão. A viagem foi boa, companheiros, mas ficarei muito feliz em desembarcar. Preciso tomar aquela floresta que daqui admiro, ela é minha.

Nada vai acabar, vamos apenas nos deparar com as finalidades, ou melhor, “Finalidades”, pois desempenhamos uma função em um sistema e, agora precisamos fazer uso da substância dotada de atributos infinitos e fazer uma nova comunicação manifestando atributos inéditos. Só muda o que não é absoluto, só acaba o que nunca foi. Aquilo que é, que seja!!!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Presença da Ausência

Estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro que tem tanta mágica. Chegamos a sentir o “gosto” de coisa nova chegando. Fazemos cursos, faculdade, compramos roupas novas, Cd novos (se não compramos, baixamos. Deus abençoe o 4shared e o apenasmúsica.net). Gosto de coisa nova é ótimo. Enquanto espero os downloads terminarem, com Cds que aguardo a tempo lançamento, fico com uma mistura adocicada de medo e esperança. Medo de que o Cd não corresponda ao que espero e, ao mesmo tempo, esperança de que seja tão bom quanto ao anterior de determinada banda, grupo. Isso aconteceu com os últimos Cds do Leeland, Lifehouse, Fernadinho, Switchfoot e David Quinlan... Infelizmente o último referido foi o único que pensei: “Poxa, como gosto do anterior, do anterior a esse”

Ouço bater em minha porta, todos os dias mil possibilidades, mil novos projetos de construção do novo “Douglas”. Olho atentamente alguns e descarto de cara, ali, na lata. Já outros, analiso com carinho, ganham simpatia diante dos meus olhos, me inspiram a sonhar. Os que rejeito é porque não cumprem um requisito básico: não tem princípios, apresentam fins neles mesmos. Outros me obrigam a “limpar a casa”, correr pro porão e fazer uma faxina daquelas, descer todas as caixas, limpar cada canto. São projetos que não cabem em um lugar entulhado, que, de tão preciosos não suportam a poeira do tempo.

E, nessas horas... Que saudade que dá. Aliás, oh, palavrinha essa. É um sentimento? É um pensamento, ou será um sensação? Saudade é uma coisa boa ou ruim? Traz-nos Lembranças boas de um passado que, de tão bom merece ser re-experimentado, ou nos dá aquela sensação de velhinho-de-praça “no meu tempo era melhor”?

Algumas pessoas surtam quando pensam no futuro, eu não. O futuro deve dar medo porque é uma folha em branco. Uma A4, entregue em nossas mãos e, como uma professora que não sabe bem o que fazer pra “ocupar” os alunos diz: desenhe livre. Daí nos desesperamos com a inexistência de idéia... o que acontece com a maioria é desenhar o básico, casa, árvore, pássaros e sol. No medo de ficar sem nada pra “desenhar” optam pela primeira coisa que vem a mente, o óbvio. O Ordinário, que de tão comum nem é discutido se vai ou não fazer, aliás, nem se discute como vai fazer. Não há discussões se vai ou não fazer arroz e feijão no almoço. Hello!!! Arroz e feijão, claro que vai ter isso, o acompanhamento que é discutido. Agora como vai fazer o arroz e feijão, isso sim, nunca será mencionado até porque não há grandes diferenças, né?

Lava o arroz (ou o feijão), alho, óleo, sal, cozinha. Pronto!!! Existe um jeito bem estabelecido e conhecido por todos. Agora se proíba de comer arroz e feijão pra você ver o problemão que irá lhe arranjar. É a falta que desespera.

Ora, ou outra nos deparamos com a falta, a tal saudade citada. E como disse é naqueles momentos que estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro, que essa sensação, pensamento ou sentimento pula bem na nossa frente. Saí de trás de uma árvore, uma que fica no nosso caminho cotidiano, aquele que passamos todos os dias.

Afundamos em uma melancolia repentina. Voltamos lá pra Barbacena de nossas infâncias, ah, como lá era bom! É engraçado que o tempo apaga (ou não, como diria Caê), as coisas ruins de determinado tempo. “Ai, que saudade da época de escola”. Espere um minuto e eu já te lembro das coisas ruins. Hehehee. A tendência é sempre essa, arrancar os espinhos do passado, enfeitá-lo com florzinhas coloridas, colocar na parede da sala e ficar olhando, suspirando, sobre como era bom. É irrefutável a existência das coisas boas, mas é inegável a existência das ruins. O que me dá mais saudade não são as coisas, ou a situação de “aquela época não tinha compromissos, vivia uma férias permanentes”, me dá saudade das pessoas. Que hoje nem sei se seriam as mesmas, se seriamos amigos como éramos. Tenho saudade do que era, das coisas que eram, não das coisas que “poderiam ser hoje”, creio que estou no caminho que deveria estar, sem “mas”, por isso não fico pensando no “deveria ser”, porque isso envelhece, te transforma em um chato reclamão, cego frente as novas possibilidades, um eterno insatisfeito com as coisas novas que se apresentam.

Ai, que saudade! Como é bom poder suspirar assim, tendo a certeza que não precisa voltar aquele tempo para que possa aproveitar o hoje. Como é bom reler coisas, rever fotos e dizer, “era feliz lá”, mas, sou feliz aqui. Como é bom pegar uma folha em branco nas mãos e pensar em algo novo pra desenhar, talvez até uma casa, árvore, pássaros e sol, mas de um jeito novo, um jeito que surpreenda a todos, inclusive você mesmo.

A melancolia presente, e do presente, é porque nos deparamos com esse “nada”, temos o passado, concreto e imutável e insistimos em promover uma luta entre ele e o futuro. Como se a vida não fosse algo linear, contínuo. Como diria minha professora de Antropologia, se matarmos o “velho” condenamos o futuro. É preciso conviver, ter uma convivência harmoniosa de respeito e busca de aprendizagem. Se conseguirmos isso abandonaremos a melancolia frente as fotos, cartas, enfim. Olharemos com um sorriso de canto de boca e desejaremos fazer do presente um bom passado no futuro.

terça-feira, 23 de março de 2010

Herança de Herói

O que faz de alguém um “especial”? O que é que torna uma pessoa, que outrora um comum, se torne em um simples “plin” um amigo admirável, um herói de todas as horas? O que é tão arrebatador assim? Que muda nossa visão, que nos inspira a sermos pessoas melhores? Quando falo melhor, estou me referindo a uma pessoa mais próxima daquilo que desejo – sempre desejei- realmente ser. Há pessoas que me ensinam tanto! Que me inspiram tanto! Que me fazem querer estar em uma constante evolução e crescimento, e fazem isso apenas com a aceitação incondicional de quem eu sou. Não tentando me consertar, mas apenas cuidando de mim.

São essas pessoas que me levam para o centro do Amor de Deus, onde eu posso olhar totalmente despido as minhas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Elas são meus heróis. Não de Capa e super-poderes, mas me resgatam através da maior força que existe, o amor. Eu ali, escondido em mim mesmo, com tantas potencialidades de uma Alma Nobre, Ungida, só esperando a Santidade, que nada mais é do que se tornar aquilo que se é.

Essas pessoas se movem de um lugar comum para lista de Amigos (de fato) quando compartilham suas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Olhamos para elas, ouvimos seus relatos sussurrados de “humanidade” e aquela figura do outro super-potente, arrogante, cheio de “privilégios” concedidos da vida, vira um “igual”. Desconstroem-se as falsas evidências do outro ameaçador, mesmo porque já não há motivos para se esconder. Entregam-se os esconderijos, porque já não há mais inimigos, na verdade ganha-se aliados.

Como tenho experimentado disso!!! Deus tem me ensinado lições valorosas nesses dias quanto a isso, tanto que sinto vergonha de mim mesmo toda vez que vejo alguém julgando outro sem conhecê-lo na totalidade, sem o ver como um ser contextualizado. Sinto vergonha de mim mesmo, sinto ao me lembrar de todas as vezes que eu fiz isso.

As pessoas são como livros, independendo de ser de seu agrado ou não, elas tem grandes lições a nos ensinar. (Se eu pedi pra que lesse esse texto é porque te considero um bom livro, obrigado por todo ensinamento.)

Esses são os heróis verdadeiros. Assim como Jesus um dia me resgatou de mim mesmo esses outros cooperadores de Cristo o fazem também. Quando o Resgate aconteceu, Jesus me encontrou encolhido, no canto de um quarto vazio, com frio, com fome, com tantos medos, totalmente ferido. Não consegui nem me mexer, não queria olhar pra trás e perceber que era mais um, que iria apenas me acusar e colocar o dedo em minhas feridas sem nem ao menos desejar curá-las. Ao longe ouvi seus passos, senti sua Presença. De alguma forma sabia que não era igual aos demais que já havia tentado se aproximar de mim. Estava esperançoso, e ao mesmo tempo, por causa das feridas abertas que tinha, cheia de bichos e pus, tentava a todo custo matar a esperança por conta da realidade. Não seria possível!! Ele se aproximou e, em tom de sussurro, balbuciou: “Filho!!!” Seu amor foi tão grande que chegou de mansinho, falou baixo pra não me assustar. Esfreguei meus olhos, tornei a cabeça a Ele com dificuldade, e em um “plin” tornei-me Seu amigo. O conhecia apenas de ouvir falar, mas naquele instante já era de experiência-lo. Essa é a Herança de Jesus, amor incondicional de tamanha força que move todos à mudança deliberada.

Ele se tornou o modelo de como ser alguém que liberta sua própria alma para Amar incondicionalmente. Não a liberta pra tomar suas próprias decisões, escolher seu próprio caminho, mas a liberta para ser o que já é. Grandiosa!!!

Toda vez que sinto que sou aceito incondicionalmente, onde me sinto à-vontade pra ser quem sou, ouço Sua voz: “filho, eu te amo”. E de alguma forma, estranhamente falando, isso basta.

Isso basta pra que se deseje auto-mudança. Pois me coloca de frente com meus desequilíbrios, se não preciso escondê-los então os encaro. Há nomes que gostaria de citar aqui, pessoas que tem esse poder sobre mim, mas prefiro dizer a eles pessoalmente, e sei que tenho feito isso ao longo da minha vida. São grandes heróis, que resgata o que há de melhor em mim.

Ayrton Senna estaria fazendo 50 anos se estivesse vivo. Ele é considerado um herói, amado e admirado. Ousei-me perguntar o porquê disso tudo? E uma cena me veio a mente, uma entrevista que ele deu ao fantástico em mil novecentos e lá pedrada. Ele ao lado de Adrianne Galisteu (frase do meu pai na época: uma oportunista), falando sobre suas vitórias: “eu não corro por mim, porque eu sou uma só pessoa, mas eu corro pelos outros. É muito bom saber que quando eu ganho milhões de pessoas começam a semana sorrindo”. Quando me lembro disso, entendo o motivo dele ser lembrado com muito carinho até hoje, era uma pessoa que permitiu sua alma ser grandiosa, não pelos títulos, mas pela postura diante da vida. Basta assistir uma entrevista dele pra saber que não era comum. O que ele disse com aquela frase foi: “não sou eu, a alegria da vitória não é minha, é nossa. Prefiro escolher resgatar o que há de melhor nas pessoas, o sorriso.” Com isso se desconstruiu a figura de alguém super-potente que ganhava todas, mas essa imagem deu lugar a alguém que simplesmente (como se isso fosse assim, simples), inspirava aqueles que o admiravam. Não era mais um ídolo, era um herói. Essa é sua Herança.

Com essa lembrança, costurada pelo rosto de Ayrton Senna, eu pude ouvir uma vez mais, com nitidez: “filho, eu te amo”. (Obrigado Senhor, por não medir esforços pra falar comigo. Por usar tudo e todos pra que eu ouça Sua voz.)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Penso que penso demais!!!

Uma coisa tem me intrigado ultimamente. Na verdade várias coisas tem me intrigado. Que bom, né? Significa que eu penso. Penso logo desisto como diria “Descarte”.

Aliás, penso que meu problema é justamente pensar demais. (Droga!!! Só nessa frase tem dois “pensar”). Lembro que uma vez um professor meu de matemática, Leônidas, típico professor, com seus 38 anos, com um sotaque cuiabano melhor que de Nico e Lau (leitores do meu Brasil, joga no Google), e um orgulho (ainda não sei bem porque) de ser do município de Mimoso, me disse assim: (com sotaque por favor) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”. Eu, o afobado, no alto do maior drama (sempre) estava declarando a ele minha definitiva deficiência em matemática. Com o caderno aberto, meio abandonado em cima de minha mesa, com as costas inteiras encostadas na cadeira e, com os braços pendurados, nessa postura de mãe ao fim do dia, ele se aproximou e me perguntou o que estava acontecendo. Respondi e, ele me ofereceu ajuda, começou a explicar aquela formula idiota, depois disse: “agora é C’ocê”. Fiquei imóvel olhando, ora pra ele, ora para o caderno. E ele soltou à frase citada. (leia de novo) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”.

Sim eu penso demais. E às vezes... como isso me atrapalha. Quero logo falar do equilíbrio, porque a tendência é sair de uma coisa exagerada e ir para o oposto, mas também exagerada. E ficamos nos”gambando” de que mudamos, de que evoluímos, que estamos pegando mais leve. É como se quando estivéssemos tirando uma venda dos olhos, ao mesmo tempo estivéssemos escolhendo uma outra, agora com estampas mais bonitas. (amo exemplos idiotas). O sujeito é super analítico e de repente se torna um “nem-penso-faço”.

É claro que devemos pensar em algumas situações, devemos colocar em listas (né? Sara) nem que sejam em nossas cabeças os pontos positivos e negativos disso ou daquilo. Já que algumas decisões parecem (eu disse: parecem) ser definidoras. E, há conseqüências.

O que o tio Leônidas, quis me dizer foi que não adiantava eu ficar olhando para o caderno pensando em como resolver aquela orgia de números e letras que davam zero no final (pra quê? Se o treco dá zero no final?). Eu precisava praticar porque se as dúvidas aparecessem no caminho teria à quem recorrer. Mas, eu não. Se não tinha entendido na primeira explicação, já não queria mais saber. Ele me fez uma proposta, praticar em casa, eu fiz isso!!! Entendi, e acabei gostando. (passou). E gostei porque estava dando certo, no começo achei estranho dar zero. Refazia várias e várias vezes, pra descobrir nas aulas posteriores que era isso mesmo. (Perda de tempo, Pô!!!)

Em Psicoterapia Breve (Google já) existe um termo chamado EEC (Experiência Emocional Corretiva), que nada mais é, explicando na miúda, algo que é dito por alguém que causa tamanho significação à quem ouve que gera uma mudança interna. Por exemplo, o sujeito faz o estilo largadão, aí tem algum evento que ele é “obrigado” a se vestir melhor. Chega alguém e faz um comentário totalmente sem a intenção de gerar tal mudança (até porque isso não tem como ser previsto): “Como você fica bem vestido assim! Com o cabelo assim”. O sujeito passa a prestar mais atenção em sua roupa, em como arruma o cabelo, se percebe e, de fato, muda.

O que o professor fez foi algo próximo disso. “Poxa!!! Eu penso demais”. Ou seja, “sai daí”. Saia dessa posição. Se levante (toma teu leito e anda). Rsrsrsrs.

Talvez tenha ficado mais “ação” depois disso. Sabe?! Parar de sofrer com o caderno aberto, achando que eu sou burro por não ter entendido a explicação. O que na verdade não adianta nada entender a explicação de primeira, ela não muda o fato do exercício ainda não ter sido feito, e nem me dá autoridade de eu declarar terror à matemática. O mais interessante foi descobrir que depois de ter feito alguns exercícios eu internalizei o processo. Dali alguns passos básicos era pura dedução.

Na faculdade vi isso. Tenho estágios obrigatórios (não remunerados), desde o segundo semestre. Se nas aulas teóricas achávamos que tínhamos entendido tudo, era nas práticas que constatávamos que as aulas teóricas só tinham autoridade de serem porque eram produtos de práticas. Quebrei a cabeça algumas vezes. Se disser que entendi a psicanálise depois de 4 semestres não por falta de leitura, nem tão pouco por falta de interesse, apenas falta da prática, vocês não me consideraram lerdo, né? Quando entramos em textos de Freud do fazer do terapeuta, aí me veio a epifania. (Que burro!!! O Word não conhece essa palavra). Tem gente que quer que eu explique em 15 minutos sobre isso. Eu até me arrisco porque quem pergunta merece uma resposta, mas não exija de mim a explicação da essência, porque eu também sou novo nisso. Quando me arrisco, ainda ouço: “Que bobagem. Esse Freud era louco mesmo”.

Existe uma frase que dizem da Índia (não a Serena, o país), “para se entender a Índia é preciso ir a Índia.” Por mais que a teoria, o blábláblá, a explicação, dê suporte para o entendimento é a experiência em loco que dá a idéia do todo. Se tentar explicar a Deus, e como é se relacionar com ELE não parecerá mais nada do que disse-me-disse religioso. Se você acha complicado entender a Deus ouse experiência-LO.

O mesmo acontece sobre as pessoas. Você ouve muito falar sobre alguém, as vezes com a visão de outras, o cômico é que somos tão “apaixonados” que compramos facinho a percepção alheia. Se chega alguém e diz que alguém desse ou daquele jeito, dissemos: “Ah, é? Não sabia que fulano é assim.” Basta isso pra gente ler a pessoa citada a partir desses óculos, o legal é quando damos o benefício da dúvida e descobrimos alguém tão bacana, bem diferente de como pensamos. Sei que a vida não é um exercício de matemática, graças a Deus, né? Porque chegar no final e dar zero, como diria um vendedor de feira de bairro: “é pra acabá!” Mas, em algumas situações só a experiência nos dará autoridade, pra dizer se gostou ou não. Vamos nos deparar com a sensação de que foi um tempo perdido, eu prefiro acreditar que foi um tempo investido em aprendizagem. Se no fim der zero pelo menos posso dizer com convicção que odeio matemática.

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