Esse ano fariam 10 anos que iniciei minha caminhada na SARA NOSSA TERRA. A primeira vez que fui foi quase arrastado pela minha mãe que desejava que tivesse contato de novo com o evangelho, já que frequentávamos a presbiteriana quando eu era criança. (sim, já fui pequeno.) Lá em 2003, com 16 anos eu não sabia muito bem o que queria na vida, nem o que seria dali pra frente. E talvez nem pensasse nisso, adolescente pensa em futuro depois que se vê tendo que escolher qual faculdade irá fazer.
Minha primeira experiência foi boa com a igreja. Até então, tinha um discurso de que acreditava em Deus e não na bíblia, não na igreja. –Pobre néscio. Rs- por isso, eu fiquei ali naquela posição de juiz de tudo o que acontecia ao meu redor, mas, ainda assim sai com boa impressão.
Passado alguns dias alguém começou a me ligar insistentemente para que fosse em uma célula, encontro com Deus... Fui sem problemas. E tive uma experiência que impactaria minha vida para sempre. Tomei por decisão, por conhecer, por ouvir, por ver e sentir a presença de DEUS, andar em seus caminhos, ouvir e obedecer sua palavra e levá-la até outros.
Até o 6ª ano de caminhada cumpri e respondi a todos os hábitos locais. Até de “crentão”, “espiritual” fui chamado. Mas, comecei a analisar o discurso e a prática, as palavras e a intenção e fui concluindo tristemente que as intenções não respondem ao que era derramado no microfone.
Primeiramente há uma intenção clara de comercio em tudo o que se ensina. Palavras direcionadas por lançamentos de livros, ministração em cima de cada palavra dita em uma música de lançamento. Óleos de unção (unções) de sei-que-lá temáticos de campanhas. Campanhas que sempre terminam com apelos financeiros, deixando evidente, ainda que de forma escusa, que a oferta é a única forma de ser abençoado. Ou, pior, que ser uma pessoa abençoada é ser abastado.
Não existe uma palavra pregada que o fim não seja dizendo como se pode ser bem sucedido em seguir a Deus. Tornando um discurso que agrada a platéia, dando exatamente o que a plateia quer ouvir. Forma essa de sensibilizar no apelo financeiro.
Uma coisa sempre me intrigou! Para onde vai o dinheiro arrecadado que não consegue resolver uma questão antiga de calor na igreja? Porque cobrar em todos os encontros, congressos, seminários se o prédio é da igreja, se a chácara é da igreja, se não paga pessoas para trabalhar, cozinhar ?
Há o parceiro de Deus, que nada mais é do que um 11º mandamento acrescido pela SNT. Um imposto para ser abençoado instituído pelo ex-deputado Robson Rodovalho. Ele funciona da seguinte forma, ou você cumpre ou será taxado de rebelde, muquirana, incompetente, infrutífero. Das vezes que tive célula tentava sem muito crédito incentivar os membros a colaborarem, pois, os frutos que o projeto apresentava só existiam em Brasilia.
Lembro-me claramente de uma cena. Eu não era um contribuinte individual do imposto “Parceiros do Roda...” de Deus, apenas um contribuinte coletivo, ou seja, minha célula contribuía com os R$ 30, 00 mensais. Daí, fui questionado porque não contribuía individualmente. Estava na faculdade no inicio do curso. Os dois primeiros anos de faculdade foram os mais difíceis para mim, por que meu pai não compreendia que não poderia trabalhar pois a estrutura do curso tomava meu tempo integralmente, então, ele decidiu que me daria apenas o dinheiro da passagem dos 4 ônibus que tomava diariamente e um outro pouco para comer alguma coisa. Portanto, muitas vezes nesses dois primeiros anos precisei optar entre comer ou tirar xerox. Houve algumas vezes que me ausentei da aula pois não poderia comprar a xerox. Até o dia que decidi vender salgados na faculdade para auxiliar esse processo. (mas, sem drama. Sério! Isso me ensinou algumas coisas.)
Voltando a cena que ocorreu justamente nesses dois primeiros anos... fui questionado porque não sacrificava meu dinheiro da comida da faculdade para me tornar um contribuinte individual. Eu disse que não faria isso. Porque já estava sacrificando muita coisa para estar lá. Não era o suficiente, nunca foi durante esses anos.
Cada igreja tem uma meta final de arrecadação de parceiros de Deus e se, esse valor não for alcançado no fim do mês a igreja fica “devendo”. Por isso há tantos eventos que são cobrados para suprir a meta.
Há um terror iminente sob todas as pessoas de não alcançar as metas megalomaníacas que lhe são vomitadas. Aqueles que não alcançam são convencidos que não se esforçaram o suficiente para isso. Há apelos para pedirem perdão para seus lideres por isso.
Anteriormente aqueles que se assumiam “rebeldes” eram claramente deixados de escanteio, citados nos discipulados, expostos como um exemplo a não se seguir. Mas, nos últimos anos encontrou-se lugar para eles. “Pelo menos contribuem com o alcance das metas de arregimentação.” Foram criados espaços que chamo de asilo dos rebeldes. Entre elas: atividade de teatro, dança, cuidar do data show, “intercessão”, decoração... Caso um rebelde desejasse contribuir com algo diferente disso se esbarraria em questões puramente burocráticas.
Rebelde é um termo interessante para uma igreja que nasce da divisão de outra igreja. Até então o auto-intitulado Bispo, o ex-deputado, fazia queda de braço com outro pastor até decidir que deveria montar uma outra igreja com todas as suas peculiaridades. Aliás, interessante mesmo é uma pessoa como ele, que é cheio de tic nervoso se dizer uma pessoa que não passa por crise e vender-se como alguém extremamente equilibrado.
Viaja de cidade em cidade, fazendo campanhas e terminando-as com apelos financeiros. Não há uma visita sua que não finde assim. Em uma dessas visitas fui obrigado a ouvir que ele não precisava do dinheiro de ninguém na igreja pois vendia livros. Perguntei-me, quem era mesmo o público que compra seus livros de conteúdo pobre e herético, se não os membros?
Alguns anos atrás muitos jovens, crianças até, foram convencidas a trabalhar de graça na campanha a Deputado do Robson Rodovalho. Ganhou e ali, segundo ele, começava uma trilha até a presidência do Brasil. Mas, a carreira foi curta bateu na cassação do mandato por infidelidade partidária. Ainda sofria investigação por ter cedido suas passagens aéreas de deputado para transportar bandas contratadas de sua gravadora para realizar shows pelo país.
Outro caso intrigante foi a igreja sede, em BSB ser condenada pela Justiça do Trabalho por fraude. Pois, obrigou a ex-funcionária abrir firma para se livrar dos encargos trabalhistas.
Agora a maior das incoerências foi o apoio a eleição da Dilma Rousseff . Todas as vezes que tratavam sobre politica na igreja o PT era mais condenado que Judas. TODOS tinham horror ao PT e ao mal que poderia causar a nação. Mas... de repente a coisa mudou de figura e o senhor Roda passou a apoiar o PT. Lembro-me do constrangimento do Bispo local ao anunciar o apoio ao PT uma semana depois de ter gasto o tempo quase todo da palavra convencendo-nos que o PT era o demônio em forma de partido. Na última eleição municipal os mesmos que passaram a amar o PT com Dilma, voltaram a demonizar. “ Estratégia da igreja. Há coisas que você não sabe.” – disseram.
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Para a SNT entende-se que o cuidar de pessoas, pastoriado, é um ministério obrigatório. O que a palavra nos instrui na verdade é pregar, levar o evangelho. É estrategicamente entendido que aqueles que não possuem uma multidão seguindo não são dignos do evangelho, e qualquer outra coisa é secundária à isso. E mesmo que nunca tenham pensado assim, duvidam do poder de Jesus. Pois, que poder pequeno é esse de Jesus que precisam de quebra de maldições, mesmo depois que aceitam Jesus?
O processo de decisão não foi fácil. Demorou pelo menos um ano desde que a vontade de sentir-me valorizado por exatamente aquilo que quero oferecer a serviço do Deus que amo tanto, crescesse de tal forma que ficasse impossível de continuar. Não recebia mais as palavras que eram ministradas pois ouvia a intenção da palavra, não a exortação, inspiração, instrução. Nos últimos cultos que frequentei nem para quem estava pregando conseguia olhar, pois não poderia medir minha expressão de desconfiança. Não queria afrontar ninguém em sua casa. Mas, minha decisão ia influenciar na vida de outra pessoa. Não podia ser irresponsável e egoísta. Mas, Deus é perfeito. E tinham planos para nós dois, confirmou nos dois corações.
Tenho e sempre terei o coração agradecido pelo que aprendi com algumas pessoas dentro da Sara. Pelo amor dispensado por poucos que me acolheram quando precisei, que me orientaram sem aqueles interesses. Que me apontaram a palavra e Deus e nunca se renderam as metas megalomaníacas do Roda.
Deus os abençoe,


