Sábado, 22 de Maio de 2010. 13hr20min, meu telefone toca.
Dartanhan: "Alô, Douglas, tudo bem? Olha só, eu e Silvio combinamos de ir com camisa xadrez (para foto de formatura) ao invés de camiseta preta ou branca. Quero só ver a cara que a Maíra (a modelo da turma) vai fazer! (Risos, muitos risos, de ambos os lados da linha.) Leva uma também, ok?
Depois de receber essa ligação fui almoçar, sozinho, todos na minha casa já haviam almoçado (povo individualista, pô! hehehe) e, entre uma garfada e uma bebericada em um suco quente esquecido fora da geladeira, tive a sensação de finito. De repente, como se uma bigorna (como aquelas dos desenhos da Tiny toons) tivesse caído bem na minha cabeça, percebi que mais um ciclo estava se fechando, mais um grupo, de uma boa e longa jornada, estava com os dias contados.
O que me fez pensar em coisas que acabam, que chegam em um fim, porque elas simplesmente têm que acabar, pois justamente precisam ter finalidade. Não acredito que as coisas comecem (existem) e depois desaparecem (como o Rouge, 5ive, Spice Girls, Susan Boyle , ou qualquer outro competidor do Ídolos ), não penso que seja assim, mas creio que elas tem etapas muito bem estabelecidas, por você, te levam ao pé de uma nova escadaria que sorridentemente nos convida a subir um pouco mais alto. Gosto da visão da Química e da Metafísica que diz que as substâncias não desaparecem (as substâncias são seres absolutamente infinitos), elas não somem do mapa, (como a Sérvia e Montenegro) elas se transformam em outra coisa, (Thammy Gretchen que o diga), elas mudam e exercem outra função em outro esquema químico, se relaciona e se transforma de novo. Comunica-se com outras substâncias, e nessa comunidade ela forma algo totalmente novo, sendo a mesma coisa. Nesse sistema ela nunca para de mudar, se adaptando, mas fechando ciclos. Hoje isso aqui, amanhã aquilo lá.
Vejo muitos amigos receosos da proximidade de “fins”, seja faculdade ou qualquer outra coisa, eu gosto muito de fins, porque vivo do que é fresco (mas, nada comparado ao Richarlyson), gosto de sentir frio na barriga, antes de coisas novas, sou viciado nisso. Não é a toa que faço Teatro, (não que eu seja pedreiro), sou apaixonado em emocionar as pessoas, fazê-las rir ou chorar. Aquela sensação que dá minutos antes de pisar lá no palco, é indescritível, tão bom quanto pão-de-mel. Quando eu entro, o palco é meu, (Esse castelo será meu, meuu, todo meuuu, ou não me chamo Sr. Abobrinha!), as pessoas são parte da apresentação, elas me observam, avaliam, e eu a elas. Quando termina a apresentação, o famoso “Fim”, sinto-me bem porque tenho a sensação de trabalho feito, de mensagem levada, me sinto um instrumento de Deus, um canal. Não fico lamentando porque acabou, eu já penso na próxima, porque desejo aquilo de novo.
Em cada nova etapa, em cada novo degrau da grande escadaria, eu sinto que estou me transformado na medida em que transformo, a essência continua a mesma, intocável, imanipulável, mas eu mudo e me permito novos olhares. Aliás, como tenho experimentado isso, passado a admirar pessoas que antes repudiava (só essa palavra para significar isso mesmo), às vezes me pergunto: “Será, que estou sendo Hipócrita, ou de fato mudei?” Sim, eu sei que mudei. Aquela pessoa que era não teve um fim, não desapareceu, ela está aqui vos escrevendo, mas ela agora sou eu, entende? (É mais fácil entender o Mercado de Ações).
Os ciclos precisam terminar, eles precisam se fechar. É preciso fazer novas associações, se comunicar com outras substâncias, totalmente e completamente diferente da sua. Pelo bem da sua boa vida isso se faz preciso. Para que não morra sendo a mesma coisa, não desempenhando novas funções dentro de sistemas outros. Já que você, “a substância absoluta”, tem vários atributos. Pode ser, portanto, um Ser resiliente (gosto dessa palavra e, sem lá porque, nunca criei a oportunidade de usá-la. Resiliência, resiliência, resiliência) dotado de potencial à mudança. Triste coisa é ter isso e desperdiçar com um fim que muito se assemelha com o inicio. Não fazendo fechamentos. A formatura é um rito de passagem interessante, pois declara fim à um ciclo e, dá boas vindas a outro. (Seja Muito Bem Vindo, Querido Mercado de Trabalho!!!)
Durante esses últimos 4 anos me senti aprisionado, na geladeira como a Daniela Cicarelli ou a Adriane Galisteu, como se estivesse em um navio, trabalhando para mantê-lo navegando, cuidando de cada um dos detalhes necessários para que não naufragasse. Diverti-me muito com a tripulação, dando risadas, chorando, cantando e lamento em um só coro, nem de perto foi um tempo ruim. Mas, agora que avisto terra firme, mal posso esperar para pôr os pés lá. Daqui vejo frutos deliciosos, vou escalar até o topo da árvore e apanhar os mais bonitos, irei saboreá-los bem devagar estendendo assim o prazer que me proporcionarão. A viagem foi boa, companheiros, mas ficarei muito feliz em desembarcar. Preciso tomar aquela floresta que daqui admiro, ela é minha.
Nada vai acabar, vamos apenas nos deparar com as finalidades, ou melhor, “Finalidades”, pois desempenhamos uma função em um sistema e, agora precisamos fazer uso da substância dotada de atributos infinitos e fazer uma nova comunicação manifestando atributos inéditos. Só muda o que não é absoluto, só acaba o que nunca foi. Aquilo que é, que seja!!!

