sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Presença da Ausência

Estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro que tem tanta mágica. Chegamos a sentir o “gosto” de coisa nova chegando. Fazemos cursos, faculdade, compramos roupas novas, Cd novos (se não compramos, baixamos. Deus abençoe o 4shared e o apenasmúsica.net). Gosto de coisa nova é ótimo. Enquanto espero os downloads terminarem, com Cds que aguardo a tempo lançamento, fico com uma mistura adocicada de medo e esperança. Medo de que o Cd não corresponda ao que espero e, ao mesmo tempo, esperança de que seja tão bom quanto ao anterior de determinada banda, grupo. Isso aconteceu com os últimos Cds do Leeland, Lifehouse, Fernadinho, Switchfoot e David Quinlan... Infelizmente o último referido foi o único que pensei: “Poxa, como gosto do anterior, do anterior a esse”

Ouço bater em minha porta, todos os dias mil possibilidades, mil novos projetos de construção do novo “Douglas”. Olho atentamente alguns e descarto de cara, ali, na lata. Já outros, analiso com carinho, ganham simpatia diante dos meus olhos, me inspiram a sonhar. Os que rejeito é porque não cumprem um requisito básico: não tem princípios, apresentam fins neles mesmos. Outros me obrigam a “limpar a casa”, correr pro porão e fazer uma faxina daquelas, descer todas as caixas, limpar cada canto. São projetos que não cabem em um lugar entulhado, que, de tão preciosos não suportam a poeira do tempo.

E, nessas horas... Que saudade que dá. Aliás, oh, palavrinha essa. É um sentimento? É um pensamento, ou será um sensação? Saudade é uma coisa boa ou ruim? Traz-nos Lembranças boas de um passado que, de tão bom merece ser re-experimentado, ou nos dá aquela sensação de velhinho-de-praça “no meu tempo era melhor”?

Algumas pessoas surtam quando pensam no futuro, eu não. O futuro deve dar medo porque é uma folha em branco. Uma A4, entregue em nossas mãos e, como uma professora que não sabe bem o que fazer pra “ocupar” os alunos diz: desenhe livre. Daí nos desesperamos com a inexistência de idéia... o que acontece com a maioria é desenhar o básico, casa, árvore, pássaros e sol. No medo de ficar sem nada pra “desenhar” optam pela primeira coisa que vem a mente, o óbvio. O Ordinário, que de tão comum nem é discutido se vai ou não fazer, aliás, nem se discute como vai fazer. Não há discussões se vai ou não fazer arroz e feijão no almoço. Hello!!! Arroz e feijão, claro que vai ter isso, o acompanhamento que é discutido. Agora como vai fazer o arroz e feijão, isso sim, nunca será mencionado até porque não há grandes diferenças, né?

Lava o arroz (ou o feijão), alho, óleo, sal, cozinha. Pronto!!! Existe um jeito bem estabelecido e conhecido por todos. Agora se proíba de comer arroz e feijão pra você ver o problemão que irá lhe arranjar. É a falta que desespera.

Ora, ou outra nos deparamos com a falta, a tal saudade citada. E como disse é naqueles momentos que estamos bem, sorrindo, rodeados de amigos e, planos para o futuro, que essa sensação, pensamento ou sentimento pula bem na nossa frente. Saí de trás de uma árvore, uma que fica no nosso caminho cotidiano, aquele que passamos todos os dias.

Afundamos em uma melancolia repentina. Voltamos lá pra Barbacena de nossas infâncias, ah, como lá era bom! É engraçado que o tempo apaga (ou não, como diria Caê), as coisas ruins de determinado tempo. “Ai, que saudade da época de escola”. Espere um minuto e eu já te lembro das coisas ruins. Hehehee. A tendência é sempre essa, arrancar os espinhos do passado, enfeitá-lo com florzinhas coloridas, colocar na parede da sala e ficar olhando, suspirando, sobre como era bom. É irrefutável a existência das coisas boas, mas é inegável a existência das ruins. O que me dá mais saudade não são as coisas, ou a situação de “aquela época não tinha compromissos, vivia uma férias permanentes”, me dá saudade das pessoas. Que hoje nem sei se seriam as mesmas, se seriamos amigos como éramos. Tenho saudade do que era, das coisas que eram, não das coisas que “poderiam ser hoje”, creio que estou no caminho que deveria estar, sem “mas”, por isso não fico pensando no “deveria ser”, porque isso envelhece, te transforma em um chato reclamão, cego frente as novas possibilidades, um eterno insatisfeito com as coisas novas que se apresentam.

Ai, que saudade! Como é bom poder suspirar assim, tendo a certeza que não precisa voltar aquele tempo para que possa aproveitar o hoje. Como é bom reler coisas, rever fotos e dizer, “era feliz lá”, mas, sou feliz aqui. Como é bom pegar uma folha em branco nas mãos e pensar em algo novo pra desenhar, talvez até uma casa, árvore, pássaros e sol, mas de um jeito novo, um jeito que surpreenda a todos, inclusive você mesmo.

A melancolia presente, e do presente, é porque nos deparamos com esse “nada”, temos o passado, concreto e imutável e insistimos em promover uma luta entre ele e o futuro. Como se a vida não fosse algo linear, contínuo. Como diria minha professora de Antropologia, se matarmos o “velho” condenamos o futuro. É preciso conviver, ter uma convivência harmoniosa de respeito e busca de aprendizagem. Se conseguirmos isso abandonaremos a melancolia frente as fotos, cartas, enfim. Olharemos com um sorriso de canto de boca e desejaremos fazer do presente um bom passado no futuro.

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