terça-feira, 23 de março de 2010

Herança de Herói

O que faz de alguém um “especial”? O que é que torna uma pessoa, que outrora um comum, se torne em um simples “plin” um amigo admirável, um herói de todas as horas? O que é tão arrebatador assim? Que muda nossa visão, que nos inspira a sermos pessoas melhores? Quando falo melhor, estou me referindo a uma pessoa mais próxima daquilo que desejo – sempre desejei- realmente ser. Há pessoas que me ensinam tanto! Que me inspiram tanto! Que me fazem querer estar em uma constante evolução e crescimento, e fazem isso apenas com a aceitação incondicional de quem eu sou. Não tentando me consertar, mas apenas cuidando de mim.

São essas pessoas que me levam para o centro do Amor de Deus, onde eu posso olhar totalmente despido as minhas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Elas são meus heróis. Não de Capa e super-poderes, mas me resgatam através da maior força que existe, o amor. Eu ali, escondido em mim mesmo, com tantas potencialidades de uma Alma Nobre, Ungida, só esperando a Santidade, que nada mais é do que se tornar aquilo que se é.

Essas pessoas se movem de um lugar comum para lista de Amigos (de fato) quando compartilham suas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Olhamos para elas, ouvimos seus relatos sussurrados de “humanidade” e aquela figura do outro super-potente, arrogante, cheio de “privilégios” concedidos da vida, vira um “igual”. Desconstroem-se as falsas evidências do outro ameaçador, mesmo porque já não há motivos para se esconder. Entregam-se os esconderijos, porque já não há mais inimigos, na verdade ganha-se aliados.

Como tenho experimentado disso!!! Deus tem me ensinado lições valorosas nesses dias quanto a isso, tanto que sinto vergonha de mim mesmo toda vez que vejo alguém julgando outro sem conhecê-lo na totalidade, sem o ver como um ser contextualizado. Sinto vergonha de mim mesmo, sinto ao me lembrar de todas as vezes que eu fiz isso.

As pessoas são como livros, independendo de ser de seu agrado ou não, elas tem grandes lições a nos ensinar. (Se eu pedi pra que lesse esse texto é porque te considero um bom livro, obrigado por todo ensinamento.)

Esses são os heróis verdadeiros. Assim como Jesus um dia me resgatou de mim mesmo esses outros cooperadores de Cristo o fazem também. Quando o Resgate aconteceu, Jesus me encontrou encolhido, no canto de um quarto vazio, com frio, com fome, com tantos medos, totalmente ferido. Não consegui nem me mexer, não queria olhar pra trás e perceber que era mais um, que iria apenas me acusar e colocar o dedo em minhas feridas sem nem ao menos desejar curá-las. Ao longe ouvi seus passos, senti sua Presença. De alguma forma sabia que não era igual aos demais que já havia tentado se aproximar de mim. Estava esperançoso, e ao mesmo tempo, por causa das feridas abertas que tinha, cheia de bichos e pus, tentava a todo custo matar a esperança por conta da realidade. Não seria possível!! Ele se aproximou e, em tom de sussurro, balbuciou: “Filho!!!” Seu amor foi tão grande que chegou de mansinho, falou baixo pra não me assustar. Esfreguei meus olhos, tornei a cabeça a Ele com dificuldade, e em um “plin” tornei-me Seu amigo. O conhecia apenas de ouvir falar, mas naquele instante já era de experiência-lo. Essa é a Herança de Jesus, amor incondicional de tamanha força que move todos à mudança deliberada.

Ele se tornou o modelo de como ser alguém que liberta sua própria alma para Amar incondicionalmente. Não a liberta pra tomar suas próprias decisões, escolher seu próprio caminho, mas a liberta para ser o que já é. Grandiosa!!!

Toda vez que sinto que sou aceito incondicionalmente, onde me sinto à-vontade pra ser quem sou, ouço Sua voz: “filho, eu te amo”. E de alguma forma, estranhamente falando, isso basta.

Isso basta pra que se deseje auto-mudança. Pois me coloca de frente com meus desequilíbrios, se não preciso escondê-los então os encaro. Há nomes que gostaria de citar aqui, pessoas que tem esse poder sobre mim, mas prefiro dizer a eles pessoalmente, e sei que tenho feito isso ao longo da minha vida. São grandes heróis, que resgata o que há de melhor em mim.

Ayrton Senna estaria fazendo 50 anos se estivesse vivo. Ele é considerado um herói, amado e admirado. Ousei-me perguntar o porquê disso tudo? E uma cena me veio a mente, uma entrevista que ele deu ao fantástico em mil novecentos e lá pedrada. Ele ao lado de Adrianne Galisteu (frase do meu pai na época: uma oportunista), falando sobre suas vitórias: “eu não corro por mim, porque eu sou uma só pessoa, mas eu corro pelos outros. É muito bom saber que quando eu ganho milhões de pessoas começam a semana sorrindo”. Quando me lembro disso, entendo o motivo dele ser lembrado com muito carinho até hoje, era uma pessoa que permitiu sua alma ser grandiosa, não pelos títulos, mas pela postura diante da vida. Basta assistir uma entrevista dele pra saber que não era comum. O que ele disse com aquela frase foi: “não sou eu, a alegria da vitória não é minha, é nossa. Prefiro escolher resgatar o que há de melhor nas pessoas, o sorriso.” Com isso se desconstruiu a figura de alguém super-potente que ganhava todas, mas essa imagem deu lugar a alguém que simplesmente (como se isso fosse assim, simples), inspirava aqueles que o admiravam. Não era mais um ídolo, era um herói. Essa é sua Herança.

Com essa lembrança, costurada pelo rosto de Ayrton Senna, eu pude ouvir uma vez mais, com nitidez: “filho, eu te amo”. (Obrigado Senhor, por não medir esforços pra falar comigo. Por usar tudo e todos pra que eu ouça Sua voz.)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Penso que penso demais!!!

Uma coisa tem me intrigado ultimamente. Na verdade várias coisas tem me intrigado. Que bom, né? Significa que eu penso. Penso logo desisto como diria “Descarte”.

Aliás, penso que meu problema é justamente pensar demais. (Droga!!! Só nessa frase tem dois “pensar”). Lembro que uma vez um professor meu de matemática, Leônidas, típico professor, com seus 38 anos, com um sotaque cuiabano melhor que de Nico e Lau (leitores do meu Brasil, joga no Google), e um orgulho (ainda não sei bem porque) de ser do município de Mimoso, me disse assim: (com sotaque por favor) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”. Eu, o afobado, no alto do maior drama (sempre) estava declarando a ele minha definitiva deficiência em matemática. Com o caderno aberto, meio abandonado em cima de minha mesa, com as costas inteiras encostadas na cadeira e, com os braços pendurados, nessa postura de mãe ao fim do dia, ele se aproximou e me perguntou o que estava acontecendo. Respondi e, ele me ofereceu ajuda, começou a explicar aquela formula idiota, depois disse: “agora é C’ocê”. Fiquei imóvel olhando, ora pra ele, ora para o caderno. E ele soltou à frase citada. (leia de novo) “Dôgras, num pensa muito. Matemateca num tem que pensar, tem que fazê. Seu pôbrema e que pensa dimais”.

Sim eu penso demais. E às vezes... como isso me atrapalha. Quero logo falar do equilíbrio, porque a tendência é sair de uma coisa exagerada e ir para o oposto, mas também exagerada. E ficamos nos”gambando” de que mudamos, de que evoluímos, que estamos pegando mais leve. É como se quando estivéssemos tirando uma venda dos olhos, ao mesmo tempo estivéssemos escolhendo uma outra, agora com estampas mais bonitas. (amo exemplos idiotas). O sujeito é super analítico e de repente se torna um “nem-penso-faço”.

É claro que devemos pensar em algumas situações, devemos colocar em listas (né? Sara) nem que sejam em nossas cabeças os pontos positivos e negativos disso ou daquilo. Já que algumas decisões parecem (eu disse: parecem) ser definidoras. E, há conseqüências.

O que o tio Leônidas, quis me dizer foi que não adiantava eu ficar olhando para o caderno pensando em como resolver aquela orgia de números e letras que davam zero no final (pra quê? Se o treco dá zero no final?). Eu precisava praticar porque se as dúvidas aparecessem no caminho teria à quem recorrer. Mas, eu não. Se não tinha entendido na primeira explicação, já não queria mais saber. Ele me fez uma proposta, praticar em casa, eu fiz isso!!! Entendi, e acabei gostando. (passou). E gostei porque estava dando certo, no começo achei estranho dar zero. Refazia várias e várias vezes, pra descobrir nas aulas posteriores que era isso mesmo. (Perda de tempo, Pô!!!)

Em Psicoterapia Breve (Google já) existe um termo chamado EEC (Experiência Emocional Corretiva), que nada mais é, explicando na miúda, algo que é dito por alguém que causa tamanho significação à quem ouve que gera uma mudança interna. Por exemplo, o sujeito faz o estilo largadão, aí tem algum evento que ele é “obrigado” a se vestir melhor. Chega alguém e faz um comentário totalmente sem a intenção de gerar tal mudança (até porque isso não tem como ser previsto): “Como você fica bem vestido assim! Com o cabelo assim”. O sujeito passa a prestar mais atenção em sua roupa, em como arruma o cabelo, se percebe e, de fato, muda.

O que o professor fez foi algo próximo disso. “Poxa!!! Eu penso demais”. Ou seja, “sai daí”. Saia dessa posição. Se levante (toma teu leito e anda). Rsrsrsrs.

Talvez tenha ficado mais “ação” depois disso. Sabe?! Parar de sofrer com o caderno aberto, achando que eu sou burro por não ter entendido a explicação. O que na verdade não adianta nada entender a explicação de primeira, ela não muda o fato do exercício ainda não ter sido feito, e nem me dá autoridade de eu declarar terror à matemática. O mais interessante foi descobrir que depois de ter feito alguns exercícios eu internalizei o processo. Dali alguns passos básicos era pura dedução.

Na faculdade vi isso. Tenho estágios obrigatórios (não remunerados), desde o segundo semestre. Se nas aulas teóricas achávamos que tínhamos entendido tudo, era nas práticas que constatávamos que as aulas teóricas só tinham autoridade de serem porque eram produtos de práticas. Quebrei a cabeça algumas vezes. Se disser que entendi a psicanálise depois de 4 semestres não por falta de leitura, nem tão pouco por falta de interesse, apenas falta da prática, vocês não me consideraram lerdo, né? Quando entramos em textos de Freud do fazer do terapeuta, aí me veio a epifania. (Que burro!!! O Word não conhece essa palavra). Tem gente que quer que eu explique em 15 minutos sobre isso. Eu até me arrisco porque quem pergunta merece uma resposta, mas não exija de mim a explicação da essência, porque eu também sou novo nisso. Quando me arrisco, ainda ouço: “Que bobagem. Esse Freud era louco mesmo”.

Existe uma frase que dizem da Índia (não a Serena, o país), “para se entender a Índia é preciso ir a Índia.” Por mais que a teoria, o blábláblá, a explicação, dê suporte para o entendimento é a experiência em loco que dá a idéia do todo. Se tentar explicar a Deus, e como é se relacionar com ELE não parecerá mais nada do que disse-me-disse religioso. Se você acha complicado entender a Deus ouse experiência-LO.

O mesmo acontece sobre as pessoas. Você ouve muito falar sobre alguém, as vezes com a visão de outras, o cômico é que somos tão “apaixonados” que compramos facinho a percepção alheia. Se chega alguém e diz que alguém desse ou daquele jeito, dissemos: “Ah, é? Não sabia que fulano é assim.” Basta isso pra gente ler a pessoa citada a partir desses óculos, o legal é quando damos o benefício da dúvida e descobrimos alguém tão bacana, bem diferente de como pensamos. Sei que a vida não é um exercício de matemática, graças a Deus, né? Porque chegar no final e dar zero, como diria um vendedor de feira de bairro: “é pra acabá!” Mas, em algumas situações só a experiência nos dará autoridade, pra dizer se gostou ou não. Vamos nos deparar com a sensação de que foi um tempo perdido, eu prefiro acreditar que foi um tempo investido em aprendizagem. Se no fim der zero pelo menos posso dizer com convicção que odeio matemática.

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