O que faz de alguém um “especial”? O que é que torna uma pessoa, que outrora um comum, se torne em um simples “plin” um amigo admirável, um herói de todas as horas? O que é tão arrebatador assim? Que muda nossa visão, que nos inspira a sermos pessoas melhores? Quando falo melhor, estou me referindo a uma pessoa mais próxima daquilo que desejo – sempre desejei- realmente ser. Há pessoas que me ensinam tanto! Que me inspiram tanto! Que me fazem querer estar em uma constante evolução e crescimento, e fazem isso apenas com a aceitação incondicional de quem eu sou. Não tentando me consertar, mas apenas cuidando de mim.
São essas pessoas que me levam para o centro do Amor de Deus, onde eu posso olhar totalmente despido as minhas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Elas são meus heróis. Não de Capa e super-poderes, mas me resgatam através da maior força que existe, o amor. Eu ali, escondido em mim mesmo, com tantas potencialidades de uma Alma Nobre, Ungida, só esperando a Santidade, que nada mais é do que se tornar aquilo que se é.
Essas pessoas se movem de um lugar comum para lista de Amigos (de fato) quando compartilham suas fraquezas, inconstâncias, inseguranças, insensibilidades, defeitos de toda ordem. Olhamos para elas, ouvimos seus relatos sussurrados de “humanidade” e aquela figura do outro super-potente, arrogante, cheio de “privilégios” concedidos da vida, vira um “igual”. Desconstroem-se as falsas evidências do outro ameaçador, mesmo porque já não há motivos para se esconder. Entregam-se os esconderijos, porque já não há mais inimigos, na verdade ganha-se aliados.
Como tenho experimentado disso!!! Deus tem me ensinado lições valorosas nesses dias quanto a isso, tanto que sinto vergonha de mim mesmo toda vez que vejo alguém julgando outro sem conhecê-lo na totalidade, sem o ver como um ser contextualizado. Sinto vergonha de mim mesmo, sinto ao me lembrar de todas as vezes que eu fiz isso.
As pessoas são como livros, independendo de ser de seu agrado ou não, elas tem grandes lições a nos ensinar. (Se eu pedi pra que lesse esse texto é porque te considero um bom livro, obrigado por todo ensinamento.)
Esses são os heróis verdadeiros. Assim como Jesus um dia me resgatou de mim mesmo esses outros cooperadores de Cristo o fazem também. Quando o Resgate aconteceu, Jesus me encontrou encolhido, no canto de um quarto vazio, com frio, com fome, com tantos medos, totalmente ferido. Não consegui nem me mexer, não queria olhar pra trás e perceber que era mais um, que iria apenas me acusar e colocar o dedo em minhas feridas sem nem ao menos desejar curá-las. Ao longe ouvi seus passos, senti sua Presença. De alguma forma sabia que não era igual aos demais que já havia tentado se aproximar de mim. Estava esperançoso, e ao mesmo tempo, por causa das feridas abertas que tinha, cheia de bichos e pus, tentava a todo custo matar a esperança por conta da realidade. Não seria possível!! Ele se aproximou e, em tom de sussurro, balbuciou: “Filho!!!” Seu amor foi tão grande que chegou de mansinho, falou baixo pra não me assustar. Esfreguei meus olhos, tornei a cabeça a Ele com dificuldade, e em um “plin” tornei-me Seu amigo. O conhecia apenas de ouvir falar, mas naquele instante já era de experiência-lo. Essa é a Herança de Jesus, amor incondicional de tamanha força que move todos à mudança deliberada.
Ele se tornou o modelo de como ser alguém que liberta sua própria alma para Amar incondicionalmente. Não a liberta pra tomar suas próprias decisões, escolher seu próprio caminho, mas a liberta para ser o que já é. Grandiosa!!!
Toda vez que sinto que sou aceito incondicionalmente, onde me sinto à-vontade pra ser quem sou, ouço Sua voz: “filho, eu te amo”. E de alguma forma, estranhamente falando, isso basta.
Isso basta pra que se deseje auto-mudança. Pois me coloca de frente com meus desequilíbrios, se não preciso escondê-los então os encaro. Há nomes que gostaria de citar aqui, pessoas que tem esse poder sobre mim, mas prefiro dizer a eles pessoalmente, e sei que tenho feito isso ao longo da minha vida. São grandes heróis, que resgata o que há de melhor em mim.
Ayrton Senna estaria fazendo 50 anos se estivesse vivo. Ele é considerado um herói, amado e admirado. Ousei-me perguntar o porquê disso tudo? E uma cena me veio a mente, uma entrevista que ele deu ao fantástico em mil novecentos e lá pedrada. Ele ao lado de Adrianne Galisteu (frase do meu pai na época: uma oportunista), falando sobre suas vitórias: “eu não corro por mim, porque eu sou uma só pessoa, mas eu corro pelos outros. É muito bom saber que quando eu ganho milhões de pessoas começam a semana sorrindo”. Quando me lembro disso, entendo o motivo dele ser lembrado com muito carinho até hoje, era uma pessoa que permitiu sua alma ser grandiosa, não pelos títulos, mas pela postura diante da vida. Basta assistir uma entrevista dele pra saber que não era comum. O que ele disse com aquela frase foi: “não sou eu, a alegria da vitória não é minha, é nossa. Prefiro escolher resgatar o que há de melhor nas pessoas, o sorriso.” Com isso se desconstruiu a figura de alguém super-potente que ganhava todas, mas essa imagem deu lugar a alguém que simplesmente (como se isso fosse assim, simples), inspirava aqueles que o admiravam. Não era mais um ídolo, era um herói. Essa é sua Herança.
Com essa lembrança, costurada pelo rosto de Ayrton Senna, eu pude ouvir uma vez mais, com nitidez: “filho, eu te amo”. (Obrigado Senhor, por não medir esforços pra falar comigo. Por usar tudo e todos pra que eu ouça Sua voz.)


